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Ainda a fonte de Vale de Medeiros

Edição de 26.02.2003 | O Mirante dos Leitores
Não pretende este artigo alimentar a polémica sobre as propriedades da água de uma simples fonte. Antes é uma contribuição para o conhecimento da verdade dos factos, o interesse da população, sem medo dessa realidade.Uma realidade, é que é uma água muito consumida. Vêm utentes de localidades que ultrapassam os cem quilómetros de distância, com as motivações mais diferenciadas.Após a V. Notícia de 29-8-02, de que a fonte estaria contaminada com coliformes fecais, decidiu um grupo de mais de duas dezenas de cidadãos quotizar-se para analisar a água no Instituto Ricardo Jorge, cientes, no entanto, de que a recolha da água estava a ser feita de modo incorrecto. A água depositava-se num pequeno lago, e ali contactava com matéria orgânica, desde folhas, musgos, liquens, etc.Os resultados foram aqueles que efectivamente já se esperavam. A água quimicamente foi aprovada, mas biologicamente não.Assim foi decidido, por um cada vez maior grupo de cidadãos interessados, fazer nova análise, no mesmo Instituto. Antes disso foi reposta a situação de recolha de água que havia sido alterada. Ou seja, foram colocadas três rústicas telhas que permitem a recolha praticamente na nascente. O risco de contaminação com microrganismos ficou reduzido, como o mostrou o resultado científico. A água é própria para consumo.Com estes valores põe-se apenas uma questão: Quem inventou, sem prova científica, a questão dos coliformes fecais? No Instituto em Outubro de 2002, não me foi confirmada a existência de coliformes fecais. Porque não se preocuparam com as condições de recolha da água, que era efectivamente má? Que profissionais são estes?Na edição da semana passada, , a notícia carece de ser corrigida em vários aspectos: insiste-se nos coliformes fecais, adiantando no entanto que a senhora Delegada de Saúde, em 29-8-02, “alertava para o facto da água da fonte estar contaminada com microrganismos, nomeadamente coliformes, que estão relacionados com dejectos animais...”Insiste-se também no adjectivo “milagrosa”, o que a população de Paço dos Negros, não reconhece. Considera um abuso, mesmo uma ofensa.Refere que os sobreiros em redor da fonte “estão a ser arrancados”. Ora isto não é verdade. O que foi arrancado, foram eucaliptos, e estão situados a jusante da nascente. Penso que é, até, proibido arrancar sobreiros.Termina a notícia com uma dissertação atribuída à Técnica de Saúde, sobre contaminação e suas causas: pesticidas, clima, chuvas. Dissertação generalista, teórica, feita em gabinete, que está provado, cientificamente, não se aplica neste momento a esta fonte e a este local. Se o fosse, só denotaria desconhecimento da região.Quem conheça bem esta região, pode verificar que passando a Ribeira de Muge, onde se situa a fonte na margem esquerda, no sopé de uma cordilheira, se encontra numa das maiores manchas florestais desabitadas do nosso país. As localidades mais próximas são Coruche a 30 Kms, Foros de Arrão, Montargil, Ponte de Sor, a cerca de 50. Praticamente não existe agricultura hoje nesta região, ao contrário de há décadas atrás.Peço ao Mirante para publicar esta mensagem, com a qual damos por encerrado este assunto. Não estamos para alimentar polémicas mormente com funcionários públicos, corporativistas e que não estão vocacionados para o serviço público.Por um grupo de cidadãosManuel Evangelista – Sociólogo – Paço dos NegrosNota da redacção: O MIRANTE tem dado aos leitores a informação que lhe é fornecida pelas autoridades sanitárias sobre a qualidade da água da fonte de Vale de Medeiros, Paço dos Negros. As mesmas alertam para determinados riscos. O senhor minimiza-os. Penso que caberá a quem utiliza a água decidiro que fazer. Quanto à água ser “milagrosa” ou não, isso também depende de quem a bebe. Mas não acreditamos que existam pessoas que se desloquem cem quilómetros, como refere, para ir buscar água igual à que têm nas torneiras lá de casa. E o termo milagroso, como sabe, é utilizado por algumas pessoas que ali vão encher os garrafões.

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