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Recordar Eulália Marques

Um dia de emoções para recordar uma mulher de cultura
Edição de 02.05.2007 | Cultura e Lazer
“Além de possuíres uma alegria contagiante tinhas uma extraordinária capacidade de dar e comunicar com os outros. Eras persistente e dedicada às causas mais nobres. As tuas palavras arrancavam aplausos mesmo aos mais empedernidos. Sempre invejei a tua capacidade de chorar pelo belo. Desta vez não tive alternativa, fui eu que tive que chorar por ti e, acredita, foi muito duro”.Este é um pequeno excerto da carta que Everilde Pires, grande amiga de Eulália Teigas Marques, começou a escrever à professora escalabitana no dia do seu falecimento e, como confessou, só conseguiu terminar um ano depois. Everilde Pires leu a sua carta e recordou, com emoção e saudade, a amiga na homenagem que as cerca de 70 pessoas, entre familiares, amigos e admiradores lhe prestaram, na passada sexta-feira, dia 27, precisamente um ano após a sua morte, na sala de exposições da Biblioteca Municipal de Santarém. Uma homenagem sincera e muito sentida realizada por todos aqueles que privaram de perto com a professora, estudiosa, cantora e actriz. Vários amigos falaram e recordaram a mulher independente, idealista, frontal, alegre e positiva que Eulália Marques foi durante toda a sua vida. “Só morre quem é esquecido e a Eulália só será esquecida quando todos nós também já não fizermos parte do mundo dos vivos. Eulália está viva no olhar e no rosto de todos nós. Devemos recordá-la como ela sempre foi: disponível para tudo o que esta cidade lhe pediu. E esse é o maior legado que ela nos pode ter deixado”, salientou Vicente Batalha, que terminou a sua intervenção com a declamação de um poema de António Ramos Rosa, um dos poetas preferidos da homenageada. Durante cerca de duas horas ouviram-se histórias sobre Eulália Teigas Marques. E o dia das recordações de um ano em que a sua falta se fez sentir, graças ao amor pela homenageada, pela afectividade dos corações, tornou-se num dia alegre onde as emoções estiveram sempre à flor da pele. Augusto Figueiredo recordou a Mulher moderna e inteligente que era. “Eulália era uma mulher à frente do seu tempo além de ser uma verdadeira universidade ambulante. Falava sobre qualquer tema. Era uma mulher de dimensão superior, um ser dos melhores de nós”, disse emocionado. Os momentos alto desta tarde de confraternização, em memória de Eulália Teigas Marques, foram as palavras sentidas do seu marido e companheiro de uma vida. “A sua grande paixão foi, sem dúvida, motivar, fazer acordar a juventude e formá-la para o futuro. Para ela um professor não existia apenas dentro da sala de aula. Por isso, ela foi amiga, companheira, ouvinte dos seus alunos. Tudo o que fez, fê-lo sempre com paixão. Era verdadeiramente uma apaixonada pela vida”, contou com a voz embargada.“Quando terminava um trabalho”, continuou, “mesmo que fosse a meio da noite, acordava-me para eu ler, para ver se percebia o que ela queria dizer. Eu tinha que me levantar e ler o seu trabalho e explicava-lhe, muitas vezes, que algumas das pessoas que iam ler aquelas ideias podiam não entender o que ela queria dizer. E ela reescrevia. Esta cumplicidade que tivemos durante toda a vida é aquilo de que mais me orgulho. Foi a companheira ideal”. A homenagem contou também com a participação do Coro do Círculo Cultural Scalabitano, do qual Eulália Marques era membro, e do Grupo de Guitarra e Canto de Coimbra que cantaram e tocaram alguns dos seus temas preferidos.

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