
Laura Sousa
83 anos, comerciante, Alverca do Ribatejo
Vejo as pessoas a abrirem as carteiras e lá dentro só estão cartões de crédito. Num casamento onde o dinheiro começa a ser um problema constante as coisas não correm bem. Depois as mulheres entregam-se cada vez mais rápido, são fáceis, e os homens não dão o devido valor. Hoje em dia mais vale não casar, porque as despesas do casamento são muitas e depois vêm as discussões e acaba tudo em divórcio.
O que podem as mulheres aprender com os homens?São as mulheres que têm muita coisa para ensinar aos homens. Existem cada vez mais mulheres a terem sucesso na vida profissional destronando assim o domínio dos homens em várias profissões. Mas por outro lado, também tenho muita pena de ver as mulheres a desresponsabilizarem-se cada vez mais de certas tarefas. Hoje em dia as crianças são praticamente criadas pelas amas ou pelas educadoras nas creches. Os pais já não têm paciência ou tempo para educar ou sequer para darem amor. Porque é que existem cada vez mais divórcios?Existe muita gente que não sabe governar a própria vida. Vejo as pessoas a abrirem as carteiras e lá dentro só estão cartões de crédito. Num casamento onde o dinheiro começa a ser um problema constante as coisas não correm bem. Depois as mulheres entregam-se cada vez mais rápido, são fáceis, e os homens não dão o devido valor. No meu tempo jamais andávamos de mãos dadas na rua ou a beijar. Hoje em dia mais vale não casar, porque as despesas do casamento são muitas e depois vêm as discussões e acaba tudo em divórcio. Se estivesse agora cara-a-cara com o actual primeiro-ministro o que lhe dizia?O Passos Coelho desdenhou do José Sócrates mas ainda é pior. Não está a cumprir com o que anunciou na campanha. O povo não consegue suportar os sacrifícios excessivos que está a pedir. Tenho até medo que aconteçam revoltas no nosso país, como aconteceram noutros países, onde se destruíram carros e lojas. Não há quem segure um povo com fome. Os jovens dizem que andam à rasca. Será que algum dia vão conseguir desenrascar-se em Portugal?Se os pais têm os bens empenhados, se estão cheios de dívidas, como é que os mais novos se vão desenrascar? Os jovens são obrigados a sair do país para arranjarem emprego. E quando vão para o estrangeiro acabam por fazerem coisas que não fariam em Portugal. Um engenheiro lá fora veste um fato-macaco. Em Portugal são uns vaidosos que têm a formação, mas não têm a prática. Já se viu obrigada a cortar em alguma coisa com a crise?Deixei de comprar roupa e visto a que comprei ao longo da vida. Na comida não corto em nada. Não vivo para comer, mas como para viver e tento sempre fazer a melhor alimentação possível. Continua a trabalhar, não é mulher para se reformar?Tenho aqui uma loja que é a minha razão de viver. Estou sempre ansiosa de vir para cá de manhã. Tenho dias em que o negócio é uma desgraça, mas mesmo assim vou conseguindo tirar uns trocos. Não nasci para freira. Que outra cidade escolheria para morar?Jamais trocaria Alverca por outra cidade. Nasci na Póvoa de Santa Iria, mas vim para Alverca com meses de vida. Tenho a cidade no meu coração e só tenho pena de ver pouco bairrismo. Mais de 90 por cento das pessoas não são de Alverca e os restantes não ligam à cidade. No meu tempo íamos ao teatro, ao cinema, aos bailaricos, às marchas de S. Pedro… Enfim, era outra coisa.

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