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Ainda há muito a fazer na exploração das energias renováveis

As energias renováveis vão ganhando terreno gradualmente e constituem já para muitas empresas e particulares uma importante alternativa à dependência dos combustíveis fósseis. É o futuro desta aldeia global chamada Terra que está em jogo e a consciência ambiental é essencial para um planeta mais verde. A separação de resíduos para reciclagem e posterior reutilização é outra vertente que os nossos inquiridos consideram fundamental em termos ambientais.

Paulo Soares, empresário, FátimaFomentar o uso das energias renováveisProprietário de uma empresa de comércio de produtos relacionados com as energias renováveis, Paulo Soares considera que o sol e o mar que existem em Portugal são uma “abundância, grátis, que deve ser melhor rentabilizada”. Mas, para isso, tem de existir um esforço colectivo, nomeadamente do poder central e local, de modo a instigar o desenvolvimento destas fontes de energia, quer a nível de investigação quer da sensibilização para o uso das mesmas. Em relação ao papel das autarquias e construtores civis, o empresário concorda que o exemplo “deve vir de cima” apesar da crise económica que se vive actualmente. “Como, por vezes, este tipo de equipamentos tem um custo imediato considerável, temos de ser sensíveis uma vez que, devido à sua durabilidade, a amortização dos mesmos é por vezes reduzida. Isto para não falar dos benefícios de poupança e de estarmos a zelar para um futuro melhor para os nossos sucessores”, reforça o proprietário da SonerFátima. Paulo Soares refere que, no seu caso, procura fazer “sempre mais e melhor” quer na separação dos resíduos, quer na aplicação e uso das energias renováveis. E finca a ideia: “Um pouco de todos nós faz muito pelo Planeta Terra”.João Silva, Sócio-gerente Solar House, SantarémSolar House veio colmatar a pouca oferta existente na área das energias renováveis na regiãoA Solar House é uma empresa especializada em energias renováveis essencialmente apoiada num dos maiores fabricantes europeus de equipamento de energia solar térmico (Sonnenkraft), sendo uma referência em inovação tecnológica. Ao longo de três anos de existência a Solar House tem vindo a adquirir competências em áreas determinantes como fotovoltaico, climatização com recurso a soluções de baixo consumo, colmatando a pouca oferta especializada existente na região.O sócio-gerente da empresa, João Silva, concorda que as energias do sol e do mar em Portugal podem ser mais rentabilizadas mas salienta a importância do nosso país no que diz respeito à energia eólica. “Na energia eólica Portugal é já uma referência a nível mundial e isso é muito importante. Em relação à energia marítima a tecnologia ainda é muito recente mas estão a fazer-se grandes desenvolvimentos nessa área”, afirma o empresário a O MIRANTE.João Silva e Ricardo Alves consideram que autarcas e construtores apostam nos equipamentos que produzem energia alternativa porque a lei obriga a que o façam. A maioria ainda não está muito sensibilizada para estas questões. “É uma questão cultural e compete-nos a nós, instaladores, sensibilizar construtores e autarcas para estas questões. É fundamental, também, o empenho do Governo Central para que haja um desenvolvimento mais célere das energias renováveis ao nível doméstico e empresarial no nosso país”, referem os sócios-gerentes da Solar House.Luís Lopes, empresário, TomarA importância da eficiência energética dos edifíciosGerente da empresa TemplarLuz, em Tomar, Luís Lopes considera que a localização geográfica do nosso país, em conjugação com a extensa costa marítima, faz com que a intensidade dos recursos energéticos renováveis seja mais intensa que noutras partes do globo. Por isso, na sua óptica, uma das soluções para a crise do país passa por aproveitar mais as fontes de energia renovável. “Devíamos ser mais competitivos energeticamente de modo a sermos auto-sustentáveis num futuro em que os combustíveis fósseis se vão extinguir e que o consumo eléctrico vai crescer exponencialmente com a introdução dos veículos eléctricos”, refere. O empresário sente que já existe alguma preocupação com o tema da eficiência energética dos edifícios, principalmente desde 2006, altura em que foi criada a regulamentação térmica e de climatização de edifícios e respectiva certificação energética. Salienta que a mesma “esbarra”, no entanto, com a falta de recursos financeiros alocados para determinadas obras, principalmente no sector público. “Na minha opinião devia ser criada a obrigatoriedade de, pelo menos, dotar os novos edifícios de espaços para futura instalação de equipamentos de produção de energia renovável”, aponta. Atento às questões ambientais, Luís Lopes faz reciclagem considerando que o tratamento de resíduos é das poucas coisas que Portugal tem feito bem e pode ser um exemplo para outros países.Carla Carreira, responsável do sector administrativo e financeiro da Macolis, LeiriaEnergias renováveis contribuem para mais qualidade na construçãoCarla Carreira considera que existe uma maior aposta nas energias renováveis em Portugal, sobretudo ao nível das autarquias e construtores civis mas ainda existe um “longo” caminho a percorrer. “Apostar nas energias renováveis contribui para uma melhor qualidade de construção sobretudo para a importante vertente da sustentabilidade. Felizmente já se assiste a bons exemplos mas ainda estamos no início de uma longa caminhada”, afirma.A empresária defende que o nosso país deve aproveitar da “melhor maneira possível” o facto de na maior parte dos dias do ano existir exposição solar e também a enorme extensão de costa marítima. “Existem sempre formas adicionais do sol e do mar serem ainda mais e melhor rentabilizadas como fontes de energia”, salienta. Carla Carreira é defensora do meio ambiente por isso todos os dias faz a separação dos resíduos. Além disso, também faz compostagem doméstica e na empresa todos fazem separação de lixos para reciclagem.Carlos Simões, administrador da Ecodeal, Carregueira (Chamusca)A floresta também é uma fonte de energiaDirector-geral da Ecodeal, um dos mais modernos centros integrados de recuperação, valorização e eliminação de resíduos perigosos, Carlos Simões defende que tanto o sol como o mar, que abundam em Portugal, devem ser rentabilizadas como fontes de energia. Mas, na sua opinião, não devem ser as únicas. “A floresta também é uma fonte de energia que não deve ser negligenciada. A Ecodeal utiliza como principal fonte de calor o combustível de caldeira no seu processo de tratamento de lixiviados e pellets de madeira [tipo de lenha para aquecimento]”, explica.Carlos Simões considera que, apesar de já existir uma maior sensibilização, tanto as autarquias como os construtores civis deviam apostar mais nas energias renováveis nos equipamentos e edifícios que vão sendo construídos. Formado em engenharia química pela Universidade de Coimbra, Carlos Simões especializou-se no tratamento de resíduos. Talvez por isso e por trabalhar na área seja uma pessoa sensibilizada para a reciclagem, algo que também pratica em casa. Carlos Crisóstomo, Empresário, Vila do ReiÉ necessária mais informação sobre a energia solar Carlos Crisóstomo, empresário do sector com firma em Vila do Rei, considera que é possível retirar melhor proveito do sol que brilha em Portugal. O mesmo não pode dizer em relação ao mar uma vez que, segundo sabe, os projectos levados a cabo não mostraram resultados satisfatórios. “Apostaria mais no aproveitamento dos recursos hídricos, em complemento com o Sol”, refere, acrescentando que existem projectos que trabalham durante o dia com energia solar foto-voltaica e durante a noite com a hídrica. Em relação ao papel das autarquias e das empresas de construção civil, o empresário considera a questão “pertinente” uma vez que muitas vezes não são colocados os equipamentos adequados em certas construções, inclusive em edifícios públicos, o que leva a um deficiente aproveitamento da energia solar térmica. “Existe uma grande falta de informação sobre energia solar”, aponta, sublinhando que, em tempos de crise, se deve apostar em equipamentos de fabrico nacional. Carlos Crisóstomo não faz jus ao ditado “em casa de ferreiro, espeto de pau” e por isso costuma fazer reciclagem sendo ainda um aliado da poupança energética. “As nossas viaturas usam o óleo vegetal usado e utilizamos também os resíduos florestais para os nossos equipamentos de aquecimento a biomassa”, sustenta.Rosalina Santos, gerente da Senso, Torres NovasEstamos no bom caminho mas há muito a fazerAs energias renováveis são o futuro e uma boa aposta em desenvolvimento. A opinião é de Rosalina Santos, gerente da Senso, empresa ligada ao ramo das energias renováveis. A gerente considera que é necessário apostar cada vez mais nas energias renováveis sobretudo no sol e mar. “Existem países com muito menos sol que nós e têm um parque solar muito maior que Portugal. Ainda estamos a dar os primeiros passos nesta matéria. Estamos no bom caminho mas ainda temos muito para fazer”, diz a empresária.Diz que os autarcas e construtores com quem trabalham estão despertos e sensibilizados para construir habitações que já façam o aproveitamento energético mas que podiam estar “ainda mais despertos” para as energias renováveis. Rosalina Santos defende que as energias renováveis são cada vez mais o futuro uma vez que os recursos do planeta esgotam-se. Em casa dá o exemplo e tem um caixote do lixo com os três separadores.Alcino Martinho, director-geral do CTIC, AlcanenaEnergia do mar não é tão aproveitada O director-geral do CTIC - Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, em Alcanena, afirma que Portugal já está a começar a rentabilizar a energia produzida pelo sol. “A energia do mar não é tão aproveitada porque a tecnologia ainda não está suficientemente madura. Os resultados práticos desta aposta ainda não são visíveis”, refere Alcino Martinho.O empresário diz que actualmente existe uma maior sensibilização dos construtores civis e das autarquias para colocarem equipamentos que produzem energia. Na sua opinião, o facto do preço da electricidade ter subido bastante nos últimos anos fez com que as pessoas optassem pelas energias alternativas. “Agora já é rentável apostar nas energias renováveis e penso que essa vai ser a tendência”, refere.O CTIC está há muitos anos ligado ao meio ambiente e por isso existe sensibilização na empresa para as questões ambientais. Fazem reciclagem de todos os produtos e Alcino Martinho dá o exemplo reciclando também em casa.

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