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Se eu fosse jornalista gostaria de tratar o tema da homossexualidade

Ao contrário de Rita Oliveira (entrevistada para a secção “se eu fosse jornalista”) acho que o tema da homossexualidade tem espaço a mais na comunicação social em geral. Se eu fosse jornalista concerteza que o assunto não me interessaria por aí além, pelo menos agora que até já são permitidos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. A sociedade tem alterado a sua visão do assunto. Há cada vez mais abertura em termos sociais. Há filmes baseados em relações homossexuais que ganham prémios. Um ou dois ganharam óscares. Há literatura, reportagens em revistas e jornais populares e de referência. Pela minha parte acredito que esta situação acaba por gerar um efeito contrário. De tanto se falar no assunto ele começa a “cheirar mal”, como se costuma dizer. A homossexualidade em si mesma não é notícia. O que é notícia era a intolerância. É pelo lado da intolerância que o jornalismo deve actuar e não pelo lado do voyeurismo. E não são só os homossexuais que viveram e vivem problemas de discriminação e perseguição. Ainda há casamentos combinados (na comunidade cigana, por exemplo) e casamentos arranjados entre famílias com fortuna. Há crítica social intolerável sobre pessoas de idades diferentes que se amam (a tolerância é só para artistas, ricos e famosos) ou sobre a sexualidade de pessoas idosas. Há mesmo repressão familiar exercida sobre idosos que ousam ter uma vida amorosa e sexual activa. Repito. Se eu fosse jornalista não gostaria de propagandear a homossexualidade mas de denunciar a intolerância. Todo o tipo de intolerância. Maria de Jesus Prucha Gorjão

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