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Proteger a cultura tauromáquica é “uma grande responsabilidade”

Proteger a cultura tauromáquica é “uma grande responsabilidade”

Vila Franca de Xira voltou a viver emoções fortes em mais um Colete Encarnado. “A nossa identidade não acabará por decreto”. Esta foi a frase forte da tradicional homenagem ao campino durante as festas do Colete Encarnado. Frase que ficou afixada na câmara municipal durante os dias da festa.

Edição de 06.07.2016 | Cultura e Lazer

A cultura taurina está profundamente enraizada nas tradições populares e por isso é “uma grande responsabilidade”, não só de Vila Franca de Xira mas também de todo o Ribatejo, protegê-la. A ideia foi defendida na última semana por vários eleitos municipais de Vila Franca de Xira mas também pelo presidente da câmara, Alberto Mesquita (PS), que no seu tradicional discurso durante a homenagem ao campino - o ponto alto das festas do Colete Encarnado, na tarde de sábado, 2 de Julho - fez também questão de afixar à porta da câmara, num cartaz de vários metros, a frase: “A nossa identidade não acabará por decreto”.
“Vila Franca de Xira é o palco privilegiado de uma das mais exemplares demonstrações da cultura popular portuguesa. O que é a cultura senão o pulsar da vida. O que nos aproxima, os momentos que partilhamos, os símbolos que identificamos como nossos”, frisou o autarca.
“Ao homem do campo junta-se o homem do rio e o homem da cidade. São eles três que têm construído esta forma de vida que distingue esta cidade e este concelho de todos os outros. Temos a grande responsabilidade de proteger a nossa cultura”, disse ainda Alberto Mesquita.
José Mendes, 73 anos, foi o campino homenageado este ano com o pampilho de honra, que levou o nome de Luís Carranca, já falecido. Lavado em lágrimas, José Mendes que sempre sonhou ser campino desde menino, ergueu o pampilho aos céus na hora da homenagem e agradeceu.
“O campino é o símbolo maior de uma festa maior. É através dele que mostramos ao mundo a nossa singularidade”, frisou Alberto Mesquita, ao mesmo tempo que evocava - perante ruidosos aplausos - os nomes das figuras da festa brava que partiram recentemente: Fernando Palha, Manuel Coimbra, David Ribeiro Telles e João Preceito.
A homenagem ao campino contou também com o tradicional desfile de campinos, cavaleiros e amazonas pelas ruas da cidade, este ano com a novidade de serem acompanhados pela charanga a cavalo da Guarda Nacional Republicana. Durante os dois dias houve enchente de visitantes na cidade, primeiro na sexta-feira, 1 de Julho, com o concerto dos DAMA, depois no sábado, com HMB e a popular noite da sardinha assada. As esperas de toiros pelas ruas movimentaram também centenas de populares.
Acabar com touradas é “censura”
Na última sessão da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira o tema do ataque à tauromaquia foi também discutido, com vários eleitos a defenderem acção rápida e forte dos líderes políticos na defesa desta tradição. António Galamba, do PS, criticou o que classificou de “crescentes campanhas de intoxicação e contestação” à tauromaquia que, disse, “mais não são que um impulso minoritário, intolerante com a diferença e cerceador das liberdades dos outros”.
Para Galamba, “as recentes iniciativas parlamentares proibicionistas, as campanhas nas redes sociais e as provocações gratuitas de quem espera retirar dividendos de popularidade com eventuais incidentes, constitui um ataque a parte da nossa identidade como vilafranquenses que merece resposta com redobrada afirmação da cultura tauromáquica. A cada ataque devemos responder com a redobrada afirmação de um pulsar popular”, afirmou. Também Filomena Rodrigues, do CDS-PP, criticou a “forma redutora” como o debate em torno da tauromaquia tem sido feita no Parlamento e manifestou uma “inquietante preocupação” por ver tentativas de proibição das touradas na televisão. “Proibir a transmissão de touradas na televisão é censura”, acusou.

A festa da ex-presidente Maria da Luz Rosinha

A Festa do Colete Encarnado tem um lado institucional que regra geral só é vivido por algumas pessoas que militam na política, no associativismo ou simplesmente já se consideram parte da festa.
Na festa de homenagem ao campino, que é um dos pontos altos do Colete Encarnado, que decorreu como é norma na praça Afonso de Albuquerque (vulgo largo da câmara), O MIRANTE assistiu a alguns momentos de convívio que merecem aparecer em letra redonda.
Maria da Luz Rosinha ficou no largo depois da partida de toda a comitiva para o cortejo pelas ruas principais da cidade. Campinos, cavaleiros e amazonas dão brilho a um cortejo que também tem os seus protagonistas políticos entre os quais se conta o presidente da câmara e o presidente da junta.
Pelo que soubemos a ex-presidente da câmara e actual figura do secretariado nacional do Partido Socialista não foi convidada. Mas a sua presença não passou despercebida e mal o cortejo saiu da praça eis que começam os gritos de alguns cavaleiros que ficaram no largo em convívio. “Senhora ex-presidente, as medalhas este ano foram muito mal distribuídas, uns são filhos e outros enteados”. O ambiente era de festa e de festa ficou. Maria da Luz Rosinha saiu do lugar onde estava e dirigiu-se ao campino que dava voz ao protesto e entregou-lhe a medalha que ela própria tinha recebido. Depois pediu ajuda junto de uma funcionária da câmara e lá chegaram mais medalhas que foram distribuídas por todos os cavaleiros.
Um momento de festa a somar à festa que nessa altura já decorria nas ruas da cidade; e um bom momento também para dar conta da popularidade de Maria da Luz Rosinha que embora não tenha qualquer cargo político no concelho continua a ser referenciada e estimada por muita gente.

Proteger a cultura tauromáquica é “uma grande responsabilidade”

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