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Saem de Alverca as peças principais do novo mega-avião militar da Embraer

Saem de Alverca as peças principais do novo mega-avião militar da Embraer

Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira fala em “momento significativo” para o concelho. Alverca foi a primeira cidade da Europa onde o novo avião brasileiro - desenhado e produzido parcialmente em Portugal - foi apresentado. Foi a segunda vez que foi mostrado ao público.

Edição de 06.07.2016 | Sociedade

É da fábrica da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, em Alverca, que saem as principais peças do novo avião militar da brasileira Embraer, um ambicioso projecto de engenharia luso-brasileira que, seis anos depois de ter sido anunciado, vê a luz do dia.
O novo KC-390 foi apresentado num hangar da OGMA na tarde de segunda-feira, 4 de Julho, pela primeira vez no continente europeu. A Embraer, recorde-se, é dona de 65 por cento do capital da OGMA.
Foi também a primeira vez que alguns dos trabalhadores envolvidos na produção das peças puderam ver o resultado final do seu trabalho. Alverca produz a fuselagem central do avião, fabrica e monta os “sponsons” - conjuntos com 12 metros de dimensão que compõem a carenagem do compartimento do trem de aterragem - e fabrica também os lemes de profundidade. Os fornecedores dos materiais usados na construção são todos de fora do concelho, de localidades vizinhas como Cascais e Torres Vedras.
“É um momento significativo da aeronáutica portuguesa e é para nós grande motivo de orgulho. É mais um passo no sentido da consolidação do cluster aeronáutico de Alverca e algumas parcerias já vão começando a constituir-se”, frisa Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira a O MIRANTE.
O autarca afiança que têm existido conversações com entidades ligadas à aeronáutica para se instalarem no concelho, tendo até em vista o aumento do ritmo de produção do novo KC-390, cujas primeiras entregas acontecem no início de 2018. “As coisas estão a evoluir. Disse ao primeiro-ministro que esta pista de Alverca tem uma potencialidade enorme para ser utilizada, por exemplo, com voos privados, em complementaridade à Portela. É um factor a ter em consideração”, nota.
O governo esteve representado em peso na apresentação do avião. Além do primeiro-ministro António Costa estiveram também os ministros da Economia, Negócios Estrangeiros e Defesa. Foram também bastantes os convidados da área militar, aviação, inovação e ensino superior.
“Para a OGMA este é um dia histórico, teve uma participação fundamental e cada avião produzido representa muitos empregos e muita exportação em Portugal. Este é o primeiro projecto de uma série de outros que vamos fazer juntos”, assegurou Jackson Schneider, presidente da Embraer Defesa e Segurança.
Antes já Rodrigo Rosa, do conselho de administração da OGMA, havia lembrado o facto da empresa ter celebrado 98 anos no dia 29 de Junho e do novo avião representar a melhor celebração que se poderia ter feito. “Desde o primeiro momento que vimos neste projecto uma fonte de valor. É um dia de celebração para todos nós”, elogiou.
Já o primeiro-ministro, António Costa, optou por lembrar que Portugal e Brasil são “países irmãos” mas que muito raramente dão as mãos por projectos comuns que criem valor. “É um passo de gigante na qualificação do país. Queremos dar continuidade à área da aeronáutica enquanto segmento de futuro”, frisou.

Milhares de horas de desenvolvimento
O avião agora apresentado resulta de 450 mil horas de engenharia portuguesa, 2100 desenhos técnicos e envolveu mais de 35 entidades nacionais, incluindo o Centro de Excelência e Inovação da Indústria (CEIIA), ao nível da engenharia e testes, bem como a OGMA, ao nível das estruturas e ferramentas. O avião tem também a colaboração de técnicos argentinos e checos. As peças produzidas na OGMA seguem depois para as fábricas da Embraer em Évora. É um avião de transporte militar e de carga, reabastecimento aéreo, busca e salvamento e até para combate a incêndios florestais. Tem um comprimento de 35 metros, uma velocidade máxima de 870 quilómetros por hora e é capaz de voar a uma altitude máxima de 11 mil metros.

Percalço resolvido à brasileira

A cerimónia de apresentação do avião ficou marcada por um percalço aparatoso quando discursava Jackson Schneider, presidente da Embraer. Depois de uma quebra de energia, o responsável decidiu falar sem microfone e aproximou-se do público. Mas quando isso aconteceu uma rajada de vento derrubou um painel que estava no palco, por pouco não acertando no gestor. Com o bom humor típico dos brasileiros, riu da situação e logo que a energia foi restabelecida ironizou dizendo que “monotonia” é algo que não existe na empresa. “Ainda bem que faltou a luz, isto quase foi planeado para me proteger”, brincou. Segundos depois foi apresentada a aeronave.

Saem de Alverca as peças principais do novo mega-avião militar da Embraer

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