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“A maior dificuldade dos miúdos hoje em dia é saber perder”

“A maior dificuldade dos miúdos hoje em dia é saber perder”

Clube Académico de Desportos é o único da Póvoa de Santa Iria a formar tenistas. A secção de ténis do CAD tem já oito anos mas não pára de crescer. Actualmente mais de 70 atletas aprendem a jogar ténis, alguns de forma competitiva, outros apenas por lazer. O responsável técnico diz que os pais precisam de desenvolver uma cultura de competição que permita aos filhos tornarem-se atletas de alto rendimento.

Edição de 04.08.2016 | Desporto

A cultura de competição ainda não está desenvolvida no concelho de Vila Franca de Xira e o primeiro passo para mudar essa mentalidade começa nos pais dos jovens que actualmente praticam desporto. A opinião é de Dário Matias, treinador da secção de ténis do Clube Académico de Desportos (CAD) da Póvoa de Santa Iria, o único clube da cidade a formar tenistas e um dos dois clubes que existem em todo o concelho a ensinar ténis.

“Ainda não há uma cultura desportiva de competição por parte dos pais, uma vontade de fazer dos filhos atletas de alto rendimento, porque isso implica muitas horas de treino por dia e a maioria tem os filhos em diferentes actividades além do desporto. Dividem o dia dos filhos em várias ocupações e depois eles não se especializam numa só”, lamenta o responsável. Actualmente treinam no CAD mais de 70 atletas e está em formação uma equipa federada de competição que tem produzido resultados nos últimos anos. “Para se formar um jogador de topo são necessárias no mínimo três horas de treino por dia durante dez anos. Muitos pais não estão disponíveis para isso”, lamenta.
O ténis é um desporto duro, muito exigente fisicamente e mentalmente e por isso nem todos os jovens estão capazes de jogar. “A maior dificuldade dos miúdos hoje em dia é saber perder. Vivemos numa era em que têm tudo fácil, as vitórias são tão fáceis que quando aparece a derrota essa é a sua maior dificuldade. E depois há as expectativas dos pais, querem só campeões e jogadores de topo e esquecem-se que isso exige muito empenho. Os miúdos não são preparados para perder na vida, só são preparados para ganhar: serem o melhor da turma, da ginástica, da natação. Mas saber perder é importante e dá-lhes reflexos para a vida também”, refere.
Criada há oito anos, a secção de ténis do CAD não tem parado de crescer e os dois campos municipais da Quinta da Piedade onde desenvolve a sua actividade já não chegam para fazer um trabalho como desejariam, sobretudo ao nível da competição. “Precisávamos de ter mais um ou dois campos, isso seria o ideal, felizmente temos tido muita procura, de pessoas de todo o concelho e até de fora. No que toca à competição temos vindo a crescer, a nível federado temos tido sempre atletas a disputar as meias-finais de várias competições e já temos um atleta no top 20 nacional, que ocupa o 11º lugar. As coisas estão no bom caminho”, refere João Sequeira, responsável da secção a O MIRANTE.
O objectivo futuro da secção é continuar a melhorar resultados e a crescer como equipa. “O ténis é um desporto único com um carácter muito forte. Saber estar sozinho em campo, o poder de decisão e a força mental é o que o distingue face aos outros desportos. É um jogo muito duro mentalmente. Temos hoje três ou quatro miúdos com talento incrível e que, com muito trabalho e rigor, poderemos vir a torná-los em grandes jogadores. O tempo o dirá”, refere Dário Matias.
Na secção da Póvoa o treinador da parte mais social da modalidade, dos atletas que praticam ténis numa vertente de lazer, é Paulino Ferreira.

“A maior dificuldade dos miúdos hoje em dia é saber perder”

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