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Honestidade e empenho são fundamentais para fazer crescer um negócio

Honestidade e empenho são fundamentais para fazer crescer um negócio

Nuno Dias é um dos rostos da Auto Bigodes, empresa familiar do concelho de Vila Franca de Xira. É um homem que adora o que faz e vive permanentemente com a empresa no pensamento. Confessa-se viciado em trabalho. Não gosta de dizer que é o administrador mas sim um dos administrativos e recusa mordomias de patrão. A família é o seu grande amparo em todos os momentos e a sua maior força.

Edição de 24.08.2016 | Identidade Profissional

O segredo para o sucesso de uma empresa reside no empenhamento dos colaboradores e na honestidade, que é mais importante que o preço cobrado ao cliente. Quem o diz é Nuno Dias da empresa Auto Bigodes do Forte da Casa, um nome reconhecido não só no concelho de Vila Franca de Xira como em toda a região. Apesar de comandar os destinos da empresa não se vê como patrão e prefere que o tratem como administrativo. “O patrão é o meu pai, António Mota Dias, o homem que dá nome à empresa. Ainda hoje é ele que tem a última palavra em muitas decisões. Não me vejo acima dos que me rodeiam, dispenso essas vaidades, sou um administrativo”, revela.
As pedras basilares do negócio são a honestidade e a frontalidade para com os clientes. “Às vezes em vez de fazer um serviço prefiro ajudar o cliente a resolver o problema de uma outra forma e ele fica agradado, lembra-se do nosso nome e no futuro volta a contactar-nos. Sentiu que não estávamos só interessados em fazer o serviço e ir buscar o dinheiro. Cada vez mais as empresas têm de ter argumentos para se distinguirem da concorrência que é muita, cada vez mais o preço não é tudo, é preciso outra atenção, outra confiança”, explica a O MIRANTE.
Nuno Dias tem 40 anos e nasceu em Lisboa. Viveu a infância no Forte da Casa e completou estudos na secundária Alves Redol em Vila Franca de Xira. Actualmente vive na Póvoa de Santa Iria mas confessa que só vai a casa dormir. “Trabalho de 16 a 18 horas por dia aqui na empresa no Forte da Casa”, conta. Na escola era bom aluno e gostava de mexer com números, folhas de cálculo e contabilidade. “Tive pequenas experiências de trabalho mas sem muita importância, aos poucos fui crescendo com a empresa dos meus pais e fui ajudando-a a crescer, a dada altura optei por ficar aqui a trabalhar”, conta. Nuno Dias confessa que sempre gostou do trabalho, já conduziu táxis e algumas vezes os reboques da empresa mas com o tempo foi-se virando para a parte mais administrativa do serviço. “Tenho dias em que chego ao final do dia e estou cansado sem ter adiantado serviço. Apago os fogos todos, atendo bastantes chamadas todos os dias de clientes, fornecedores e falo com os motoristas. Sento-me na secretária ao fim do dia e o monte de papéis que tinha de manhã continua lá. O ritmo é frenético. Ainda tenho idade e pedalada para aguentar mas cada vez menos, sou casado e tenho dois filhos, um com 12 anos e outro com 15. Eles dão-me bastante apoio e são a minha força”, refere.
Para Nuno Dias a ajuda da família é essencial para o seu trabalho ter sucesso. Confessa-se uma pessoa viciada em trabalho que não consegue deixar os desafios da empresa mesmo quando vai dormir. “Acordo muitas vezes durante a noite a pensar no que tenho de fazer no dia seguinte. É melhor ser empregado do que patrão. As pessoas que são empregadas e todos os meses recebem ordenado, hoje em dia, pode considerar-se um luxo, porque há muitas dificuldades, muitas empresas que pagam mal e outras nem pagam. Tenho um ordenado normal como outro empregado qualquer. Se a pessoa ganhar o ordenado mínimo não está satisfeita. Aqui ninguém ganha o ordenado mínimo. Não é fácil pagar acima com aquilo que recebemos mas é um esforço que fazemos”, nota.
A Auto Bigodes nasceu em 1983 quando António Mota Dias - homem de volumoso bigode - comprou um táxi para prestar serviço na Póvoa de Santa Iria. Antigamente não havia os transportes públicos que há actualmente e muitas pessoas precisavam de transporte para as empresas da zona, sobretudo nos diferentes turnos. O negócio foi crescendo e um segundo táxi foi adquirido para prestar serviço em Santa Iria da Azóia. António Dias alargou a sua área de intervenção às assistências em viagem, em 1986, quando a Auto Bigodes adquiriu o seu primeiro reboque. A partir daí foi sempre a crescer até aos dias de hoje, com a empresa a ter 40 empregados, 42 viaturas e 12 táxis, incluindo dois táxis para pessoas com mobilidade reduzida. A empresa presta também serviços na limpeza e desobstrução de vias em caso de acidentes e no transporte nacional de automóveis.
“Gosto do que faço. Passo noites sem dormir a pensar no dia a seguir mas depois quando entro aqui tudo isso passa. Gosto da adrenalina do dia e de lidar com o público e conversar com os clientes e fornecedores. Quando andava com o táxi era também disso que gostava, conversar com as pessoas”, regista. Nuno Dias lamenta que o concelho de Vila Franca de Xira esteja inserido na Área Metropolitana de Lisboa e, por isso, não tenha acesso aos mesmos fundos comunitários de desenvolvimento empresarial que outros concelhos vizinhos, como Arruda dos Vinhos, beneficiam. “Há apoios às empresas e à modernização que nós, por estarmos nesta zona, não temos. Não faz sentido porque é aqui que vive mais gente e onde o custo de vida é mais elevado que no resto do país”, conclui.

Honestidade e empenho são fundamentais para fazer crescer um negócio

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