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Jovem da Golegã participa na maior feira de arte de Inglaterra

Jovem da Golegã participa na maior feira de arte de Inglaterra

Mariana Sampaio foi a escolhida pelo público entre 800 criadores de todo o mundo para um evento destinado a artistas independentes.

Edição de 05.10.2016 | Cultura e Lazer

Mariana Sampaio foi escolhida entre 800 artistas de todo o mundo para participar na Art Rooms, considerada a maior feira de arte de Inglaterra para artistas independentes. A exposição vai decorrer em Londres em Janeiro do próximo ano. A jovem artista, de 25 anos, natural da Golegã, foi a escolhida pelo público que votou através da Internet. Ao todo vão participar 76 artistas: 70 foram seleccionados pelo comité do júri, três através de um site de arte inglês, quatro foram escolhidos por uma entidade ligada ao mundo das artes e um foi escolhido pelo público, que votou em massa em Mariana Sampaio.
A jovem explica a O MIRANTE que ficou espantada quando percebeu que tinha tantos ‘likes’ no seu nome. “Não estava com muita fé, até porque um artista inglês já ia com mais de 900 votos, mas comecei a apelar ao voto no facebook. Uns dias depois vou à Internet e percebi que já tinham criado um grupo de apoio nessa rede social. A Golegã e as Caldas da Rainha, onde moro, mobilizaram-se em peso e a minha votação disparou. Agradeço muito a todos os que votaram em mim porque se não fossem eles não tinha conseguido ganhar”, afirma a artista que conseguiu arrecadar 4158 votos.
Mariana acredita que o facto de a Golegã ser um meio pequeno e as Caldas da Rainha também ser uma pequena cidade ajudou à mobilização. “Na Golegã não votaram na Mariana, votaram na filha da Eduarda do café”, afirma entre risos. A jovem considera que a participação nesta feira de arte em Inglaterra, que é um dos mercados de arte mais importantes do mundo, lhe vai trazer novas experiências e oportunidades e a valorização do seu trabalho artístico.
“Vou estar presente durante os três dias do evento. Não ganho dinheiro por participar mas vou conhecer curadores e galeristas que é o mais importante”, diz. Além disso, vai assinar contrato com a Art Rooms que em 2017 vão ser os seus galeristas e promover o seu trabalho em Inglaterra.
Mariana Sampaio já escolheu o trabalho que vai apresentar durante o certame. Os artistas participantes vão ter, cada um, um quarto de hotel só para si e é lá que vão ter que colocar a sua obra de arte. O desafio é não estragar nada nem retirar nenhuma peça de dentro do quarto e a obra de arte tem que fazer sentido dentro do espaço.
“É importante participarmos em prémios e concursos porque conhecemos pessoas do meio artístico, damos a conhecer o nosso trabalho e crescem as possibilidades de fazermos mais exposições no estrangeiro. Este é um meio em que o mais importante é sermos conhecidos, sobretudo no estrangeiro. Infelizmente, o artista português tem que ter primeiro reconhecimento lá fora para começarem a olhar para nós no nosso próprio país”, confessa. Existe a possibilidade de ter peças artísticas da sua autoria em Nova Iorque (Estados Unidos da América) e no Canadá.

As tardes a desenhar com o mestre Martins Correia

Desde criança que Mariana Sampaio sabia o que queria ser quando fosse grande. “No infantário já desenhava e sempre tive muito jeito. Os desenhos que fazia não eram normais para a minha idade e já desenhava em perspectiva. Desde criança que digo que quero ser pintora”, conta.
Apesar de jovem chegou a conhecer o mestre Martins Correia, que também nasceu e viveu na Golegã. “Quando tinha uns sete anos passava longas tardes em frente ao Café Central a desenhar com ele. Ainda consegui aprender um bocadinho com ele. É uma referência para mim e é um orgulho enorme poder dizer que convivi com ele e que é meu conterrâneo. Admiro muito as suas obras de arte”, afirma.
Os móveis e as paredes de casa dos pais é que sofreram mais com essa vocação da jovem para as artes. Apesar de conciliar o seu trabalho artístico com o trabalho numa galeria de arte, perto das Caldas da Rainha, onde vive há cerca de sete anos, Mariana considera que é possível viver só da arte em Portugal.
“Actualmente, existem outras cidades a crescer muito em termos artísticos e as Caldas da Rainha é uma dessas cidades. Tem que se lutar muito, não podemos desistir, mesmo nos momentos de falta de inspiração temos que acreditar sempre no nosso valor e que vamos conseguir alcançar os nossos objectivos. Participar em exposições e concursos é o mais importante de tudo. Ser artista não é estar só fechado no ateliê a produzir. Um artista tem que ser polivalente, tem que correr atrás das coisas e dar nas vistas”, sublinha.
Licenciada em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, fez um ano do Programa Erasmus em Inglaterra. Gostou da experiência pelo contacto com outras culturas que influenciaram o desenvolvimento do seu trabalho. No entanto, prefere viver em Portugal.

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