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Sol e um feriado a favor da Feira de Outubro

Sol e um feriado a favor da Feira de Outubro

Na feira anual de Vila Franca de Xira vende-se de tudo um pouco. Muitos feirantes já ali montam banca há décadas e conhecem de ginjeira as manhas dos fregueses. Os primeiros dias são para ver e é nos últimos que se faz mais negócio.

Edição de 05.10.2016 | Cultura e Lazer

Este ano, a República e o São Pedro são aliados de peso da Feira Centenária de Vila Franca de Xira. O dia 5 de Outubro volta a ser feriado e o bom tempo traz mais visitantes. Mas é nos últimos dias que mais se abrem os cordões à bolsa, garantem os mais antigos vendedores do certame.
Alberto Pereira é “o homem da loiça”, que é o mesmo que dizer que vende desde cães, bibelôs, terrinas, pratos e as mais diversas figuras no mesmo material. Tem 70 anos e há 60 que vende na feira. Júlia Guerreiro é a segunda mulher e também já aprendeu os ossos do ofício. Alberto, de longe, não a deixa perder uma cliente: “Essa peça é 15 euros, mas faz a 12 euros e meio à senhora”. Entretanto, sussurra a O MIRANTE: “É para ver se se vende alguma coisa”.
A cliente acabaria por não levar a travessa de barro e Alberto encolhe os ombros. “Agora o que se vende são as peças mais miúdas. A um, dois ou três euros. Tenho aí peças a 35 e a 40 euros, mas são difíceis de sair”, lamenta. Está sempre a fazer contas. Afinal, o espaço que arrenda na feira custa-lhe, por dez dias, 700 euros, e ainda tem de pagar o quarto onde dorme com a esposa, durante o mesmo período. O casal vive no Barreiro e não falha uma feira em Vila Franca de Xira. “Já o meu pai era feirante e o negócio é de família”, conta.
Olhando para as centenas de peças minúsculas, perguntamos quanto tempo demora a guardar tudo e a seguir viagem para mais uma feira. Mas Alberto tem os dedos ágeis e a experiência acumulada de mais de meio século: “Demoro mais tempo a montar o toldo”, confessa. Queixas da feira não tem: “Está tudo muito melhor. Há mais policiamento, o recinto está bom, só acho que os chuveiros poderiam estar mais perto dos feirantes [estão no interior do Pavilhão Multiusos, ao fundo do recinto]. De resto, só lamenta a falta de dinheiro. “As pessoas gostam muito de ver, mas comprar...”.
De costas para a tenda de Alberto Pereira, está a de Mário Silva, 57 anos. Vende peças em madeira: desde mesas e bancos a caixas de música, colheres de pau - pequenas e gigantes -, bonecos de corda, cavalinhos de balouço. É quase uma viagem ao passado. Mário garante que vende na feira desde bebé: “Já vinha com os meus pais e a minha mãe só cá não está hoje, porque partiu um pé”.
Apesar de já ter 82 anos, a matriarca da família não gosta de faltar à feira de Vila Franca de Xira. Em seu lugar, veio a tia de Mário: Dália Martins, de 73 anos e um sorriso que convida os visitantes a pararem no stand “da madeira”, como é conhecido. Também aqui o negócio é de família: passou dos bisavós para os avós de Mário e destes para os seus pais. Agora, é a ele quem cabe a tarefa de não deixar morrer a tradição. Frequenta todas as feiras de artesanato. Aqui, dorme numa cama improvisada dentro do stand. Usa os chuveiros que a feira disponibiliza e a sua boa disposição tem muito de sabedoria: “Vendo colheres de pau porque, ao contrário do que as pessoas pensam, não foram proibidas pela ASAE. Têm é de estar em boas condições nos restaurantes, não podem apresentar rachaduras, por exemplo”.
Com tantos anos de feirante em VFX, Mário conhece as manhas do certame. “Nos primeiros dias as pessoas vêm para ver e nos últimos é que compram. O bom tempo também ajuda e como este ano temos de volta o feriado de 5 de Outubro, estamos todos confiantes que é nesse dia que vamos vender muito”, explicou o homem que até já ofereceu, numa das feiras em que vende, uma galinha em madeira a Pedro Passos Coelho: “Não tinha coelhos em madeira”, contou, com um sorriso rasgado.
A confirmar as palavras de Mário Silva, durante a semana e à tarde, não são muitos os visitantes que carregam sacos com compras. Há quem tenha vindo para ver os stands e a exposição de artesanato, mas sobretudo pelo evento dessa noite: a espera de toiros, que se vai repetindo ao longo da feira. O casal Joaquim Januário e Gina Sousa vieram propositadamente das Caldas da Rainha para visitar a feira. Chegaram cedo, pouco depois de almoço, e vão esperar pelo espectáculo taurino, mesmo que nessa noite até houvesse uma aula livre de Zumba. A dança do touro é o que mais os atrai.

Mais visitantes do que em 2015

A Feira Centenária de Vila Franca de Xira começou na sexta-feira (30 de Setembro) e o primeiro fim-de-semana mostrou logo sinais positivos: “Houve pelo menos mais um terço dos visitantes do que no ano anterior”, segundo Felicidade Barros, vogal da comissão coordenadora da feira. As grandes novidades este ano são a tenda que cobre as tasquinhas, para proteger do sol e da chuva, e ainda a remoção de um dos bares - são agora dois os que existem dentro do recinto - o que agradou muito às famílias. Em seu lugar, há agora mais um divertimento infantil e terminou a habitual algazarra que costumava acontecer junto ao bar extinto. Há ainda à venda, na feira, dois produtos novos: uma tenda com fruta desidratada - tão em voga por estes dias - e um espaço que vende peles.

Sol e um feriado a favor da Feira de Outubro

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