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Antes de ter bons alunos a escola deve preocupar-se em ter alunos criativos

Antes de ter bons alunos a escola deve preocupar-se em ter alunos criativos

Ricardo Formigo está a começar o seu percurso universitário e arriscou publicar agora a sua primeira história. O jovem de Trancoso diz que a forma como a escola formata os jovens lhes estrangula a criatividade e defende que seja criada uma disciplina de escrita criativa.

Edição de 05.10.2016 | Sociedade

A criatividade é fundamental para a aprendizagem mas a forma formatada como a escola funciona limita essa criatividade. Antes de ter bons alunos a escola devia preocupar-se em ter alunos criativos, com capacidade e espírito crítico. A opinião é de Ricardo Formigo, 18 anos, natural e residente em Trancoso, São João dos Montes, concelho de Vila Franca de Xira, que lançou recentemente o seu primeiro livro.
“A escola deve preocupar-se em ter alunos criativos. Hoje em dia é tudo muito formatado, é a velha metáfora do macaco e do peixe. São animais diferentes mas se o professor lhes disser que a avaliação passa por ambos subirem a uma árvore, é óbvio que um deles não vai conseguir. Era preciso estimular e perceber o que cada um tem de melhor”, defende a O MIRANTE.
Ricardo é um rapaz que gosta de ler e escrever numa idade em que, por norma, os jovens são mais facilmente atraídos pelo imediatismo da televisão, jogos e das redes sociais. “Os jovens não estão desligados da leitura, mas ainda há algum receio, algum estigma, se algum for visto a ir a uma biblioteca. O receio de ser um nerd (cromo). Para mim é essencial que fossem criadas aulas de escrita criativa nas escolas. Em qualquer emprego ou curso as pessoas têm de aprender a escrever e saber comunicar. Era uma excelente aposta. Até para acabar com esse preconceito de que os jovens não fazem nada”, nota.
O jovem, que não era um aluno brilhante, admite que nas escolas “não se lê o suficiente” e confessa que nunca acabou de ler “Os Maias” de Eça nem o “Memorial do Convento” de Saramago. A culpa, diz, é da própria escola, que disseca a história depressa demais para a velocidade com que os jovens a conseguem ler. “Se me contam o final do livro ao fim de uma semana eu perco a vontade de o ler. Nas escolas somos formatados para decorar as respostas em vez de nos fazerem questões que apelem ao nosso espírito crítico”, lamenta.

Entre heróis e vilões
Ricardo acabou recentemente o 12º ano na Escola Secundária Gago Coutinho em Alverca e candidatou-se à Faculdade de Letras de Lisboa para o curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Desde a infância que devora livros e o vício aumentou com a chegada da biblioteca itinerante da Câmara de Vila Franca de Xira, o Bibliomóvel, que lhe deu a conhecer muitas obras e sobretudo os trabalhos de JK Rowling, uma das suas fontes de inspiração, quando ainda andava na escola básica. Ao longo dos anos devorou tudo o que eram obras de fantasia, como “O Senhor dos Anéis”, as “Crónicas de Narnia” e as “Crónicas de Gelo e Fogo” (mais conhecidas por Guerra dos Tronos). Actualmente está a ler a “Nossa Senhora de Paris”, de Victor Hugo.
Aos 12 anos decidiu passar para o papel uma ideia e nasceu “Reunião de Heróis”, uma história sobre os habitantes de uma terra chamada Morlômbia que tentam sobreviver aos invasores Ingols. Há batalhas, sangue, um rei tirano, uma princesa em apuros e uma guerra civil à espreita. Ricardo escreve à mão e só depois passa o trabalho para o computador. Está a finalizar o segundo livro - de cinco - e espera editá-lo no próximo ano.

Antes de ter bons alunos a escola deve preocupar-se em ter alunos criativos

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