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24/07/2017
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Rivalidade entre os dois grupos de forcados da Chamusca é só nas arenas
Cabos dos Amadores e do Aposento garantem que cá fora dão-se todos bem. Os dois grupos de forcados da Chamusca – Amadores e Aposento - encontraram-se no Campo Pequeno na noite da corrida de O MIRANTE, jornal que nasceu há 30 anos nessa vila ribatejana. Um momento que agradou aos dois grupos. Segundo os seus cabos, a salutar rivalidade resume-se às arenas, porque fora disso são todos amigos.
Edição de 06.07.2017 | Cultura e Lazer

Nuno Marecos, cabo dos Forcados Amadores da Chamusca, disse ser uma boa sensação estar na mesma corrida com os seus rivais do Aposento (nota da redacção - também actuou o Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo, de Benavente). “Ainda há pouco estávamos a falar disso, da rivalidade entre os dois grupos. Acaba por ser uma rivalidade sã. O Grupo de Forcados Amadores é o mais antigo da Chamusca, depois apareceu o Aposento. São dois grupos muito acarinhados pelas pessoas da Chamusca e essa rivalidade só existe em praça porque temos bons amigos de parte a parte. Damo-nos todos bem mas isto aqui é trabalho”, diz.
Na mesma linha opina Pedro Coelho dos Reis, cabo do Aposento da Chamusca: “É com muito gosto que pegamos pela primeira vez na corrida de O MIRANTE, um jornal com muita expressão no Ribatejo, e estamos contentes por pegar com o grupo de Forcados Amadores da Chamusca, onde temos muitos amigos com quem nos damos lindamente. Em praça é que temos de andar para a frente. Cá fora somos todos amigos e temos de manter o espírito de forcado”.

Entreajuda e amizade são fundamentais
E o que passa pela cabeça de um forcado quando está, literalmente, nos cornos do toiro? Nuno Marecos responde assim: “Há momentos em que passa tudo e há momentos em que não passa nada. Há momentos em que só pensamos em pegar o toiro, em fazer o nosso trabalho como deve ser e fazer com que as coisas resultem. Estar aqui a caracterizar o momento torna-se difícil. A tauromaquia é um mundo de emoções e as emoções alteram-se consoante o toiro e consoante a pega”.
Pedro Coelho dos Reis destaca o espírito de companheirismo, imprescindível para a missão ter sucesso. “Na altura que estamos em praça e somos escolhidos damos o nosso melhor para ajudar todos os companheiros. Porque só com este espírito de amizade e muito gosto pelo toiro bravo nos conseguimos superar e fazer coisas que, muitas vezes, só sonhávamos: a valentia, a arte, aliadas a muito companheirismo”, diz.

“Custa muito mais estar cá fora”
Um cabo é uma espécie de orientador e gestor de recursos humanos que muitas vezes também entra em campo. E os cabos dos dois grupos da Chamusca são daqueles que gostam mais de estar no calor da acção, junto dos seus homens, do que ficar a torcer por fora. “Sinceramente, prefiro ir lá para dentro. Enquanto cabo, também sou forcado. Gosto de pegar, gosto de ajudar e enquanto achar que não estou a passar por cima de nenhum elemento do grupo e que estou capaz de ir lá dentro assim o farei”, afirma Pedro Coelho dos Reis.
Nuno Marecos alinha com o colega: “Na qualidade de cabo custa muito mais estar cá fora. Estamos a sofrer pelos outros oito elementos que estão lá dentro, queremos que as coisas corram bem, que ninguém se aleije. Estamos sempre a pensar em tudo e mais alguma coisa mas estamos principalmente a pensar nos elementos que estão lá dentro com a jaqueta do grupo. É isso que nos preocupa e é isso que tem peso”.

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