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Carta Educativa de VFX apresenta “muitas lacunas” nos dados sobre alunos com deficiência
Alerta. Abandono escolar é mais elevado entre pessoas com deficiência, alertam as diferentes entidades

Carta Educativa de VFX apresenta “muitas lacunas” nos dados sobre alunos com deficiência

A primeira tertúlia “Mithós a Ler”, da Associação Mithós – Histórias Exemplares, em Vila Franca de Xira, focou-se no tema da educação e no que ainda falta à Carta Educativa para transparecer a realidade das pessoas portadoras de deficiência.

Edição de 06.07.2017 | Sociedade

A associação Mithós – Histórias Exemplares vai promover uma série de tertúlias para debater temas relacionados com a realidade das pessoas portadoras de deficiência. A primeira conversa aconteceu no dia 28 de Junho, no Ateneu Artístico Vilafranquense, em Vila Franca de Xira, e o tema em destaque foi o da educação. “Como é que podemos ajudar as pessoas com deficiência se não sabemos quem elas são e onde estão?”, foi a principal questão levantada após a análise da Carta Educativa do concelho de Vila Franca de Xira.
A questão, apresentada por Fátima Paulo, da Associação Contramão, promotora dos direitos da pessoa com deficiência, traduz o principal problema da versão actual da Carta Educativa: não há dados concretos e abrangentes o suficiente sobre as pessoas com deficiência no concelho de Vila Franca de Xira, quer porque nem todas estão sinalizadas, quer porque não se consideram, ou os seus encarregados de educação não as consideram, portadoras de nenhuma deficiência.
Ainda assim, entre os Censos de 2011 e os dados de 2013, o número de crianças com deficiência aumentou. Porém, Fátima Paulo avisa que esta variação pode dar-se por terem sido sinalizadas mais crianças e não por terem passado a nascer mais crianças com deficiência, já que os métodos de sinalização melhoraram. Ainda assim, “é possível que ainda haja crianças com deficiência que não estão sinalizadas e que os números apresentados não correspondam à realidade”.

Nem todas as pessoas são iguais nem podem ser
Uma das reivindicações das várias oradoras e instituições presentes na tertúlia, onde se incluíram a Pais em Rede e a Laredo – Instituição Cultural, bem como professoras, encarregados de educação e pessoas com deficiência, foi a de que não pode haver o mesmo método de aprendizagem e ensino para todos.
“As pessoas com deficiência não são iguais nem podem ser, por isso não se lhes pode pedir o mesmo que se pede aos outros”, defendeu a professora Júlia Pimentel, da Pais em Rede, esclarecendo que o problema não pode ser colocado nas pessoas com deficiência mas nas condições do ensino e nas acessibilidades ao mesmo.
Outro dado alarmante é o do abandono escolar na comunidade das pessoas com deficiência. Segundo os dados que vão ser usados para reformular a Carta Educativa, a taxa de abandono entre as pessoas com deficiência é muito superior à das que não a têm. “É preciso averiguar que medidas estão a ser tomadas para estas crianças permanecerem na escola. Pensa-se que quando termina o ensino obrigatório a pessoa não deve prosseguir os estudos ou não vai conseguir e esta realidade tem de mudar. Toda a gente tem de ter as mesmas oportunidades de futuro”, defendeu Júlia Pimentel.
“Felizmente, ainda não há entre nós a cultura da reivindicação dos direitos, porque só podemos reivindicá-los se os conhecermos. É por isso que estamos a promover esta e outras tertúlias, para que estes temas importantes sejam debatidos e conhecidos de todos, para que as pessoas com deficiência conheçam os seus direitos e possam usufruir deles”, esclareceu Manuela Ralha, presidente da Mithós.

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