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Há cada vez mais jovens com sintomas de stress em Alverca
Rui Domingos é psicólogo clínico

Há cada vez mais jovens com sintomas de stress em Alverca

São sinais “alarmantes”: os casos de stress em jovens com idades entre os 13 e os 15 anos estão a aumentar no consultório de Rui Domingos, psicólogo clínico do centro de saúde da cidade.

Edição de 16.11.2017 | Sociedade

O número de jovens com sintomas de stress está a aumentar no Centro de Saúde de Alverca e a perspectiva é de que os números se mantenham elevados. Essa é a sensibilidade de Rui Domingos, psicólogo clínico daquela unidade de saúde, que no seu consultório tem atendido cada vez mais jovens com crises de pânico e ansiedade. “Sinto nas consultas um aumento dos casos de stress na globalidade mas mais preocupante ainda são as faixas etárias atingidas. Cada vez há mais jovens com sintomas alarmantes e muito preocupantes. Jovens de 13 e 15 anos a terem ataques de pânico e ansiedade porque não se sentem capazes, assoberbados por um conjunto de estímulos aos quais muitos não têm competência para dar resposta”, explica o clínico.
A melhor forma dos pais prevenirem os sintomas de stress - que em adultos e jovens pode ter como consequência final a depressão, aumento da pressão arterial ou esgotamento – passa por promover desde a infância a adopção de estilos de vida saudável. “Os jovens precisam de fazer exercício físico, têm de voltar para a rua, brincar, não podem passar horas à frente dos ecrãs. Dessa forma não socializam, fecham-se e vivem num mundo virtual que não é real. E depois quando saem para o mundo real não têm competências para o enfrentar”, nota.
Rui Domingos é natural de Lisboa mas vive em Alverca há duas décadas. No dia aberto dos centros de saúde, promovido na terça-feira, 14 de Novembro (ver caixa), promoveu um workshop sobre gestão do stress. “O objectivo é sensibilizar as pessoas para o que é o stress, as suas manifestações, fontes e o que cada um pode fazer para melhorar a sua qualidade de vida, gerindo melhor as pressões da sociedade actual e os seus estímulos externos. Sistematicamente somos bombardeados com estímulos e o stress aparece por causa disso, sentimo-nos inseguros e incapazes de dar resposta a tudo o que nos é proposto. Gerir o stress é ter consciência de que não se pode fazer tudo e tomar decisões mais acertadas que permitam uma melhor qualidade de vida”, explica.
Praticar exercício físico, relativizar as tarefas e desafios, conhecer os limites do corpo e parar por muito que custe e não ter vergonha de falar e pedir ajuda são alguns truques para lidar com o stress. “Estamos numa sociedade em que as pessoas se estão a esquecer que precisam de momentos para si. O nosso corpo é uma máquina fabulosa mas tem limites. E nós sistematicamente vamos além desses limites”, nota.
O clínico avisa que o primeiro sinal de alarme é a sensação de incapacidade no trabalho, por exemplo. O corpo vai tendo mais dificuldade em cumprir com as responsabilidades e começa a falhar. “A pessoa tem noção disso e começa a deprimir. E depois é tudo uma bola de neve em que se afunda ainda mais”, conclui.

Um dia aberto à comunidade

Caminhadas, zumba, sessões de relaxamento, exercícios na sala de espera, rastreios e workshops foram algumas das iniciativas promovidas no “dia aberto dos centros de saúde” da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Uma iniciativa que mobilizou dezenas de pessoas e que teve o objectivo de sensibilizar para a importância de hábitos de vida saudável, como a prática de exercício físico e alimentação correcta. Em Alverca, a Câmara de Vila Franca de Xira, através da sua divisão de desporto, associou-se à iniciativa.

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