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Condutora que atropelou mortalmente peregrino obrigada a entregar carta de condução
Ângela Abreu tem 26 anos. O tribunal tirou-lhe a carta de condução e proibiu-a de contactar com toxicodependentes

Condutora que atropelou mortalmente peregrino obrigada a entregar carta de condução

Arguida fica em liberdade mas não pode ausentar-se da sua localidade nem contactar com toxicodependentes

Edição de 24.05.2018 | Sociedade

A condutora do veículo que atropelou seis peregrinos, tendo provocado a morte de um deles, está “fortemente indiciada” dos crimes de homicídio negligente, condução perigosa, omissão de auxílio e cinco crimes de ofensas à integridade física por negligência, mas fica a aguardar julgamento em liberdade. O juiz de instrução criminal de Santarém, após o primeiro interrogatório, considerou suficiente aplicar-lhe as medidas de coacção de apresentação semanal às autoridades e proibição de se ausentar da povoação onde reside, excepto para ir trabalhar ou ao médico e tratamentos. Fica ainda proibida de contactar com toxicodependentes e tem de entregar a carta de condução e sujeitar-se a tratamentos psiquiátricos.
Ângela Abreu, de 26 anos, residente numa aldeia do concelho de Torres Novas, seguia na Estrada Nacional 365, em Moitas Venda, concelho de Alcanena, às cinco da manhã, ao volante de um Seat Ibiza, quando abalroou o grupo de peregrinos e seguiu viagem. No embate morreu o professor Álvaro Mayer, de 59 anos, natural e residente em Muge, concelho de Salvaterra de Magos, que dava aulas na Escola Secundária de Coruche.
A arguida pertenceu ao quadro operacional dos Bombeiros Voluntários Torrejanos até há cerca de dois anos e “enquanto operacional cumpriu sempre os objectivos que lhe foram propostos”, referiu a O MIRANTE
o comandante José Carlos Sénica. Ângela encontra-se agora no quadro de reserva que tem cerca de meia centena de bombeiros. “O que lhe aconteceu podia ter acontecido a qualquer um, ninguém está livre de acidentes, agora sobre o que aconteceu depois não tenho explicação”, comentou o comandante, não querendo prestar mais declarações sobre o assunto. Ângela Abreu está actualmente desempregada.

Vítima mortal foi candidato à Junta de Muge
O grupo de peregrinos deslocava-se todos os anos a Fátima e escolhia os dias seguintes ao 13 de Maio por ser mais uma altura mais calma. A vítima mortal já tinha sido director do Centro de Emprego de Salvaterra de Magos e deixa dois filhos menores. “Era uma pessoa muito bem vista, completamente integrada na comunidade e chegou a ser candidato à Junta de Freguesia de Muge pelo PSD”, conta o presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio a O MIRANTE. O autarca diz que via muitas vezes Álvaro Mayer nos jogos de andebol porque os filhos de ambos jogavam na mesma equipa. O funeral realizou-se na terça-feira, 22 de Maio, em Muge.
A mulher de Álvaro Mayer foi a única do grupo que saiu ilesa. Ana Elvira Batista, que foi candidata à Junta de Muge, pelo PS, nas últimas autárquicas, seguia no carro de apoio e não deu pelo acidente no momento, uma vez que estava uns quilómetros mais à frente à espera do grupo. Ana pertence à comissão administrativa da Casa do Povo de Muge e está ligada à comissão da igreja. O grupo de seis peregrinos, com idades entre os 20 e os 65 anos, todos de Muge, tinha pernoitado no quartel dos Bombeiros de Alcanena.
A vítima mais grave, inicialmente transportada para o Hospital de Santo André, em Leiria, acabou por ser transferida em “estado crítico” para Coimbra, onde continua internada. Outras três vítimas continuam internadas no Hospital de Santarém.

Condutora que atropelou mortalmente peregrino obrigada a entregar carta de condução

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