uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Violência e roubos na Carregueira alarmam população
Daniela Ferreira

Violência e roubos na Carregueira alarmam população

Assembleia de freguesia aprova moção onde pede soluções para combate à criminalidade. Autarcas dizem que os assaltos e agressões sucedem-se mas a a maior parte das vítimas não apresenta queixa com medo de represálias. GNR da Chamusca diz que só recebeu uma queixa.

Edição de 19.09.2018 | Sociedade

António Dias ainda se encontra a recuperar de um traumatismo craniano após ter sido agredido em plena rua na Carregueira, concelho da Chamusca. Esse é um dos últimos casos de violência que se têm registado na pacata aldeia e que tem feito aumentar o sentimento de insegurança entre a população, devido ao elevado número de roubos e agressões físicas e verbais, principalmente à população mais velha.
O caso envolvendo António Dias ocorreu no final do dia 29 de Agosto, durante o intervalo do jogo de futebol entre o Benfica e o PAOK para a Liga dos Campeões. O mecânico, de 62 anos, jantou em casa e decidiu ir ao café, perto da sua residência, para ver o resto da primeira parte do jogo e beber o seu café.
Foi já no regresso a casa, durante o intervalo do jogo, que o agressor, um jovem residente na Carregueira, o interceptou. “Eu ia no passeio quando, de repente, vejo alguém a travar a bicicleta em cima de mim e dar-me um pontapé nas costas”, conta António Dias a O MIRANTE, adiantando que só se lembra de cair desamparado e bater com a cabeça no chão.
“O que valeu foi um condutor que passou àquela hora na estrada e parou para me auxiliar, senão não sei o que seria”, admite, recordando que foi nessa altura que o agressor se foi embora e o condutor chamou o socorro. António Dias ainda foi transportado para o Hospital de Santarém mas teve alta algumas horas depois. Posteriormente apresentou queixa na GNR da Chamusca.
A onda de criminalidade não tem passado despercebida aos autarcas locais e a Assembleia de Freguesia da Carregueira aprovou uma moção na passada semana onde reclama medidas e refere que a maior parte das vítimas não apresenta queixa às autoridades com medo de represálias.
A comandante do Posto da GNR da Chamusca, sargento Pereira, confirma a O MIRANTE que só houve uma queixa por parte da população e por isso não pode actuar directamente sobre eventuais infractores nem aumentar o número de patrulhas. Mas algumas pessoas com quem O MIRANTE falou na Carregueira dizem que o sentimento de insegurança é real.

Assaltos de dia e agressões na rua
“Neste momento tenho medo de sair de manhã para ir trabalhar, chegar a casa no final do dia e encontrar a minha casa assaltada”, confessa Daniela, 23 anos, recordando um caso que aconteceu recentemente. “Um casal amigo ausentou-se de casa e os larápios aproveitaram para a assaltarem em plena luz do dia sem que ninguém visse nada”, lembra.
Também Marco Simões partilha da mesma opinião. Apesar de ainda não ter sido alvo de assalto ou de agressões, o jovem de 23 anos consegue nomear uma série de episódios de violência de que pessoas conhecidas já foram alvo. Ainda há duas semanas, conta, “um amigo meu foi agredido no meio da rua e teve de ser assistido no Centro de Saúde da Chamusca”.
Amigos de longa data, Joaquim Portugal e Carlos Serrandário são a voz dos mais velhos, faixa etária que tem sido alvo preferencial dos prevaricadores. Com 62 e 64 anos, admitem que já evitam andar na rua sozinhos. Ainda há dias, adianta Carlos, “um familiar, estava a deslocar-se para casa quando, ao passar numa passadeira, o interpelaram e agrediram. Ele nem teve reacção”.

Autarca teme justiça popular
O presidente da Junta de Freguesia da Carregueira, Joel Marques, refere ao nosso jornal que a população não tem apresentado queixa e também não quer identificar o grupo de pessoas que tem causado esses distúrbios mas o O MIRANTE sabe que são três pessoas que vivem numa casa de habitação social pertencente à Câmara da Chamusca, que também tem conhecimento da situação mas ainda não actuou.
Joel Marques tem receio que a população faça justiça pelas próprias mãos devido à impaciência e aos danos causados. O autarca diz que este não é um problema de resolução política e tem de passar pelas forças de segurança e pela justiça, garantindo que enquanto representante da comunidade irá “bater a todas as portas para que seja reposta a paz, a tranquilidade e a segurança na freguesia”.

Marco Simões

Assembleia de freguesia quer respostas das autoridades

A Assembleia de Freguesia da Carregueira aprovou, no dia 4 de Setembro, uma moção em que manifesta a sua preocupação com o elevado número de casos de roubo e de agressões físicas e verbais que têm afectado a população da freguesia neste ano de 2018 e que “têm vindo a aumentar todos os dias”.
Os autarcas decidiram solicitar um reunião conjunta com a Câmara da Chamusca, comandante do Posto Territorial e Comando da GNR de Santarém no sentido de definir uma estratégia de combate à criminalidade e devolver o sentimento de segurança a toda a população. Na moção refere-se que a GNR da Chamusca confronta-se com uma evidente falta de meios humanos e materiais para fazer cumprir as suas atribuições num concelho com 746 km2 de área.
“O medo, a insegurança, a impotência, a injúria, a indignação fazem hoje parte do quotidiano daqueles que directamente foram e são vítimas. Todos, familiares e vizinhos sabem que, a continuar esta inoperância, são candidatos a próximas vítimas”, lê-se na moção.

Violência e roubos na Carregueira alarmam população

Mais Notícias

    A carregar...