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De lavar pratos num restaurante da Suíça a mestre de pizzas em Vialonga
As pizzas e frangos assados de Adriano Santos têm um sabor especial que lhes granjeou fama e muita procura por parte dos clientes

De lavar pratos num restaurante da Suíça a mestre de pizzas em Vialonga

Adriano Santos é um rosto conhecido naquela vila do concelho de Vila Franca de Xira. A famosa frase de que o segredo está na massa é mesmo verdade no que diz respeito às pizzas de Adriano Santos, sócio-gerente da Expresso Pizza de Vialonga, uma casa que começou a dar pequenos passos e hoje lidera o negócio na freguesia. À sua frente está um homem com um percurso de vida singular e de superação.

Edição de 08.11.2018 | Identidade Profissional

Não há truques para se conseguir ser um empresário de sucesso, apenas trabalho e vontade de dar o litro pelo serviço. Quem o diz é Adriano Santos, 67 anos, sócio-gerente da Expresso Pizza de Vialonga. Situada na rua Combatentes da Grande Guerra, a casa é conhecida por oferecer aos clientes algumas das melhores pizzas do concelho e uns frangos assados de fazer crescer água na boca. À frente do negócio está um homem que nunca virou os braços à adversidade e que gosta de trabalhar lado a lado com os empregados.
“Trabalho muito e tenho dias de chegar aqui às 04h30. De manhã, quando abro a porta já tenho mais de 100 frangos preparados para assar e as massas prontas para as pizzas. Aquela ideia do patrão nunca fazer nada comigo não pega. Para se ser empresário é preciso muita vontade de trabalhar, temos de engolir muitos sapos, ouvir muita coisa e saber responder, sermos simpáticos para os clientes. Fazer as coisas bem feitas, acima de tudo, é o mais importante. Não acredito que haja aqui grande segredo, é oferecer um produto de qualidade e em quantidade”, conta a O MIRANTE.
O percurso profissional de Adriano Santos remonta a Castro Daire, onde nasceu e onde trabalhou durante a infância para suportar a família. “Tive de trabalhar desde pequeno e nunca tive tempo para ser criança”, lamenta. Fez o serviço militar e voltou para acompanhar os últimos dias do pai, até ter decidido rumar a Lisboa em busca de uma vida melhor. “O meu maior medo era não encontrar trabalho”, recorda.
Acabou por conseguir emprego numa fábrica de madeiras, onde era responsável por prensar o material, passando pela Previdente, onde esteve na secção de parafusos. “Ambas viriam a fechar em pouco tempo, na Previdente trabalhávamos mais de 1.500 pessoas, era uma fábrica enorme e em poucos anos fechou”, lamenta.

A aventura na Suíça mudou-lhe a vida
Em 1984 teve uma oportunidade para ir trabalhar para a Suíça na área da restauração e não pensou duas vezes. Entrou para a cozinha e começou por lavar pratos e preparar saladas. Aos poucos foi-se chegando ao fogão e ao cozinheiro que, um dia, o tirou da lavagem e o meteu a confeccionar pratos. “Comecei a aprender por baixo, como toda a gente, e saí de lá a saber tomar conta de uma cozinha”, explica.
Com o tempo aprendeu sozinho a falar um pouco de alemão e italiano. Um dia, ao regressar a Portugal, comprou uma churrasqueira e arriscou por sua conta. “Escolhi Vialonga porque já cá morava. Antes de vir embora deram-me as receitas das massas que ainda hoje utilizo nas pizzas”, conta. Depois de ter tido uma churrasqueira na Póvoa de Santa Iria, em sociedade, decidiu abrir o seu próprio estabelecimento e comprou a churrasqueira que já existia na Rua Combatentes da Grande Guerra, em Vialonga, onde fixou o que é hoje a Expresso Pizza.
“Quando comprei esta casa ela estava falida. Comecei aqui eu e a minha mulher a meio tempo. Ao fim de três semanas tive de a meter a tempo inteiro. Ao fim de um mês meti mais uma empregada e foi sempre a subir até ter cinco motas a trabalhar com empregados, que fazem as entregas ao domicílio. Temos muito movimento”, explica Adriano Santos.
O segredo é a alma do negócio mas Adriano confessa que não é difícil: servir clientela. “Prefiro comprar produtos mais caros mas que têm um sabor muito melhor. Essa é uma das razões porque tenho a clientela que tenho”, explica.
Actualmente as entregas ao domicílio são feitas em Vialonga, Póvoa, Alverca e Tojal (Loures). “Parar não é bom para mim. Se tiver saúde quero continuar a trabalhar. Não sou eterno e não posso ficar cá toda a vida mas enquanto puder e tiver saúde quero continuar aqui”, conclui. E o palato dos clientes agradece.

De lavar pratos num restaurante da Suíça a mestre de pizzas em Vialonga

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