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Cerci Flor da Vida à beira da ruptura por falta de apoios
Carlos Neto diz que está a correr uma luta para a instituição

Cerci Flor da Vida à beira da ruptura por falta de apoios

Associação do concelho de Azambuja enfrenta grandes dificuldades financeiras. Os apoios estatais à instituição não são aumentados há vários anos e há funcionários com salários e subsídios de férias em atraso. O presidente da direcção, Carlos Neto, diz que estão a ser feitos cortes nas despesas.

Edição de 14.11.2018 | Sociedade

A Cerci Flor da Vida, instituição de Azambuja dedicada a apoiar pessoas portadoras de deficiência, corre o risco de fechar portas caso o panorama financeiro não se venha a alterar. Os maiores apoios chegam da Segurança Social e do Ministério da Educação mas não são suficientes para abater as despesas correntes da associação. A Câmara de Azambuja contribui com um donativo de cinco mil euros anuais e desde Outubro que paga a totalidade da renda da Loja Social gerida por essa associação.
“Desde que rebentou a crise, em 2009, que a Cerci enfrenta graves condições financeiras. Neste momento já temos a trabalhar connosco um gestor financeiro e estamos a fazer os possíveis para salvar esta instituição”. É com estas palavras que o presidente da direcção, Carlos Neto, descreve o panorama actual.
Em Setembro, os salários dos 80 funcionários ficaram por pagar e “metade não recebeu o subsídio de férias”. Dois funcionários chegaram mesmo a despedir-se e os restantes “têm-se aguentado por amor à instituição”, confessa a O MIRANTE, adiantando que em Novembro os ordenados ficarão em dia.
A Cerci Flor da Vida, instituição vocacionada para a educação e reabilitação de crianças inadaptadas, dá resposta a aproximadamente 300 utentes, dos quais 24 estão em lar residencial. Em 2014 inaugurou novas instalações, numa obra de 1,3 milhões de euros, financiada em 1 milhão de euros pela Segurança Social, em terreno cedido pelo município. O novo edifício permitiu aumentar a capacidade para receber mais pessoas com deficiência mental ou provenientes de famílias desestruturadas.
Carlos Neto assegura a O MIRANTE que têm cumprido com as obrigações financeiras ao banco e que faltam apenas “dois anos para o edifício ficar pago”. “A partir daí acredito que a situação vá melhorar”, acrescenta.
Por outro lado, desde Maio último que a associação tem vindo a abandonar outros espaços que tinha arredados. “Tivemos de fazer cortes e começamos por largar alguns edifícios onde os utentes tinham algumas aulas e terapias. As rendas eram uma despesa enorme para a instituição”, explica o presidente.
Também o tanque terapêutico, que tem de funcionar com a água a uma temperatura de 32 graus centígrados e onde os utentes tinham algumas terapias e aulas de natação, foi desligado. “Mantê-lo a funcionar representava uma despesa energética elevadíssima”, diz. Agora os utentes vão passar a frequentar o Complexo de Piscinas de Azambuja.

Loja Social deve ser responsabilidade do município

Carlos Neto atira responsabilidades da Loja Social de Azambuja para o município, explicando que aquela valência resulta de um protocolo entre as partes, estabelecido em 2011. “A Loja Social não é um objectivo da Cerci, não faz parte do ADN da instituição”, afirma. Em Outubro, a Câmara de Azambuja aprovou um protocolo onde assume o compromisso de pagar a renda daquelas instalações, no valor de 4.800 euros anuais. Em causa estava a continuidade dessa resposta no concelho, já que a Cerci não tem condições para pagar a renda.
A Loja Social, explica o presidente da associação, “surgiu para auxiliar pessoas carenciadas do concelho de Azambuja”, apoiando actualmente 80 famílias com bens materiais, como mobiliário, vestuário, calçado, brinquedos e electrodomésticos. A direcção entende que deve ser a autarquia a assumir as despesas da loja.
Recentemente a vereadora Maria João Canilho (PSD) alertou em reunião de câmara, para o incumprimento de horários da Loja Social, tal como
O MIRANTE noticiou na edição de 25 de Outubro. Carlos Neto justifica dizendo que a loja está aberta todas as terças e quintas-feiras das 14h00, às 16h30 e que esteve encerrada durante um período de tempo porque a funcionária, que é voluntária, esteve de baixa médica.
“Não faz qualquer sentido manter a Loja Social aberta diariamente. Ela serve para dar uma resposta a famílias que estão referenciadas e essas sabem o horário em que a loja está a funcionar”, explica Susana Paulino, responsável pela Loja Social.
Carlos Neto admite que a Loja Social é apenas uma “despesa para a associação” e que não podem disponibilizar funcionários necessários a outras valências para os colocar na loja em horário de expediente. “Estamos receptivos a receber voluntários de outras instituições para ajudarem com a Loja Social”, remata o dirigente.

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