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Empresas tiveram de emprestar material aos técnicos da DGS durante surto de legionella
Leonel Ferreira (à esquerda) acompanhado do seu advogado, Varela de Matos, acredita que será feita justiça

Empresas tiveram de emprestar material aos técnicos da DGS durante surto de legionella

Testemunhas ouvidas pelo tribunal confirmam falta de meios e equipamentos dos técnicos da Direcção Geral de Saúde nas primeiras horas do surto.

Edição de 14.11.2018 | Sociedade

Os técnicos da Direcção Geral de Saúde (DGS) que visitaram as fábricas da região procurando a origem do surto de legionella que atingiu o concelho de Vila Franca de Xira em 2014, estavam mal equipados e até houve fábricas que tiveram de emprestar o seu material para os agentes do Estado poderem recolher as amostras.
Essa foi uma das revelações deixadas por uma das testemunhas ouvidas na manhã de segunda-feira, 5 de Novembro, durante mais uma sessão do julgamento da primeira acção cível apresentada no âmbito do surto de legionella de Vila Franca de Xira. Julgamento que teve nessa tarde as alegações finais e do qual se fica agora apenas à espera de conhecer a sentença.
Arlindo Carneiro, engenheiro electrotécnico da Solvay, da Póvoa de Santa Iria, uma das empresas que foi visitada pelos técnicos da DGS logo nas primeiras horas do surto, a 8 de Novembro de 2014, confirmou que os técnicos estavam sem material para recolher amostras.
“Fomos visitados e colaborámos, explicámos o funcionamento dos circuitos de refrigeração mas como eles não tinham equipamento nem frascos para realizar a recolha das amostras acabou por ser o nosso pessoal, da fábrica, a oferecer os frascos onde eles puderam levar as amostras porque não tinham material suficiente”, contou o responsável.
As primeiras análises rápidas feitas em duas torres da Solvay detectaram a presença de ADN de legionella, mas sem confirmação de estar viva ou morta. Explicação semelhante foi dada ao tribunal por Manuel Galvão, director fabril da fábrica da Sociedade Central de Cervejas (SCC) de Vialonga, outra das unidades fabris visitadas pelos técnicos aquando do surto.
“A SCC não estava legamente obrigada, por decreto, a tomar medidas de protecção contra a legionella, mas já há muito tempo que tínhamos os nossos próprios mecanismos rigorosos de controlo. É um procedimento complexo a nível microquímico e microbiológico que requer análises semanais, mensais e até trimestrais”, explicou.
A SCC foi uma das fábricas que, à data, teve de fechar uma das suas torres de refrigeração depois de uma análise rápida também ter detectado a presença de fragmentos de legionella, não conclusivos se viva ou morta, isto porque mesmo depois de uma limpeza do sistema ficam sempre em suspensão vestígios de ADN dessa bactéria.
Outras testemunhas deste processo já haviam declarado que a recolha de amostras de água contaminada das torres de refrigeração da empresa arguida no processo, a Adubos de Portugal (ADP), foi feita em garrafões de água banais e não em frascos esterilizados como mandava a regra.

“Foi um sofrimento muito grande”

Leonel Ferreira, do Forte da Casa, é a primeira vítima do surto a avançar em julgamento. Reclama 200 mil euros por danos patrimoniais e morais.
No banco dos réus está a ADP - Adubos de Portugal, empresa onde as autoridades encontraram a mesma estirpe que estava presente nas vítimas.
Perante a juíza Cláudia Carvalho, o morador do Forte da Casa lembrou o “sofrimento bastante grande” por que passou juntamente com a família e a forma como a infecção mudou para sempre a sua vida e as suas rotinas profissionais e pessoais. “Passei bastante mal e tive limitações muito grandes no trabalho e em casa, estive bastante frágil e dependente de ajuda da família”, lembrou.
Varela de Matos, advogado da vítima, acredita não existirem dúvidas em todo o processo e espera que seja feita justiça, mantendo a convicção de que será conhecida uma sentença até ao final deste mês.

Empresas tiveram de emprestar material aos técnicos da DGS durante surto de legionella

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