
Lezíria lamenta ausência de projectos importantes do Plano Nacional de Investimentos
Comunidade intermunicipal vai pedir esclarecimentos ao Governo sobre lista de grandes obras públicas previstas para a próxima década, onde não figuram investimentos há muito reclamados.
A Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo lamenta a ausência do Projecto Tejo do Plano Nacional de Investimentos (PNI) para a próxima década e quer garantias do Governo de que este investimento “estruturante para a região e para o país” vai avançar.
Pedro Ribeiro, presidente da CIMLT, disse à Lusa que o PNI 2030 foi um dos temas do seminário que, a 24 e 25 de Janeiro, reuniu, na Nazaré (Leiria), os autarcas dos 11 municípios que integram esta comunidade intermunicipal (10 do distrito de Santarém e um do distrito de Lisboa).
“Temos consciência de que é um projecto a 20, 30 anos e da dimensão da verba envolvida, da ordem dos 4.000 a 5.000 milhões de euros. Agora queremos que comece”, disse o autarca, salientando que este é um projecto que tem sido defendido pela Lezíria, pelo Médio Tejo e pelo Oeste e que, a concretizar-se, terá um impacto nacional, num contexto de alterações climáticas e da necessidade de uma agricultura competitiva.
Conclusão do IC3/A13 também de fora
Outra ausência notada no PNI 2030, e que “claramente preocupa” a região, foi a conclusão da A13/IC3, no troço entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha, com uma nova ponte sobre o Tejo no concelho da Chamusca, onde se situa o Ecoparque do Relvão, dedicado à recolha de resíduos, nomeadamente perigosos, com os camiões que os transportam a passar por dentro de povoações.
“Há esclarecimentos que queremos pedir” sobre a ausência deste projecto, mas também sobre se as verbas referidas para pontes da Lezíria se referem às que atravessam o Sorraia, em Coruche, ou a Rainha D. Amélia, sobre o Tejo, entre os concelhos de Salvaterra de Magos e do Cartaxo.
Os autarcas da CIMLT querem ainda saber se a administração local se pode candidatar às verbas inscritas para os ‘missing links’ rodoviários, tendo em conta as “várias variantes” cuja necessidade tem sido identificada - nomeadamente na Estrada Nacional 118, transformada em “arruamento” de várias localidades que atravessa - e para as quais algumas autarquias não dispõem de capacidade financeira.
Agradados com a inscrição da variante à linha ferroviária do Norte no concelho de Santarém, que consideraram “uma boa notícia”, os autarcas querem, contudo, mais informação, como também querem saber por que razão não foi contemplada a criação de um novo nó de acesso à autoestrada do Norte entre o de Santarém e o de Torres Novas.
Esta ligação tem sido defendida pelo município de Santarém, como forma de responder ao pólo industrial fortemente exportador situado no norte do concelho, penalizado pelas más acessibilidades, e que Pedro Ribeiro afirmou ser defendido pela região “pela mais valia” económica que representa.
Também o estado e a elevada sinistralidade do IC2 junto a Rio Maior levam os autarcas a questionar a razão da sua ausência do PNI, quando outros troços desta via foram contemplados.
