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Cão terapeuta foi a Samora Correia mostrar como pode ajudar crianças e idosos
Cooper, o São Bernardo arraçado de Pastor Alemão, teve treino durante um ano para poder fazer terapia

Cão terapeuta foi a Samora Correia mostrar como pode ajudar crianças e idosos

Fundação Padre Tobias recebeu a visita de Cooper, o cão que trabalha em parceria com duas psicólogas. Uma equipa que ajuda a rasgar sorrisos e perder medos.

Edição de 06.02.2019 | Sociedade

A actividade terapêutica assistida por animais traz benefícios motivacionais e educacionais inegáveis a quem a recebe. Quem o diz é Andreia Vaz, psicóloga graduada em Intervenção Assistida por Animais. Ao seu lado, Cooper, um São Bernardo arraçado de Pastor Alemão, com 52 quilos, desperta a atenção das crianças sentadas na plateia do auditório do Palácio do Infantado, em Samora Correia. Conheceram-no nesse dia, durante a visita que fez à creche da Fundação Padre Tobias, na sexta-feira, 25 de Janeiro. Entre carícias e abraços das crianças a Cooper, foi Sónia Rosa, a sua dona, que também é psicóloga e terapeuta de intervenção com animais, a encaminhá-lo para cima do palco.
O objectivo deste “Café com Saberes e Sabores”, organizado pela Fundação Padre Tobias, foi dar a conhecer os benefícios de terapias e actividades assistidas com animais na redução de sintomas depressivos e de ansiedade. Andreia Vaz explica que, em Portugal, este tipo de intervenção ainda tem um caminho longo pela frente, na sua aceitação e implementação.
Cães e cavalos são os animais mais utilizados nestas actividades, mas existem outros. Burros, gatos, coelhos, pássaros e até peixes em aquário são utilizados por especialistas. Mas nem todos servem para terapia, explicam as psicólogas, que sublinham a importância do temperamento e do treino em escola própria.
No caso de Cooper, o treino durou cerca de um ano. Aprendeu a ser obediente, a contactar com outros animais e a responder a estímulos sonoros e de movimento. “Por ser um cão de porte grande nunca pensei que fosse indicado para terapia e actividades de intervenção. Mas o seu temperamento calmo fez-me mudar de ideias”, conta Sónia Rosa.
Um animal que forme dupla com um psicólogo tem de “gostar de trabalhar, de saber receber o toque do ser humano e de responder à ordem, como dar a pata, sentar e deitar”, sublinha. “Mas não é um animal de circo. Trabalha e tem os seus momentos de lazer e descanso, como um cão normal”, adverte.
Os benefícios nos utentes são inúmeros, pois o cão é um facilitador social, motivador e desbloqueador do diálogo. Sónia dá exemplos: “Acompanho uma utente que sempre que ia para uma consulta ia parar ao hospital, com febre e ansiedade. Apesar de ter medo de cães aceitou experimentar uma sessão com o Cooper e a partir daí nunca mais faltou”.

Cooper visitou idosos e crianças
No lar da Fundação Padre Tobias, à chegada de Cooper, os sorrisos foram instantâneos e muitos dos idosos quiseram fazer-lhe festas. Alguns disseram que lhes lembrava o cão que já tiveram e partilharam histórias. Sónia Rosa conta que há idosos que não se lembram do nome de familiares, mas não se esquecem do nome do Cooper, mesmo só o vendo de mês a mês.
Na creche da Fundação, mãe e filha venceram o medo juntas. Uma das crianças que tiveram a oportunidade de contactar Cooper nesse dia isolou-se a um canto da sala. Tinha medo de cães e estava aterrorizada com a presença do Cooper. A mãe, que a foi buscar, ficou ansiosa por ver a reacção da filha e as psicólogas lançaram-lhes o desafio: juntas, tinham de fazer de Cooper uma almofada e escutarem o seu coração. Assim aconteceu, enquanto davam a mão. Foi “uma vitória para mãe e filha”, afirma Andreia Vaz.

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