
Turbulência interna deixa direcção do Ouriquense sem quórum
Três dos cinco elementos demitiram-se e contestam a presidente, a quem acusam de autoritarismo.
A direcção do Estrela Futebol Clube Ouriquense está a funcionar sem quórum, depois de três dos cinco elementos que a compunham terem apresentado a demissão. O “autoritarismo” da presidente da direcção do clube de Vila Chã de Ourique, concelho do Cartaxo, é apontado como justificação para as demissões do vice-presidente, do tesoureiro e do 2º secretário, em Outubro último.
Até agora, nem a presidente da direcção, Conceição Salvador, pediu demissão, nem o presidente da assembleia-geral, André Beda, marcou uma assembleia extraordinária para convocar novas eleições. “Ninguém tinha liberdade para fazer o que quer que fosse”, refere a O MIRANTE Conceição Beijinho, 1ª secretária da direcção, que vai também apresentar demissão em breve. “Tenho aguentado esta situação por causa dos jovens e dos pais que não têm culpa do que se está a passar”, acrescentou.
Gisela Costa, ex-tesoureira da direcção, diz ter pedido demissão porque nunca foi tesoureira. “Desde o primeiro minuto nunca pude mexer no dinheiro que entrava, logo não iria responsabilizar-me por algo em que não mexia”, referiu.
A anterior direcção foi liderada por Gonçalo Ramalho que ocupava neste mandato o lugar de 2º secretário. Também ele, em meados de Outubro, pediu a demissão do cargo. “Demiti-me porque a pessoa que está na presidência não me inspira confiança. Quis apoderar-se de tudo sozinha, então que fique como está, sozinha”, afirmou a O MIRANTE.
Presidente rejeita autoritarismo
Conceição Salvador, presidente da direcção, que tomou posse em Maio de 2018, refuta as críticas. “Se para alguns autoritarismo é querer rigor e exigir que sejam pagas as mensalidades, isso admito, mas isso não é autoritarismo”, referiu.
Em breve irá haver uma assembleia-geral para a direcção apresentar contas, que terá que acontecer até 31 de Março. Questionada sobre se vai apresentar a demissão, Conceição Salvador não avança com certezas. “Tudo será decidido na próxima assembleia-geral, que está para breve”, disse.
André Beda diz que “oficialmente” ainda ninguém deixou a direcção, houve simplesmente um “afastamento”. No seu entendimento, os estatutos do clube são “omissos” sobre a questão das demissões. O presidente da assembleia-geral recebeu as cartas de demissão dos três elementos, mas não as considerou oficiais por não ter havido uma assembleia-geral.
“Irá haver uma assembleia-geral até dia 31 de Março para a direcção apresentar contas. Achei que era desnecessário estar a convocar duas assembleias em tão curto espaço de tempo. Nessa altura irá debater-se o assunto das demissões”, justificou.
“Alguma direcção pode estar legal com apenas duas pessoas?”
Quanto à ilegalidade do funcionamento da direcção do clube, uma vez que está sem quórum, o responsável diz desconhecer se será mesmo assim. “Se eu não aceitei a demissão de ninguém, não há demissão oficial”, aponta. Logo, continua, “a direcção não pode tomar nenhuma decisão, é verdade, mas ilegal não sei se está”.
Para Conceição Beijinho, 1ª secretária da direcção demissionária, a situação é clara. “Quando os estatutos do clube são omissos, é evocada a lei geral do associativismo que refere que quando as pessoas pedem demissão, não precisam de aceitação de ninguém”, refere. Quanto à falta de quórum a 1ª secretária evoca também a lei do associativismo: “mas alguma direcção pode estar legal com apenas duas pessoas, sem haver quórum?”, questiona.
Política e futebol
Curiosa é a relação política que une os intervenientes da direcção e da assembleia-geral do clube. A presidente da direcção do Ouriquense é também presidente da mesa da Assembleia de Freguesia de Vila Chã de Ourique. Por sua vez, André Beda, presidente da assembleia-geral do clube, integrou as listas à junta de freguesia, encabeçadas pelo presidente de junta de freguesia, Vasco Casimiro, que é o 2º secretário da mesa da assembleia do clube.

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