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Mais de metade das espécies de peixe no Tejo são exóticas
Conferência Repaginar Rios e Ribeiras foi organizada pela Câmara de Santarém em conjunto com a GNR e o SEPNA

Mais de metade das espécies de peixe no Tejo são exóticas

Investigador do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente diz que as espécies endémicas tendem a desaparecer com a proliferação de espécies exóticas e alerta para os riscos que podem advir para os peixes migradores caso sejam construídos novos açudes ou barragens no rio Tejo.

Edição de 06.03.2019 | Sociedade

Lampreia, fataça e sável podem desaparecer do rio Tejo se forem construídos os açudes previstos no Projecto Tejo. O alerta foi dado por Filipe Ribeiro, investigador do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a propósito da sua apresentação sobre diversidade de peixes do Tejo e a proveniência de peixes não-nativos, integrada na Conferência Repaginar Rios e Ribeiras. Uma iniciativa organizada pela Câmara de Santarém em conjunto com a GNR e o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA).
As alterações no leito dos rios, provocadas pela introdução de estruturas como barragens e açudes são a primeira causa de perda de biodiversidade nos ecossistemas dulciaquícolas (de água doce), logo seguida pela introdução de espécies invasoras que normalmente têm como porta de entrada o rio Tejo.
Filipe Ribeiro aproveitou a presença dos militares da GNR para reforçar que deve haver uma maior fiscalização e que se deve ter redobrada atenção aos emigrantes que chegam de França, por exemplo, onde podem adquirir legalmente algumas espécies de peixes que são proibidas em Portugal. São espécies que por vezes acabam por ir parar aos rios provocando problemas.
Segundo Filipe Ribeiro, existem nos lagos e rios da Europa 577 espécies de peixes. Em Portugal há 65 espécies, 45 nativas e 20 exóticas. O rio Tejo alberga 44 destas 65 espécies, entre as quais três espécies de lampreia que só existem em Portugal e a boga-de-boca-arqueada de Lisboa, que, para o investigador, deveria chamar-se da Lezíria, uma vez que existe apenas nesta região.
São espécies endémicas que tendem a desaparecer com a introdução de espécies exóticas como a gambúsia. De acordo com o investigador, mais de metade da comunidade de peixes existentes no rio Tejo, actualmente, são espécies exóticas, com impacto noutras espécies e na própria qualidade da água.

Projecto Tejo põe em risco peixes migradores
O Projecto Tejo foi apresentado em Santarém em Maio de 2018. Tem como base a construção de seis açudes, entre Abrantes e Castanheira do Ribatejo, dotados de eclusas que permitam a navegação de embarcações ligeiras. Na génese da ideia estão os irmãos Manuel e Miguel Campilho, da Quinta da Lagoalva, assessorados tecnicamente por Jorge Froes, um especialista na área da engenharia hidráulica.
O objectivo é criar uma área de regadio semelhante ao Alqueva no Ribatejo e Oeste e restabelecer a navegabilidade do rio até Abrantes, como forma de potenciar o turismo na região. Contudo, para Filipe Ribeiro, investigador do MARE, mesmo incluindo passa-peixes, a eficiência destes equipamentos não supera os 30 por cento, o que faz com que muitos exemplares de espécies migradoras, como a lampreia ou o sável não consigam subir o rio para desovar. “Imaginando que passam 30% dos peixes no primeiro açude, quantos conseguiriam resistir até à última barreira?”, questiona. “A ser implementado, este projecto marcará o fim dos peixes migradores no Tejo”, remata o investigador.

Mais de metade das espécies de peixe no Tejo são exóticas

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