
Autarca de Rio Maior critica PCP por fazer política com património concelhio
Isaura Morais não gostou que os comunistas avançassem com propostas de classificação de património do seu concelho na Assembleia da República sem ter havido qualquer contacto prévio com o município.
A presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais (PSD), não gostou de ver o Partido Comunista Português (PCP) avançar com dois projectos de resolução na Assembleia da República, recomendando ao Governo a classificação das Salinas de Rio Maior e do antigo complexo mineiro do Espadanal, sem ter havido qualquer contacto prévio com o município ou com a cooperativa que explora as salinas. O município é proprietário do antigo complexo mineiro.
Na última reunião de câmara, realizada a 26 de Julho, Isaura Morais considerou que devia ter havido uma abordagem prévia do PCP, até porque “quem gere o território é o principal interessado na defesa desse património e na sua preservação”, bem como na sua promoção e divulgação. E reiterou que esta iniciativa política “devia ter sido feita em articulação com o município” de Rio Maior, “estivesse cá quem estivesse”.
Recorde-se que a Assembleia da República aprovou dois projectos de resolução que recomendam ao Governo a adopção dos procedimentos necessários para a classificação das Salinas de Rio Maior como imóvel de interesse nacional e o antigo complexo da Mina Espadanal, em Rio Maior, como património de interesse público. As propostas foram apresentadas pelo grupo parlamentar do PCP e aprovadas na última sessão plenária desta legislatura, realizada a 19 de Julho.
Na sua fundamentação, o PCP refere que as salinas de Rio Maior assumem um relevante interesse sociocultural. Estão na base do desenvolvimento de quatro aldeias (Marinhas do Sal, Fonte da Bica, Pé da Serra e Casal Calado) e originaram um conjunto de práticas específicas do local e da sua comunidade, destacando-se o direito consuetudinário da exploração da água salgada do poço mestre, com origens ancestrais. As salinas já foram classificadas como imóvel de interesse público em 1997.
Já quanto ao antigo complexo mineiro, refere-se que a análise histórica e o levantamento do património mineiro do concelho de Rio Maior permitem confirmar a importância do conjunto edificado composto pela fábrica de briquetes e plano inclinado da Mina do Espadanal enquanto documento paradigmático da resposta da sociedade e do Estado português às duas Grandes Guerras do século XX, e da intervenção governamental no esforço de industrialização nacional no pós-guerra. Acrescenta-se ainda que a fábrica de briquetes da Mina do Espadanal é uma obra única, pela sua qualidade arquitectónica e inovação tecnológica, na construção de acessórios mineiros em Portugal.

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