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Carolice e amor à terra mantêm viva a Associação Cultural e Desportiva de Valhascos
A nova direcção da Associação Cultural e Desportiva de Valhascos foi eleita a 9 de Junho

Carolice e amor à terra mantêm viva a Associação Cultural e Desportiva de Valhascos

Agremiação é o ponto de encontro numa aldeia afectada pela desertificação. Nova direcção da colectividade vai continuar a organizar as tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Graça, que se realizam em Setembro e que estavam em risco de não acontece este ano.

Edição de 21.08.2019 | Sociedade

A Associação Cultural e Desportiva de Valhascos (ACRV) é uma das colectividades mais antigas da freguesia de Valhascos, concelho de Sardoal, tendo assinalado o 35º aniversário em Julho. A sua sede foi sendo construída aos poucos, nos tempos livres dos associados que iam erguendo paredes e muros dando vida ao principal ponto de encontro da aldeia do concelho do Sardoal.
“A sala de reuniões onde estamos a conversar foi o último espaço a ser construído, há menos de dez anos. Antes era um parque de estacionamento. A colectividade foi sendo construída conforme havia dinheiro e disponibilidade das pessoas. Houve sempre muita carolice e amor à terra para manter esta colectividade a funcionar”, afirmou o novo presidente da ACRV, Duarte Batista.
A nova direcção foi eleita a 9 de Junho e tomou posse no dia 23 de Junho. Além de Duarte Batista fazem parte da direcção Fausto Jesus, Guilherme Esteves, Pedro Valente, César Marques, Ricardo Vicente, Luís Casaca, Miguel Ribeiro e Rafael Alfacinha. Luís Amaro é o tesoureiro depois de Mário Marçal, que tinha sido eleito para o cargo, ter falecido há cerca de duas semanas. A morte desse dirigente levou ao cancelamento da festa de aniversário da colectividade que estava marcada para 28 de Julho.
Os elementos da nova direcção decidiram candidatar-se pois as Festas em Honra de Nossa Senhora da Graça, que decorrem em Setembro e são organizadas pela colectividade, corriam o risco de não se realizar este ano. “A antiga direcção colocou o lugar à disposição e não havia pessoas para organizar as festas, que são o principal orgulho da freguesia. Por isso decidimos avançar, para não deixar morrer a terra e a colectividade”, explicou o vice-presidente, Fausto Jesus.
A direcção lamenta a falta de pessoas disponíveis para o associativismo e sublinha que foi sempre a carolice de algumas pessoas que manteve a agremiação de portas abertas. Depois de um período conturbado, a situação financeira da ACRV está estável. Para isso contribui muito o facto do bar da colectividade, ponto de encontro na aldeia, ter sido concessionado. A renda mensal é a principal fonte de rendimentos, a par com as festas de Setembro.
O dinheiro que conseguirem juntar vai ser para obras de manutenção e têm a intenção de alcatroar o recinto do largo da colectividade, onde se realizam as festas. “Precisamos de melhorar a estrutura do bar, fazer obras nas casas-de-banho e reparar o telhado. Como alguns dos espaços da sede já são antigos estão a precisar de melhoramentos”, refere Duarte Batista.

O que sobra em qualidade de vida falta em população
Nenhum dos elementos da direcção trabalha na terra natal mas a maioria continua a viver em Valhascos, onde dizem que existe muita qualidade de vida. Lamentam que diversos serviços importantes tenham desaparecido da aldeia como escolas, centros de saúde e até o multibanco. Recentemente, foi inaugurado um novo parque infantil, em frente à sede da ACRV, numa construção feita em parceria com a colectividade, a Junta de Valhascos e a Câmara do Sardoal. Na aldeia não existem muitas crianças mas a população quer dar boas condições para quem ainda lá vive.
O primeiro evento da nova direcção foi uma sardinhada em Junho, para celebrar os santos populares. Agora já preparam as Festas em Honra de Nossa Senhora da Graça. Em Novembro vai haver uma festa para celebrar o magusto e não vai faltar a festa de Natal para as crianças. Como a couve de Valhascos é uma das principais referências da freguesia, os dirigentes pretendem implementar um evento gastronómico onde a couve de Valhascos seja a rainha.
“Queremos dinamizar cada vez mais a freguesia para que não morra. Vamos sendo cada vez menos e gostávamos que as pessoas não sentissem necessidade de sair de Valhascos”, confessa o presidente da colectividade.

Carolice e amor à terra mantêm viva a Associação Cultural e Desportiva de Valhascos

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