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Lei da rolha nos Bombeiros de Salvaterra de Magos até 2020
Qualquer membro dos órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos está proibido de falar à comunicação social, mesmo que seja para dizer bem. Um silêncio imposto por causa do passado conturbado.
A nova direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos (AHBVSM) está em “período sabático”, recusando falar sobre a situação da corporação, mesmo que seja por bons motivos. Luís Martins, o novo presidente da direcção, desde fins de Maio, refere a
O MIRANTE que a direcção decidiu entrar em silêncio e os membros dos órgãos sociais estão proibidos de falar à comunicação social. Uma lei da rolha que vai vigorar até Janeiro de 2020.
A decisão foi tomada pela actual direcção depois do período conturbado pelo qual passou a corporação e que levou ao afastamento da anterior direcção, que mantinha um conflito com o comandante e estava mergulhada num descalabro financeiro. A nova direcção foi eleita sem concorrência, já que só apareceu uma lista para assumir a gestão da associação humanitária. Apesar do silêncio,
O MIRANTE sabe que esta direcção apostou no comandante Paulo Dionísio como forma de serenar os ânimos e não ter mais problemas judiciais e mais despesas, já que o operacional aceitou reduzir o valor que a corporação lhe tinha de pagar.
Recorde-se que a corporação chegou ao ponto de ficar com as contas bancárias penhoradas por não ter liquidado a indemnização, o que bloqueou a sua acção. Na altura teve de ser a câmara municipal a fornecer o gasóleo. O comandante Paulo Dionísio e a anterior direcção entraram em divergências e o comandante foi sujeito a um processo disciplinar e afastado como funcionário da corporação. O Tribunal do Trabalho de Santarém considerou o despedimento ilícito e mandou reintegrar o operacional.
Paulo Dionísio acabou por ser reintegrado nas funções no dia 3 de Abril numa situação caricata em que havia já uma comandante nomeada e em funções, pelo que até à tomada de posse da nova direcção o quartel tinha dois comandantes.
A posição do presidente da câmara
O presidente da Câmara de Salvaterra de Magos diz estar satisfeito com o trabalho que a nova direcção dos bombeiros está a desenvolver e garante que a paz regressou ao quartel. “Sinto que agora os ânimos acalmaram e que as pessoas estão mais disponíveis para remar para o mesmo lado”, refere Hélder Esménio em declarações a O MIRANTE. O autarca diz que compreende a posição da direcção de não falar à comunicação social, para que não se volte a cair no erro de os problemas estarem expostos fora do quartel.
A câmara é a principal parceira da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, com um apoio financeiro anual de 200 mil euros e apoios ao nível de combustível, sempre que haja necessidades financeiras por parte da corporação. De recordar que no final de 2018 a autarquia equipou a corporação com mais uma ambulância de socorro. Desde 1 de Agosto o quartel passou a ter uma equipa de intervenção permanente, com cinco operacionais. Esta equipa resulta de um protocolo entre a autarquia e a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), que dividem as despesas. O município deu ainda dez mil euros para equipamentos.
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