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“Podemos atenuar os danos mas já não vamos a tempo de salvar o planeta”
Diogo Peres deixou a carreira militar e optou por trabalhar na empresa do pai, a CircuitProfit, que tem instalações na Zona Industrial de Tomar

“Podemos atenuar os danos mas já não vamos a tempo de salvar o planeta”

Diogo Peres, 23 anos, encarregado geral da empresa CircuitProfit de Tomar. Queria ter uma carreira militar e adorou os dois anos que passou no exército mas saiu porque as condições não eram as melhores. Começou a trabalhar, há cerca de dois anos, na empresa do pai, a CircuitProfit, em Tomar, onde é encarregado geral. Jogou futebol e praticou boxe e kickboxe mas é nas Artes Marciais Mistas que garante encontrar a adrenalina necessária para se sentir bem. Lamenta que muitos jovens se tenham viciado de tal maneira nas novas tecnologias a ponto de já nem saberem conviver.

Edição de 21.08.2019 | Três Dimensões

Adorei os dois anos em que estive no Exército mas tive que sair. Apesar daquele ser o meu sonho percebi que as condições não são favoráveis para fazer carreira. Tive que ser realista e escolher o que seria melhor para mim. Foi um ciclo da minha vida muito bom e ainda tenho a farda em casa.
Fui um dos cinco melhores da minha recruta. Por causa dessa classificação podia escolher onde ficar mas optei por ir para longe. Queria ser condutor e não havia essa hipótese em Tomar, nem aqui perto. Fui para Paço de Arcos.
Sempre acompanhei o meu pai a nível empresarial. A CircuitProfit foi fundada em 2012 e está sedeada na Zona Industrial de Tomar há cinco anos. Segui o desenvolvimento da empresa desde o início porque queria perceber como funcionava o negócio. Nas férias de Verão ia para a empresa ajudar. Quando saí do Exército vim trabalhar para cá. Agora sou encarregado geral.
Faço recolha de resíduos das oficinas que não podem ir para o lixo normal. Todos os dias saímos para fazer a recolha. Temos destinos devidamente programados. A nossa empresa é certificada para fazer essa recolha.
Em Tomar fazem falta empresas que criem postos de trabalho. Só assim se conseguem fixar pessoas no concelho. Tenho muitos amigos que foram estudar para fora de Tomar e não regressaram. É essa tendência que se tem que inverter.
Tomar tem que atrair turistas durante o ano inteiro. A Festa dos Tabuleiros, que se realizou no mês passado, trouxe muita gente à cidade mas esta festa só se realiza de quatro em quatro anos. Tomar precisa de mais iniciativas que atraiam mais pessoas.
Podemos atenuar os danos mas já não vamos a tempo de salvar o planeta. O aquecimento global não tem retorno. O Homem já provocou demasiados estragos para conseguir inverter a situação. O planeta vai continuar, os humanos é que correm o risco de desaparecer se não mudarmos as coisas. A mentalidade das pessoas tem que mudar, sobretudo a mentalidade de quem tem poder para mudar as leis, obrigando a que se cumpram certos objectivos ambientais.
Há crianças e jovens que têm dificuldade em relacionar-se com pessoas. Ficam o dia todo agarrados aos telemóveis e tablets. Não sabem conviver nem comunicar. As novas tecnologias são úteis mas temos que as saber utilizar. E não podemos ficar viciados. Se isso acontece deixamos de ter vida.
As artes marciais são o meu escape. Joguei futebol federado no União de Tomar entre os quatro e os 14 anos e cheguei a ser campeão distrital em iniciado. Cansei-me do futebol e pratiquei boxe e kickboxe federado. Entrei para o MMA (artes marciais mistas) porque é um desporto que me dá outra adrenalina. Também gosto de andar de moto4 aos fins-de-semana.
São os jovens que mais contribuem para a elevada abstenção nas eleições. A maioria dos mais velhos vota porque viveu em ditadura e sabe dar valor à liberdade. Os mais novos, como viveram sempre em liberdade, desvalorizam esse situação. Mas se eu não votar estou a permitir que ganhe quem eu não quero.

“Podemos atenuar os danos mas já não vamos a tempo de salvar o planeta”

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