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Chamusca de costas voltadas para o Tejo
Espaços ribeirinhos na Chamusca estão por limpar e subaproveitados

Chamusca de costas voltadas para o Tejo

O MIRANTE visitou a zona ribeirinha da Chamusca e verificou que o investimento é inexistente e não existe sequer limpeza ou manutenção dos espaços existentes. Os projectos que foram apresentados em 2018, para o Arripiado, ainda não saíram do papel.

Edição de 11.09.2019 | Sociedade

A zona ribeirinha da Chamusca está ao abandono e negligenciada pelo município. A Terra Branca (como antigamente era conhecida), situada entre a lezíria e a charneca, tem o seu espelho nas águas do rio Tejo mas a autarquia nada faz para valorizar essa riqueza embora utilize a imagem do rio e os recursos naturais como marca distintiva.
O MIRANTE visitou, na última semana de Agosto, o Porto das Mulheres e o Porto do Carvão, como são conhecidos dois lugares de maior e melhor acesso ao rio, e constatou a realidade da falta de limpeza na maior parte dos casos e noutros de falta de manutenção dos poucos equipamentos existentes. Já para não falar na falta de espaços verdes e zonas recreativas que apelem à vontade das famílias de usufruírem das margens e do leito do rio assim como um apelo aos turistas que no Verão sempre circulam pela região ribatejana.
O MIRANTE ouviu várias vozes a insurgirem-se contra os políticos, nomeadamente pessoas que acampavam e que apontavam o dedo a quem a qualquer altura aparece no meio do rio com motos e fazendo rali na areia. No Porto do Carvão só agora estão a ser fechados alguns esgotos que até há pouco tempo estavam a céu aberto. Não há projectos, nem ideias. Nesta altura nada existe em projecto para a zona ribeirinha.
O projecto de que se falou há dois anos ligado ao Tejo é um Centro de Interpretação dos Avieiros, para o qual a câmara já comprou um edifício devoluto, onde antigamente funcionava um supermercado, na Rua Dr. Armando Cumbre, rua que liga o centro da vila ao Porto das Mulheres. O edifício foi adquirido, em 2018, por cerca de cinquenta mil euros mas até agora não há notícias de qualquer projecto.
O MIRANTE questionou os vereadores da oposição sobre o projecto e tanto Gisela Matias (CDU) como Rui Rufino (PSD) garantiram nunca terem visto tal projecto. “Foi falado em reunião de câmara, na altura do acto da compra do edifício, em 2018, mas nunca foi mostrado à oposição para apreciação ou votação”, garantiram os vereadores.
Em reunião de câmara de 2 de Julho de 2019, a vereadora da CDU questionou o estado desse projecto. Paulo Queimado, presidente da Câmara da Chamusca, referiu que a candidatura estaria a ser reformulada e mais não acrescentou.
No Pinheiro Grande, na zona do antigo areeiro e dique do Casal Velho, a paisagem continua a ser de abandono que se estende até ao Arripiado. Há passadeiras partidas, com indicação para não serem utilizadas. Ou seja, os poucos espaços com mesas ou passadeiras que existem estão degradados e nem sequer são alvo manutenção.
A zona do Cais de São Marcos, no Arripiado, freguesia da Carregueira, é a única que apresenta algum aproveitamento fruto de obras do tempo do executivo de Sérgio Carrinho. Mesmo assim é fácil verificar que há desleixo e falta de limpeza.
Curiosamente, a zona ribeirinha mais cuidada no concelho, apesar do desleixo, é a única em que a autarquia quer investir, ao invés de tirar do degredo as zonas dentro da própria vila da Chamusca. É para lá que está previsto o “Parque dos Amores Impossíveis”, nome pomposo dado ao projecto que no entanto também parece enguiçado. O outro é a renovação do cais principal do Arripiado. Os dois projectos já aprovados pela câmara e candidatados a linhas de apoio do Turismo de Portugal totalizam um investimento de cerca de um milhão e 200 mil euros.
Em relação ao cais pretende-se que seja adaptado a pessoas com mobilidade reduzida e está candidatado a uma linha de apoio a Turismo Acessível. Já o projecto inicial do Parque dos Amores Impossíveis, na zona verde já existente, foi candidatado à linha de apoio Valorização do Interior. A ideia será criar um espaço de lazer com bares e esplanadas, parques infantis, parque de recreio, spots de contemplação, área de serviço para autocaravanas, procurando-se intercalar na zona ribeirinha espécies arbóreas e conjuntos escultóricos.
O MIRANTE enviou um conjunto de questões ao executivo municipal para completarmos o trabalho editorial mas até ao fecho da edição não recebemos qualquer resposta.

Chamusca de costas voltadas para o Tejo

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