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“Quando era criança a minha Playstation era jogar à malha na rua”
Armando Sousa é tesoureiro do Centro Social para o Desenvolvimento do Sobralinho

“Quando era criança a minha Playstation era jogar à malha na rua”

Armando Sousa, 60 anos, é tesoureiro no Centro Social para o Desenvolvimento do Sobralinho. Nasceu e cresceu na vila do Sobralinho até ingressar na Força Aérea Portuguesa, onde foi oficial de controlo aéreo e participou em várias missões no âmbito da NATO. Em Janeiro deste ano tomou posse como tesoureiro do Centro Social para o Desenvolvimento do Sobralinho. Diz que no seu tempo as crianças eram mais felizes e defende o serviço militar obrigatório. Ser avô ensinou-o a mudar fraldas e a valorizar mais a família.

Edição de 11.09.2019 | Três Dimensões

Estive 30 anos ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Fui oficial superior de controlo de tráfego aéreo na NATO, em Monsanto. Fiz missões em diversos países da Europa e fui responsável por todo o espaço aéreo da Bósnia, na sua fase de pacificação. Contribuir para voltar a reerguer aquele país foi a missão mais gratificante da minha vida.
Com 11 anos saía de casa antes das 07h00 e ia apanhar o comboio sozinho a Alhandra, para ir para a escola em Lisboa. Fazia o percurso contrário pelas 23h00. Só tive medo uma vez numa noite de muito nevoeiro. Hoje era impensável deixar uma criança fazer este trajecto.
O Sobralinho é o novo dormitório do concelho, mais barato do que Alverca. A maior parte das pessoas que aqui vivem não trabalham nem fazem vida aqui. Perdeu-se o bairrismo de outros tempos, com as novas gerações a fecharem-se em casa.
Quando era criança a minha Playstation era jogar à malha na rua até à meia-noite. Tínhamos menos brinquedos mas éramos mais felizes. De vez em quando aparecia em casa com o joelho esfolado ou a cabeça rachada. Fazia parte.
Ser avô mudou a minha vida e fez-me dar outro sentido à paternidade. Nunca mudei uma fralda aos meus filhos mas, em contrapartida, já mudei muitas aos meus netos. Quando fui para a reserva chegava a passar semanas com o meu neto mais velho, no Algarve.
Casei e quatro meses depois fui destacado para a primeira missão no estrangeiro. A minha esposa ficou logo vacinada. Nunca fiz missões superiores a sete meses. Era política da Força Aérea na altura abalar o menos possível a nossa estabilidade familiar.
Para mim esta é a melhor instituição do mundo. Sou tesoureiro do Centro Social para o Desenvolvimento do Sobralinho desde o dia 11 de Janeiro. Já tinha feito parte da direcção de 2010 a 2013.
Fazer remodelações no mobiliário do Centro Social é uma das metas traçadas. O grande desafio para os próximos anos vai ser gerir um orçamento de dois milhões e meio de euros, numa instituição com grande peso e prestígio no concelho.
Sou viciado em informação. Não prescindo de ler jornais ao longo do dia, embora agora os leia mais através do digital. Ao jantar a televisão está sempre ligada nos telejornais e recuso-me a ver telenovelas. Gosto de filmes e séries de acção.
Defendo o serviço militar obrigatório. Acho que falta à nossa juventude o sentido de hierarquia e de cumprimento de orientações de quem é hierarquicamente superior. Um ano bastava para os jovens viverem essa experiência.
Sou daqueles que passeia muito mas metido dentro do carro. Acho o passeio ribeirinho que atravessa o concelho de Vila Franca de Xira uma obra bem conseguida mas que não serve os meus interesses de pessoa preguiçosa.
Já mergulhei no rio Tejo quando estava super poluído. Não porque quisesse, mas porque era habitual o veleiro virar com a força do vento ou pela falta de experiência. Sempre que podia juntava-me com um amigo e íamos dar um passeio a bordo de um vaurien.
Gosto de fazer experiências na cozinha e sou eu quem faz o jantar. A minha mulher agradece. Dizem que sou especialista em bacalhau espiritual, mas a fazer petiscos sou um desastre.
Ser optimista faz parte da minha pessoa. A vida é para ser gozada e eu tenho aproveitado bem a minha. Antes dos 70 e com tão boas experiências que guardo já só me falta escrever um livro.
Os pais estão cada vez mais dependentes das creches. Ambos têm de trabalhar para ter uma vida minimamente digna e não têm outra alternativa senão apoiar-se neste tipo de instituições.

“Quando era criança a minha Playstation era jogar à malha na rua”

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