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Câmara de Alcanena e industriais em guerra por causa dos maus cheiros
Além de presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira também é presidente do conselho de administração da empresa municipal Aquanena, que desde Julho é responsável pelo sistema de tratamento de efluentes do concelho

Câmara de Alcanena e industriais em guerra por causa dos maus cheiros

A presidente da câmara, Fernanda Asseiceira, diz que os maus cheiros que se têm sentido em Alcanena se devem a elevadas cargas poluentes que estão a ser lançadas para a ETAR pelos industriais. Estes acusam a autarquia de incapacidade para gerir o sistema.

Edição de 02.10.2019 | Sociedade

Os maus cheiros que se têm feito sentir em Alcanena desde o final de Agosto abriram uma guerra entre a câmara e os industriais de curtumes, numa altura em que o sistema de tratamento de efluentes passou da associação de utilizadores Austra para a empresa municipal Aquanena. A presidente da autarquia e da empresa, Fernanda Asseiceira, acusa os industriais de não estarem a cumprir as regras e de descarregarem para o sistema águas com elevadas cargas poluentes. Os empresários, através da Associação Portuguesa de Industriais de Curtumes (APIC), dizem que a câmara, através da Aquanena, não tem capacidade para gerir o sistema e a estação de tratamento (ETAR).
Fernanda Asseiceira esclarece, em declarações a O MIRANTE, que desde há um mês estão a chegar à Estação de Tratamento de Águas Residuais efluentes com elevada carga de gordura e de sulfuretos. Segundo a autarca esta é a causa dos maus cheiros, que têm provocado inúmeras queixas da população. A APIC refere que a incapacidade da empresa municipal, que tomou conta do sistema em Julho, “advém do desconhecimento da complexidade dos efluentes industriais” e de justificar culpabilizando os industriais. Realça ainda que não há caudais nem efluentes com características poluentes diferentes daquelas que sempre foram recepcionadas na ETAR.
A autarca salienta que os valores de poluentes industriais “não correspondem aos requisitos legais em vigor e que todos os utilizadores conhecem”. Fernanda Asseiceira apela a que sejam respeitados os parâmetros de águas residuais, previstos no regulamento, que os próprios utilizadores aprovaram. A autarca explica que a empresa municipal está a investigar a origem dos focos de poluição, informando que estão a ser visitadas as unidades industriais para ver o que está a ser feito em relação às medidas que se comprometeram a implementar, no final de 2017, para reduzirem os odores.
Os maus cheiros já não se faziam sentir desde 2017 depois de a Austra ter feito melhoramentos nas condutas e no sistema de tratamento. A autarca diz compreender a revolta da população e realça que não se justifica o que está a acontecer. Fernanda Asseiceira garante que o sistema está em condições, que foram instalados novos equipamentos e que há dispositivos suplentes para o caso de existirem avarias, pelo que, sublinha, o sistema está a funcionar em condições.
A Aquanena está a gerir o sistema desde Julho, após um braço-de-ferro com a Austra, que geriu o tratamento de águas durante cerca de duas décadas. Recorde-se que a decisão de criar uma empresa municipal teve por base um parecer da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), datado de 2016, sobre a impossibilidade de associações de utilizadores serem entidades gestoras, o que levou a câmara a resgatar o contrato de concessão, que só terminava em 2024. A câmara optou por criar uma empresa que além do tratamento de efluentes gere também o abastecimento de água. Situação que causou a divergência com a Austra, que declinou fazer parte da empresa municipal por entender não estar preparada para gerir as redes de águas para consumo.

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