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Urbanização da Quinta do Alferes nasceu torta e nunca se endireitou
Na Quinta do Alferes está tudo por acabar e agora até a polícia vai ajudar a câmara a notificar uma oficina ilegal que ali abriu portas

Urbanização da Quinta do Alferes nasceu torta e nunca se endireitou

Casas foram construídas sem licença há décadas e a legalização arrasta-se no tempo. Local continua a parecer um bairro do terceiro mundo, com acessos em terra batida, com pouca iluminação pública e sem mobiliário urbano. Município de Vila Franca de Xira diz que só pode haver obras de fundo quando o bairro estiver legalizado.

Edição de 02.10.2019 | Sociedade

Quem vive na Quinta do Alferes, uma Área Urbana de Génese Ilegal (AUGI) próximo da Subserra, na União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, continua à espera que os poderes públicos possam intervir no local para dar melhores condições de vida a quem ali comprou casa há mais de quarenta anos.
O MIRANTE esteve no local e constatou o que os moradores há muito se queixam: as ruas de terra batida estão esburacadas e em péssimo estado, ficando poeirentas de Verão e lamacentas no Inverno. A iluminação pública está avariada ou é praticamente inexistente. Não há passeios, não há floreiras, pequenos caixotes do lixo ou até bancos públicos, não há literalmente nada além das estradas de terra batida e das próprias habitações.
O mato está alto e por cortar há meses. Em alguns lotes desocupados já começa a ameaçar as habitações vizinhas. Há várias semanas que alguns moradores vão às reuniões públicas da Câmara de Vila Franca de Xira pedir ao presidente, Alberto Mesquita, que possa olhar pelo bairro e fazer alguma coisa para melhorar as condições de vida de quem ali vive.
O autarca tem prometido resolver algumas questões mas já avisou que os trabalhos de fundo só podem arrancar quando o processo de legalização da AUGI, actualmente em curso, esteja concluído. Incluindo a polémica revisão do Plano Director Municipal que prevê a demolição de 17 habitações à troca de 17 lotes em zona urbanizável, como O MIRANTE já deu nota.
Já este mês, os moradores voltaram a pedir ajuda ao presidente do município, desta vez por causa de uma oficina ilegal que nasceu no bairro e tem causado um aumento de automóveis avariados estacionados por toda a parte, incluindo óleos e outros subprodutos da manutenção que ali vão ficando a céu aberto. Alberto Mesquita diz que a oficina configura uma situação de ilegalidade e que os serviços de fiscalização estão a tentar notificar o proprietário para encerrar a actividade e limpar todo o espaço. Como não tem sido fácil foi solicitado o apoio das autoridades policiais. “O que peço aos serviços é que façam o que tiver de ser feito para alguém levantar um auto à pessoa em causa e acabar com essa situação”, reforçou Alberto Mesquita.
A história da Quinta do Alferes começou na década de 70 quando os lotes de Xavier Lima, empresário da construção, foram vendidos e as construções começaram sem licenças camarárias. Em 1996 foi concebido o primeiro plano de pormenor para a zona que acabou por permitir o avanço do processo de legalização, que se tem arrastado no tempo devido à sua complexidade e ao número de interessados envolvidos.

Urbanização da Quinta do Alferes nasceu torta e nunca se endireitou

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