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Filha mais nova de Marília Batista ainda hoje tem medo da polícia
Marília Batista e os filhos nunca esqueceram os momentos traumatizantes que viveram na madrugada de 20 de Junho de 2008

Filha mais nova de Marília Batista ainda hoje tem medo da polícia

Entrada da GNR a meio da noite para levar as crianças foi há onze anos

Edição de 04.12.2019 | Sociedade

O MIRANTE acompanhou o caso da família de Foros de Salvaterra que ficou traumatizada para sempre. Foi a intervenção da população que acabou por pôr fim ao drama. Os responsáveis pelo que aconteceu nunca deram explicações nem foram responsabilizados.
A filha mais nova de Marília Batista, Soraia, actualmente com 14 anos, ainda hoje tem medo da polícia e foge sempre que os vê. Soraia tinha três anos quando, na madrugada de 20 de Junho de 2008, elementos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos, escoltados pela GNR, entraram na casa de Marília Batista, em Foros de Salvaterra, e retiraram-lhe os três filhos menores por, alegadamente, a casa onde viviam ter falta de condições de higiene e habitabilidade.
A intervenção despropositada nunca chegou a ser explicada pelos responsáveis da CPCJ. A sociedade civil emocionou-se com essa história, indignou-se com a decisão da CPCJ e mobilizou-se para construir uma nova habitação de raiz para que as crianças, que entretanto tinham sido institucionalizadas, pudessem voltar ao lar. O que veio a acontecer em Março de 2010. O caso chegou a ter contornos maquiavélicos quando em certa altura a assistente social responsável pelo caso deu parecer negativo para que a família ocupasse a casa nova, por esta ter demasiado pó.
Já se passaram 11 anos, Marília emigrou com os três filhos para Inglaterra mas confessa a O MIRANTE que esses momentos traumáticos permanecem muito presentes na sua memória. “De vez em quando sonho que está tudo a acontecer de novo e acordo assustada porque estou a sonhar que me estão a levar novamente os meus filhos. Foi um trauma muito grande”, recorda. Marília lembra que quando os filhos estavam institucionalizados e iam passar o fim-de-semana a casa, Soraia só conseguia dormir com pistolas de plástico dentro da cama. “Dizia que era para se defender quando a polícia os viesse buscar”, recorda com a voz embargada.
Marília Batista acusa a técnica da Segurança Social que dirigiu o seu caso, Clara Carregado, de ter agido de “má-fé e com maldade” com a sua família. “Quem é que se lembra de colocar num relatório que os meus filhos não podiam viver comigo porque a casa tinha pó? A nossa casa ficava no meio do campo, é natural que tivesse pó”, critica Marília Batista. Desempregada e com três filhos para criar decidiu emigrar há sete anos. Diz que foi a melhor decisão que tomou. A filha mais velha, Tatiana, já tem a sua família, e trabalha. Os mais novos vivem com a mãe e são bons alunos.
A técnica da CPCJ de Salvaterra de Magos, responsável pelo caso de Marília Batista, está actualmente a trabalhar na CPCJ de Coruche e, ao que O MIRANTE apurou, as polémicas acalmaram.

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