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Funcionário da Águas do Ribatejo agredido por cliente em Alpiarça
Otílio Monteiro

Funcionário da Águas do Ribatejo agredido por cliente em Alpiarça

“Nesta trapalhada das facturas da água somos o elo mais fraco e temos medo”, diz Otílio Monteiro a O MIRANTE. Funcionário da empresa municipal há 11 anos, confessa que as pessoas andam revoltadas e são os trabalhadores no terreno quem ouve as queixas e sofre as consequências.

Edição de 04.01.2021 | Sociedade

Em 11 anos de trabalho na Águas do Ribatejo Otílio Monteiro nunca sentiu a sua integridade física ameaçada, até ao dia 26 de Novembro. Dificilmente irá esquecer a data em que levou uma forte cabeçada de um cliente maldisposto. Em resposta a uma ocorrência normal de turvação de água, em Alpiarça, Otílio e o seu colega de trabalho, Orlando Filipe, deslocaram-se à morada que receberam por email, mas ao tocarem à campainha a recepção não foi a esperada. “Mal abriu a porta o homem já nos estava a chamar nomes” conta Otílio a O MIRANTE, em Glória do Ribatejo, onde reside.
“Dizia ‘desapareçam daqui. Eu desfaço-os. Eu mato-os’, chamou-nos tudo e mais alguma coisa e, no meio dos impropérios, disse entre dentes que tinha uma factura de 700 e tal euros para pagar”, conta o funcionário, acrescentando que tentou acalmar o cliente e fazer-lhe ver que não estavam ali por causa do dinheiro. Mas nada demoveu o homem que investiu de imediato com uma cabeçada. “Fui apanhado de surpresa, o meu colega também estava fora da carrinha e ficou sem reacção, perplexo”, confessa Otílio.
A irmã do homem conseguiu agarrá-lo e levá-lo para casa, mas tal como o irmão insultou os funcionários da Águas do Ribatejo. Otílio e Orlando voltaram para a carrinha e quando faziam a manobra para sair do local o veículo foi atingido por um vaso arremessado pelo cliente, que voltou a sair de casa.
Com um golpe no sobrolho, Otílio dirigiu-se à GNR de Alpiarça para apresentar queixa e ali foi aconselhado a ir primeiro ao centro de saúde tratar dos ferimentos. No dia seguinte fez um raio-X à cabeça, em Benavente. Tinha férias marcadas até ao feriado de 8 de Dezembro e acabou por gozá-las em casa a cuidar da ferida.
A administração da Águas do Ribatejo anunciou que vai avançar com uma acção judicial contra o autor da agressão, estando igualmente em análise situações de “difamação” de que a empresa considera ter sido alvo.
Para quarta-feira, 9 de Dezembro, Otílio tinha regresso marcado ao trabalho, mas sente que nunca mais será como antes. Agora o receio vai acompanhá-lo, mesmo nas tarefas mais corriqueiras. “Vou com mais precaução. As pessoas andam revoltadas e temos medo. Nesta trapalhada das facturas somos o elo mais fraco, mas somos nós que andamos no terreno e temos que ouvir”, desabafa.
Por vezes, quando andam na carrinha da Águas do Ribatejo, há populares que os mandam parar e perguntam como podem fazer para resolver as questões das facturas com valores que consideram errados. Otílio e Orlando ajudam como podem, explicam que têm que marcar para serem atendidos e por vezes até “espreitam” os contadores para ver se está tudo bem ou se haverá alguma rotura.
A uma semana de distância do incidente, Otílio, de 57 anos e com uma boa constituição física, diz-se surpreendido consigo mesmo por ter conseguido manter a calma e o sangue frio. Da empresa só tem bem a dizer, o próprio director-geral ligou-lhe para saber como estava e assegurou-lhe que a empresa vai avançar juridicamente “até às últimas consequências”. Também os colegas estão solidários e têm mantido o contacto para saber do seu estado de saúde.

Águas do Ribatejo
condena agressão
Depois do incidente, a Águas do Ribatejo (AR) enviou um comunicado às redacções onde condenou o acto e afirmou que a empresa tem sido alvo de “sucessivos ataques” e “notícias difamatórias” nas últimas semanas devido a “alegados abusos” e a “facturas elevadíssimas” ou “outras histórias das quais habitualmente se conhece apenas uma das partes”.
A AR insiste que os “muito poucos” erros que existem têm sido corrigidos e que, “na esmagadora maioria” dos casos, as facturas traduzem o que foi consumido por parte dos clientes. A empresa refere ainda que expressa todo o apoio e solidariedade para com o trabalhador vítima da agressão e a todos os que trabalham diariamente na prestação dos serviços públicos essenciais de água e saneamento.
A empresa diz estar sempre disponível para receber críticas e reclamações, mas que tal tem que acontecer com respeito, civilidade e honestidade, “não pode valer tudo”, remata.

Funcionário da Águas do Ribatejo agredido por cliente em Alpiarça

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