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Museu do Ar em Alverca só abre à segunda-feira mas merece uma visita
Diana Silva, Carlos Mouta Raposo e Florbela Macieira no Museu do Ar em Alverca - foto O MIRANTE

Museu do Ar em Alverca só abre à segunda-feira mas merece uma visita

O MIRANTE revisitou o Museu do Ar em Alverca que, este ano, celebra 55 anos de portas abertas para a comunidade. A instituição preserva não apenas aeronaves históricas, mas também as histórias de quem ajudou a construir a aviação portuguesa. À frente da missão está o coronel Carlos Mouta Raposo, director do museu desde 2019, que fala com O MIRANTE por ocasião do Dia Internacional dos Museus.

Sintra não é mais especial para quem lidera o Museu do Ar e por mais anos que passem o pólo de Alverca do Ribatejo será sempre o local onde nasceu, há precisamente 55 anos, o sonho da Força Aérea de imortalizar a história da aviação nacional. Por esse motivo, a comunidade deve continuar a ter orgulho em ter na cidade o local original onde tudo nasceu, reflecte o coronel Carlos Mouta Raposo, director do Museu do Ar, em entrevista a O MIRANTE. A 18 de Maio assinalou-se o Dia Internacional dos Museus, pretexto para o nosso jornal revisitar aquele espaço museológico do concelho de Vila Franca de Xira que ainda tem muito para oferecer, apesar de só abrir às segundas-feiras. É certo que, em 2009, viu boa parte do seu espólio ser transferido para Sintra, numa decisão que fez correr muita tinta mas que foi uma inevitabilidade, devido à incapacidade do museu de Alverca em ter terreno para poder crescer e ampliar-se.
Apesar de muitas pessoas associarem a Sintra o espaço principal do Museu do Ar, o director faz questão de esclarecer: “Sintra não é o museu principal, é também um dos pólos do museu, que tem mais objectos em exposição. Não gostamos de distinguir se há um principal ou não. E se houver, é este de Alverca, porque é onde tudo começou”, refere. A vantagem de Sintra é ter mais espaço. “E ter mais espaço permite ter mais peças disponíveis para mostrar e oferecer uma experiência diferente. Mas os dois pólos complementam-se e devem ser visitados em conjunto. Um entusiasta da aviação tem que vir aos dois sítios. Um sem o outro nunca serve. O que está aqui não está lá. Deve começar aqui em Alverca e só depois ir a Sintra”, lembra. Mesmo a abrir apenas uma vez por semana, o museu de Alverca contabilizou, no último ano, mais de 1.500 visitantes.

Chipmunk celebra 75 anos
Em Alverca estão expostas 12 aeronaves, enquanto Sintra acolhe 40, além de várias peças em reserva. O museu de Alverca conta também com motores, equipamento de voo, memorabilia militar e objectos históricos de grande relevância. Uma das peças mais emblemáticas em Alverca é a réplica do Santa Cruz, construída nos anos 70 na OGMA, avião que levou Gago Coutinho e Sacadura Cabral na travessia pelo Atlântico Sul. “É a única réplica que temos. Tudo o resto é original. São aviões que prestaram serviço em operação para a Força Aérea. O original do Santa Cruz está no Museu da Marinha”, refere o coronel, que tem no hidroavião Widgeon uma das suas preferências pessoais.
Um dos aviões emblemáticos do museu, o Havilland Canada DHC1 Chipmunk, onde muitos pilotos fizeram a formação de voo, assinala este ano 75 anos de operação na Força Aérea, incluindo 80 anos desde o voo do primeiro protótipo e 65 anos desde que a última aeronave deste tipo foi montada nas OGMA. “Vamos ter este ano muitas comemorações sobre esta aeronave”, revela.
A manutenção do património do museu exige trabalho técnico especializado. “As corrosões têm que ser atacadas. Os óleos de preservação têm que ser mantidos. Os couros têm que ser hidratados. Tudo aquilo que é necessário fazemos”, explica. O pior é a manutenção das aeronaves que estão no exterior do edifício, que já dão mostras de algum desleixo. O responsável garante que está prevista uma acção de limpeza para breve.
Uma das questões mais frequentes entre os visitantes prende-se com o horário limitado de abertura do pólo de Alverca, actualmente apenas acessível às segundas-feiras, quando fecha o de Sintra. “Gostaríamos de abrir mais vezes mas o protocolo que temos com a Câmara de Vila Franca de Xira estabelece que abrimos apenas à segunda-feira, e abrimos dentro daquilo que nos é humanamente possível nesta fase. Num mundo ideal tinha o espaço aberto 24 horas”, explica.

Museu do Ar em Alverca só abre à segunda-feira mas merece uma visita

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