Plantas são decoração, companhia e conforto
No Dia Internacional do Fascínio das Plantas, Anabela Russo da Costa, florista em Almeirim, explica como as plantas deixaram de ser apenas elementos decorativos para se tornarem fonte de bem-estar, companhia e equilíbrio emocional para muitas pessoas.
As plantas enfeitam casas, varandas e jardins, mas para muitas pessoas são muito mais do que objectos decorativos. São companhia, conforto emocional, presença diária e uma forma simples de trazer tranquilidade e cor à vida. No âmbito do Dia Internacional do Fascínio das Plantas, Anabela Russo da Costa, proprietária da Florista Ninês e Tita, em Almeirim, conta a O MIRANTE que nota cada vez mais clientes que procuram plantas não apenas pela beleza, mas também pela energia e bem-estar que transmitem. Com 51 anos, Anabela Costa trabalha no mundo das flores desde a adolescência, por influência de uma tia produtora de flores. Começou a acompanhar esse trabalho ainda criança e, aos 14 anos, já ajudava nas estufas. “Aos 12 anos, nas férias da escola, também ia para as estufas trabalhar. Foi tudo influência dela. Se ela não fosse produtora de flores, nem fazia ideia que existia este mundo tão vasto e tão grande”, recorda. Mais tarde, aos 18 anos, abriu a primeira loja nas Fazendas de Almeirim, inicialmente com o objectivo de criar um posto de trabalho para uma pessoa próxima. Com o passar dos anos chegou a ter várias lojas em simultâneo, em Almeirim, Santarém e Alpiarça, até optar por manter apenas o espaço actual e o armazém de distribuição, conciliando a profissão com a vida familiar.
Ao longo do percurso, a florista diz ter percebido que quem gosta de plantas revela, muitas vezes, uma sensibilidade especial. Cuidar de uma planta exige atenção, paciência e dedicação, como acontece com qualquer ser vivo. “Quem gosta de plantas, para mim, são pessoas sensíveis. Conforme tu a cuidas, assim ela se vai comportar e crescer”, afirma. Na loja, há clientes que entram apenas para sentir o cheiro das flores ou para comprar uma planta que ajude a alegrar a casa num momento mais difícil. “Ainda há uns dias tive aqui uma senhora que disse: preciso de comprar estas flores, preciso de energia na minha casa, preciso de olhar para ali e ver cor”, conta. Para a florista, as plantas também espelham emoções. As cores escolhidas pelos clientes acabam, muitas vezes, por revelar estados de espírito. “Se me aparece aqui uma pessoa a pedir algo colorido ou se pede uma flor branca, isso já dá uma indicação de como a pessoa se sente”, explica. Essa ligação emocional pode ir ainda mais longe. Anabela Costa conta que há pessoas que falam diariamente com as plantas, sobretudo clientes que vivem sozinhos. Para alguns, cuidar de uma planta é uma rotina afectiva. “Há muita gente que fala com as plantas como se fossem pessoas ou animais. Há pessoas cuja companhia é levantar-se, regar a planta e cuidar dela”, refere. A florista acredita que as plantas “comunicam à sua maneira” e que acabam por criar uma ligação muito própria com quem delas cuida. Em alguns casos, comprar plantas torna-se mesmo um hábito regular. “Há pessoas que todos os dias levam qualquer coisa para casa. Passa a ser um hábito, como beber água”, diz.
Anabela Russo da Costa rejeita ainda a ideia de que o fascínio pelas plantas seja exclusivo das mulheres. Pela loja passam frequentemente homens à procura de flores para colocar em casa, num jarro, ou de plantas para decorar e dar vida aos espaços. “Quem diz que não gosta de plantas às vezes é só para ser diferente ou do contra. Afinal, quem é que não gosta de receber uma flor?”, questiona.

