Descargas indevidas no Paúl de Manique devem-se à sobrecarga de caudal
No Inverno a rede chega a receber cinco vezes mais caudal para o qual foi dimensionada devido à entrada de efluentes indevidos, diz a Águas do Tejo Atlântico. Descargas no Paúl de Manique, zona húmida de elevado valor ecológico em Manique do Intendente, preocupam por colocarem em risco a saúde pública e milhares de espécies.
A Águas do Tejo Altântico, empresa responsável por gerir as infraestruturas que servem a rede de saneamento em alta junto ao Paúl de Manique do Intendente, no concelho de Azambuja, diz que as descargas indevidas se devem à sobrecarga de caudal e “afluências indevidas” da rede. Quando estas afluências entram em sistemas de drenagens onde não deveriam estar podem causar sobrecarga, inundações, danos nas infraestruturas e problemas ambientais e de saúde pública.
Em esclarecimentos a O MIRANTE, a empresa refere que aquelas infraestruturas “foram concebidas para recolha e transporte de águas residuais urbanas e esse dimensionamento tem capacidade de escoamento durante o ano, com algumas exceções na época das chuvas”. No Inverno, refere, “esta rede chega a receber quatro a cinco cinco vezes mais caudal para o qual foi dimensionada, com origem em afluências indevidas da rede em baixa unitária”.
A Águas do Tejo Atlântico garante ainda que “por forma a manter os elevados níveis de serviço e operacionalidade, é promovida a limpeza frequente, com recurso a viatura de hidroaspiração industrial, a aspiração e limpeza do Emissário de Manique do Intendente”.
O esclarecimento da empresa responsável vem na sequência da notícia de O MIRANTE que dá conta de descargas de águas residuais que estão a poluir a água e os solos do Paúl de Manique do Intendente, um rico ecossistema de zona húmida no concelho de Azambuja com 1.600 espécies de fauna e flora identificadas, cinco das quais em risco e com estatuto de protegidas, como o cágado-de-carapaça-estriada, o caimão-comum, a lontra, a cegonha-preta e o junco. Esta é uma situação que preocupa a Anabela Cruces, doutorada em Geologia do Ambiente e coordenadora do projecto “Paúl Natura - Conhecer para proteger”, que defende que o encerramento e relocalização aquela conduta para fora da zona húmida. Também o presidente da junta da União de Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa, Pedro Gil, alertou em Assembleia Municipal de Azambuja para o “problema grave de saneamento” junto ao Paúl. O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio (PS), disse ao nosso jornal estar preocupado com a situação e referiu que já alertou a empresa responsável.


