Azambuja quer responsabilização pela morte de animais nas cheias
Autarcas estão indignados e afirmam que “a culpa não pode morrer solteira”. Vários animais, desde cães a coelhos, foram encontrados mortos, por afogamento ou falta de alimento, na sequência de inundações dos terrenos das hortas sociais.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, quer o apuramento de responsabilidades nos casos das mortes de animais, de espécies pecuárias e domésticas, que foram deixados ao abandono em talhões de hortas sociais que ficaram inundados pelas cheias na freguesia de Azambuja. De acordo com o IRA- Intervenção e Resgate Animal “dezenas de animais mortos por afogamento” foram encontrados, “deixados para trás em Azambuja”.
“Não encontro palavras para atitudes deste calibre. A culpa não pode morrer solteira, tem de haver responsabilidade sobre esta matéria”, afirmou na última reunião pública do executivo municipal. O autarca socialista acrescentou que o município deu “todo o apoio” a quem “pediu e transmitiu emergências”, nomeadamente relativas a animais. Deu como exemplo o caso de um proprietário de ganadaria de toiros bravos que solicitou ajuda para a retirada dos animais, sendo que foi possível resgatar alguns e garantir a segurança e alimentação dos que ficaram no campo.
Também o vice-presidente daquele município, António José Matos, reagiu com indignação pela “indiferença perante a morte” e vincou que a situação é “grave” e não pode ficar sem consequências. “Como se pode deixar animais presos? Coelhos dentro de coelheiras que morreram afogados, galinhas dentro de capoeiras que morreram afogadas, cães amarrados a correntes... não nos pediram ajuda, soube-se depois”, disse, salientando que a situação merece uma reflexão para que possam ser tomadas, atempadamente, outras medidas.
No âmbito da Operação Maré Cheia, tal como O MIRANTE deu nota na edição de 19 de Fevereiro, o IRA, relatou o “resgate de animais fechados em construções precárias inundadas que se encontram em risco de afogamento” e casos em que, “devido ao caudal das águas”, os “animais encontravam-se isolados há vários dias, tendo por isso morrido por falta de alimento.
A veterinária municipal de Azambuja, Marisa Santos, reconheceu a O MIRANTE que “alguma coisa falhou” e que é preciso “tirar as devidas ilações e consequências”, tendo em conta a mortandade e a quantidade de animais que foram deixados para trás em talhões afectos às hortas sociais. “Fiquei bastante desiludida e triste. Tenho de garantir o bem-estar animal e sinto que falhei neste aspecto, por ter acreditado nas pessoas e não ter batido a cada porta, presencialmente”, disse em declarações ao nosso jornal, explicando que as pessoas foram avisadas pela protecção civil, por comunicados e algumas telefonicamente, do perigo que as inundações representavam para os animais. A Guarda Nacional Republicana confirmou que acompanhou as operações, tendo elaborado os respectivos autos para identificação dos responsáveis pelos talhões onde animais foram encontrados, que seguem para o Ministério Público.


