Sociedade | 18-05-2026 13:31

Infecções por bactéria na pediatria do Hospital Vila Franca de Xira preocuparam pais

Infecções por bactéria na pediatria do Hospital Vila Franca de Xira preocuparam pais

Entidade que gere o hospital já veio confirmar, à data de fecho desta edição, dois diagnósticos de campilobacteriose, que pode ser fatal em recém-nascidos, mas nega surto na região. Uma das crianças já teve alta e a outra está em casa a evoluir favoravelmente.

Há registo de pelo menos dois bebés, de 2 e 10 meses, de Vila Franca de Xira e do Carregado, infectados com campilobacteriose no Hospital Vila Franca de Xira. A infecção pela bactéria Campylobater provoca febres altas durante vários dias e sangue nas fezes. O pai de uma das crianças, Isac Rocha, foi dos primeiros a dar conta publicamente da situação, acusando o hospital de não estar a ser verdadeiro quando nega não existir um surto desta bactéria na pediatria da unidade. “Estão claramente a encobrir a situação para não gerar alarme. Mas há muitas crianças infectadas. A realidade é que a situação é grave e todas devem ter comido de um lote de comida contaminada ou algo semelhante”, diz o pai a O MIRANTE, que tem o filho diagnosticado com a bactéria há mais de uma semana e garante conhecer mais pais na mesma situação, que estão apreensivos. “O que se está a passar não é uma brincadeira. As crianças não têm nada em comum entre elas, não frequentaram a mesma escola nem são amigos”, revela. Na unidade hospitalar as crianças não tiveram contacto entre si.
Num primeiro momento a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo (ULSET), entidade que gere o hospital, negou a existência de um surto bacteriológico na pediatria, mantendo, à data de fecho desta edição, essa convicção. A 18 de Maio estavam confirmados dois casos de campilobacteriose, que foram comunicados à Autoridade de Saúde Pública para realização de inquéritos epidemiológicos às famílias das crianças. A delegada de saúde quis saber, entre outras questões, que comida foi ingerida e de onde, bem como que água as crianças ingeriram e que estabelecimentos frequentaram.
Segundo a ULSET, dos inquéritos realizados pela delegada de saúde, não foi identificado qualquer vínculo epidemiológico entre os casos notificados, “não existindo qualquer evidência de surto institucional ou outro” na região, como creches ou contactos próximos entre as crianças referenciadas. Segundo a ULSET, uma das crianças já teve alta e a outra está em casa a evoluir favoravelmente.
A infecção por Campylobacter é relativamente comum, geralmente resultando numa gastroenterite com diarreia, frequentemente com sangue e dores abdominais. Em recém-nascidos, idosos e pessoas imunodeprimidas acredita-se que pode ter efeitos mais graves ou até fatais. A doença é causada por uma bactéria presente na flora dos intestinos de bovinos, suínos e aves, bem como a flora normal de cães e gatos e algumas aves. A maioria das infecções ocorre por consumo de carne mal cozida, especialmente frango e carne bovina, bem como pelo consumo de leite não pasteurizado ou bebendo água infectada. A maioria dos doentes recupera em dois a cinco dias.

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