Sociedade | 14-10-2026 23:20
Resposta ao autor de “A purga”
Direito de resposta
No tocante ao artigo de opinião encimado pelo título “A purga”, inserto em O MIRANTE, solicitamos respeitosamente a V. Exa. a publicação da seguinte resposta:
- Olhando o percurso histórico da Misericórdia de Santarém, a partir do momento em que Domingos Guedes ocupou, pela primeira vez, o cargo de Provedor, corria o ano de 1504, apenas três das 220 personalidades que, comprovadamente, desenvolveram tais funções não tinham ocupado cargos políticos.
- A personalidade definida, no citado artigo, como “directora-geral” saiu, após atingir a reforma, por sua iniciativa expressa e amplamente comunicada, pela própria, no seio da Instituição.
- Os Irmãos que perderam essa qualidade por não pagarem, durante mais de um ano, uma quota de 12,00€, foram reiteradamente avisados, nos termos do Compromisso, a fim de regularizarem a situação no prazo de trinta dias.
- Tomada com conhecimento de todos os factos, a deliberação da Assembleia Geral, que retirou a qualidade de Irmão a um dos seus membros, foi objecto de ampla discussão por significativo número de participantes, os quais votaram favoravelmente, por larga maioria, uma posição que viria a ser validada pelo competente superior hierárquico, no âmbito da Igreja, que, neste como noutros domínios, tem a tutela da Santa Casa.
- Longe de ser pautada por homogeneidade de pensamento, a Assembleia Geral é enriquecida pela multiplicidade de opiniões e de pontos de vista diversificados, pelo que se manifesta o mais vivo repúdio perante a acusação de que se trata de uma Assembleia adormecida e domesticada. A mesma indignação se exprime perante o desrespeito com que foram tratados os colaboradores da SCMS, escrupulosos cumpridores das funções que lhe são cometidas, sem que, entre eles, a entidade patronal faça qualquer distinção ao aplicar os normativos legais a que está sujeito.
- No que concerne às obras criticadas, entendemos como prioritária a recuperação da Igreja de Jesus Cristo, onde prosseguem valiosos trabalhos no seu interior, mediante restauro da talha dourada, investimento comparticipado pelo Fundo Rainha Dona Leonor, ao qual nos candidatámos, com sucesso, em 2025. Sublinhe-se que o próprio autor de “A purga” manifestou o mesmo sentido de urgência, em termos expressos, no dia 18/10/2024.
- Por fim, em relação às contas, todas oficialmente certificadas e aprovadas, o seu conteúdo desmascara as incorreções da crítica, porquanto o resultado do último exercício (2025) apresentou um excedente líquido, mesmo sem contar com alienações de imóveis e donativos recebidos. Isso mesmo foi ouvido pelo autor da crítica – que se diz ter sido apelidado de “idiota” – quando foi lido o parecer do respectivo Conselho Fiscal, de que citamos somente a seguinte passagem: «registe-se que, no conjunto dos últimos 14 anos, o exercício de 2025 é o único a apresentar um excedente positivo, mesmo descontando o valor das alienações e de donativos extraordinários», conforme ata da sessão da Assembleia Geral realizada no dia 30/03/2026, acessível ao público através de consulta do site da Misericórdia de Santarém: Ata 2026-03-30
- Ainda a propósito de contas, sublinham-se as declarações de o autor de “A purga”, proferidas a 25/03/2024, ao solicitar a palavra para «mostrar também a sua preocupação com a situação económica e financeira da Instituição, que apelidou de “doença das contas”, adiantando mesmo que a SCMS é que “estava doente”. Exortou o Provedor [a sua posse ocorrera no dia 12/01/2024] a tomar as medidas necessárias, por mais graves que sejam, “cortando onde houver a cortar, a fim de salvar a Misericórdia de Santarém”.» (acessível em Ata 2024-03-25).
Trata-se de um repto desafiante ao qual a Mesa Administrativa, em 33 meses de actividade, tem procurado dar plena concretização. A obra realizada está à vista de todos.
Santarém, 14 de Outubro de 2026.
Pel’A Mesa Administrativa,
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