Três Dimensões | 25-05-2022 14:59

“É um abuso o que está a acontecer com o aumento dos preços”

Raquel Gama Simões é notária do Cartório Notarial do Carregado, concelho de Alenquer

Raquel Gama Simões, 34 anos, Notária do Cartório Notarial do Carregado, Alenquer.

Raquel Gama Simões é de Arranhó, Arruda dos Vinhos, e quando era pequena sonhou ser cozinheira mas a paixão pelo Direito fê-la escolher a profissão de notária. Cativa-a na profissão lidar com as pessoas e saber que as ajuda a resolver os seus problemas. Diz não ser viciada em trabalho mas admite que trabalha demasiadas horas e que a família é que paga o preço. O melhor momento do seu dia é quando recebe um abraço do filho.

O meu primeiro emprego foi num cartório. Quando estudava pensei seguir Humanidades mas decidi-me pelo Direito. Apaixonei-me por esta profissão e nunca equacionei seguir outra dentro desta área. É uma profissão em que lidamos com o acordo: acordo na compra e venda, nas partilhas, entre outros. Somos chamados não apenas em situações de litígio. O nosso papel é formalizar as vontades das pessoas. Um notário é um oficial público e estamos dependentes do Ministério da Justiça. Se observarmos atentamente reparamos que temos uma intervenção em todas as fases da vida da pessoa, desde que nasce até à sua morte.
Estou no Carregado desde 2017 quando concorri e tomei posse da licença do cartório. Cativou-me nesta profissão lidar com as pessoas, é isso que me apaixona. Olhar e aplicar o Direito para casos concretos. Faço o que gosto e por isso as longas horas de trabalho não costumam ser um problema. Gosto de desafios mas não me considero viciada em trabalho. Sei que trabalho mais horas do que deveria e sei que precisava de dedicar mais tempo à família e ao lazer.
Tira-me do sério a falta de paciência da sociedade e o egoísmo. Com a pandemia parece ter-se notado mais esses problemas. Não ficámos melhores com a pandemia e podemos ambicionar ser melhores enquanto sociedade. Se ficarmos satisfeitos com o que temos no momento estamos a pensar pequeno. É essa inquietação que nos faz crescer e sermos melhores.
O que me alegra no dia-a-dia é quando o meu filho de 18 meses me dá um abraço. Ele é o mais prejudicado pelas horas que dedico ao trabalho todos os dias. O principal valor pelo qual devemos reger a nossa vida é sermos honestos e verdadeiros e é isso que quero para ele. Quando era pequena houve uma altura em que queria ser chefe de cozinha. Os meus pratos favoritos são feitos pela minha avó Maria: uns bifes panados com fiambre e queijo maravilhosos. Gosto de cozinhar e não me importo de sair tarde do trabalho e ainda ir fazer o jantar.
É um abuso o que está a acontecer com o aumento dos preços. Sei que é fruto de várias circunstâncias mas o preço dos combustíveis é assustador. Já atendi vários ucranianos que fugiram da guerra e tentaram explicar pelo que passaram. É assustador. Esperamos não ter de continuar a passar por esta guerra e ver famílias inteiras com crianças a fugir. Houve pessoas no Carregado que foram em carrinhas buscá-las à fronteira para as ajudar.
O Carregado tem hoje potencial para ser um dos principais centros empresariais da região. Tem muita dinâmica, muitas pessoas e empresas, com grandes acessos a norte e sul e uma excelente localização, sobretudo para os transportes e logística. Só gosto de ler jornais e livros em papel. Não leio no computador e não vejo jornais nem revistas online. Não leio e-books. Gosto do papel porque passo muitas horas ao computador e quando vou ler quero estar afastada do computador. Ainda não concretizei a minha viagem de sonho que é conhecer Nova Iorque. É a cidade postal dos Estados Unidos da América. Também gostava de conhecer São Francisco, Washington e Miami.

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