Três Dimensões | 21-06-2022 21:00

“Os políticos têm de sair dos gabinetes e vir para a rua falar com as pessoas”

Sandra Marcelino é a primeira mulher a presidir à Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira

Sandra Marcelino, 50 anos, presidente da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira.

É uma vilafranquense apaixonada pela sua terra e confessa-se profundamente bairrista e fã das festas do Colete Encarnado. Com os anos Sandra Marcelino aprendeu a gostar das virtudes do resto do concelho. Tira-a do sério a ingratidão e diz que é urgente resolver os problemas de trânsito do sul do concelho. Jurista de profissão, é também a actual chefe de gabinete da secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes. Diz que na política é fundamental promover os valores morais e quer aproximar a assembleia municipal dos cidadãos.

Envolvi-me na política quando acabei a faculdade porque queria ajudar a fazer a diferença e melhorar a minha terra. Sou muito bairrista e queria contribuir para a comunidade. Identifiquei-me com o projecto do PS e fui eleita municipal e presidente da Assembleia de Freguesia de VFX. Renunciei à assembleia municipal (AM) quando Maria da Luz Rosinha me desafiou para ser sua adjunta no gabinete. Na política os valores morais devem estar acima de tudo e nunca poderia estar num órgão fiscalizador a decidir sobre documentos que ajudara a conceber.
Na política temos de dar o exemplo. Espero no final do mandato deixar a AM mais próxima das pessoas, para que elas possam perceber qual o papel que esta tem no funcionamento do concelho, e que não olhem para esse órgão como apenas mais um boletim onde têm de votar. Queremos sair dos gabinetes e estar na rua. A sessão do 25 de Abril foi um bom exemplo, foi muito gratificante ver o contacto das pessoas. Estamos a preparar um plano de actividades que inclui seminários, debates e discussões públicas no futuro. Temos mesmo de vir para a rua falar com as pessoas. Esse é o caminho. Os políticos têm de sair dos gabinetes.
Quando decidi ser mãe larguei o trabalho e dediquei-me apenas aos filhos. Foi uma escolha poder aproveitar ao máximo o seu crescimento. Há mulheres que não fazem esse caminho mas essa foi a minha decisão. Acredito que ainda é fácil conciliar a vida profissional com a familiar. Gostei muito mas ao fim de algum tempo já desejava voltar ao trabalho. Adoro trabalhar e não consigo estar desocupada. Também gosto de passar uma hora a olhar para a TV sem pensar em nada mas tenho a sorte de fazer o que gosto.
Ser a primeira mulher presidente da assembleia municipal é uma coisa natural. Se isso servir para inspirar outras mulheres óptimo. Estamos num concelho onde uma outra mulher abriu imensas portas no passado, a Maria da Luz Rosinha. Ela mostrou a todos o que uma mulher pode fazer. Foi um exemplo para muitas, incluindo para mim. Não por ter sido mulher mas, sobretudo, por ter uma grande capacidade de trabalho. Nunca me olharam de forma diferente ou faltaram ao respeito por ser mulher.
Não acredito na sorte mas sim nas oportunidades e na capacidade de trabalho que precisamos ter para as conquistar. Revolta-me a ingratidão, as pessoas não conseguirem reconhecer o bom que as outras pessoas nos fazem. Eu sou por natureza uma pessoa extremamente grata. Adoro boa gastronomia e o meu prato favorito é o arroz de pato da minha mãe. Gosto muito do Colete Encarnado e estou cheia de saudades da festa. Agora que vivo na Castanheira do Ribatejo já consigo dormir nesses dias (risos). Gosto muito de viajar e gostava de ir a Nova Iorque por altura do Natal.
Nos últimos anos virámos o país do avesso na promoção da igualdade. A Ana Sofia Antunes abriu as portas e teve da parte dos outros governantes um caminho para entrar. Finalmente fala-se de forma natural da inclusão e de permitir que as pessoas com deficiência exerçam os mesmos direitos com ferramentas que até aqui não tinham. E isso tem sido extraordinário.
O presidente da câmara tem de resolver o problema do trânsito. Espero que consiga junto do governo os meios para avançar com o Nó dos Caniços, os moradores do sul do concelho precisam mesmo desse acesso. O trânsito é terrível. Também precisamos de trazer investimento financeiro e empresas tecnológicas. É preciso emprego de qualidade para fixar as pessoas.

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