Três Dimensões | 24-08-2022 21:00

As mulheres trazem mais sensibilidade e intuição à administração de uma empresa

Sílvia Marante é hoje um dos rostos principais da empresa de materiais de construção e decoração fundada pelo pai há 49 anos

Sílvia Marante, 52 anos, empresária e gerente da empresa de materiais de construção e decoração Marante, Tomar

Sílvia Marante estava a dar os primeiros passos na área do Direito quando o seu pai, proprietário da empresa Marante, em Tomar, faleceu. Foi há 24 anos. Teve que optar e decidiu dar continuidade ao negócio da família em parceria com a irmã, Margarida. Considera que uma mulher traz muito mais sensibilidade e intuição à administração de uma empresa e está habituada a trabalhar num negócio maioritariamente masculino. Tomar está no bom caminho ao apostar no turismo mas faltam novas empresas que dêem maior impulso à economia do concelho.

O meu pai faleceu três meses antes do nascimento do meu primeiro filho. Eu tinha 28 anos e terminado a minha formação em Direito. Estava a trabalhar na área conciliando com a empresa, onde ajudava. Com a morte inesperada do meu pai, há 24 anos, tive que optar. Desisti da advocacia e dediquei-me à empresa a tempo inteiro. Escolhi dar continuidade ao projecto do meu pai. A sua morte foi um momento muito complicado para a família e o nascimento do meu filho mais velho veio atenuar um bocadinho a dor, sobretudo para a minha mãe, distraindo-a.
Na infância passava os domingos em casa dos meus avós maternos com os meus irmãos. Brincávamos na terra e tomávamos banho de mangueira. O meu avô tinha um carro a pedais, muito arcaico, mas adorávamos brincar naquilo. São memórias muito felizes as que temos da infância. Nas férias escolares ia sempre para a empresa do meu pai ajudar no que fosse preciso. A empresa tem 49 anos e quando era mais pequena ajudava a passar documentos à mão, tudo o que fosse preciso e que eu conseguisse fazer.
Uma mulher traz muito mais sensibilidade e intuição à administração de uma empresa. A nossa empresa é de venda de materiais de construção e decoração. Existe uma grande harmonia entre mim e a minha irmã, que também administra a empresa. Damo-nos muito bem e entendemo-nos na perfeição. Nunca houve conflitos e normalmente estamos sempre de acordo. Ela trata de um departamento e eu de outro. O nosso irmão mais velho também tirou Direito e trabalha nessa área, mas sempre que pode também nos ajuda naquilo que precisamos.
Quando comecei a trabalhar na empresa era a única mulher em muitas reuniões. A nossa área de negócio é maioritariamente masculina e sempre lidei com homens. Ao início nunca nada é fácil mas agi sempre com naturalidade e sempre fui respeitada, tanto eu como a minha irmã. O segredo do sucesso da Marante, que completa no próximo ano meio século de existência, é o respeito por clientes, fornecedores e colaboradores. Somos uma família. Sempre que alguém entra para a equipa digo que vem trabalhar para uma família. Gostamos de acarinhar toda a gente.
O momento mais emocionante da minha vida foi o nascimento dos meus dois filhos. A vida dá uma volta gigante. Temos que mudar a nossa rotina e passa a ser tudo em função deles, mas sempre consegui conciliar o trabalho com o papel de mãe. É uma questão de organização e planeamento. Com calma tudo se faz. O momento mais complicado foi a morte do meu pai, porque éramos todos muito ligados a ele. Faz-nos muita falta.
Desde criança que tinha o sonho de conhecer Paris. Concretizei esse sonho depois de casar. Já fui ao Dubai, onde é tudo em grande escala e há muito dinheiro. Fiz um safari no Quénia, em África, e é exactamente o oposto do Dubai. Parece que estamos mais perto do coração do planeta. Ali o tempo parece que pára. É tão bonito observarmos os animais no seu estado puro, no meio da Natureza, tão longe da civilização. Gostava de ir às Maldivas. Gosto de programar as férias e este ano vamos para o Algarve.
Prefiro pensar no que vou dizer antes de falar. Não sou impulsiva, até porque a palavra é como a bola: depois de lançada não conseguimos controlar o resto da conversa. Sempre fui calma e boa ouvinte. Quando estou perante um problema inesperado procuro demonstrar calma e não reagir a quente. Com calma tudo se resolve. Gosto de escrever num diário e faço colagens de revistas e jornais. Escrevo frases e pensamentos, algumas histórias e desenhos. Nunca publiquei nem penso em fazê-lo. É algo muito pessoal, só meu. Quando estou entretida nesses pensamentos e colagens não penso em mais nada. É uma forma de descomprimir. Pratico yoga duas vezes por semana o que me ajuda a andar serena.
Não pode valer tudo para alcançar o sucesso. Falta de integridade e corrupção são coisas com as quais não compactuo. Não suporto que me mintam e não consigo voltar a confiar. Também detesto que faltem à palavra dada. Quando digo uma coisa cumpro-a e gosto que façam o mesmo comigo. Gosto de cozinhar uma cataplana para a família e amigos mas também gosto de aproveitar os fins-de-semana para descansar.
Em Tomar faz falta mais empresas e indústria que torne o concelho economicamente mais competitivo. Tomar está muito virado para o turismo, o que é muito importante também. Vemos muitos turistas na cidade e no Convento de Cristo mas é preciso que a economia se desenvolva mais. E isso só vai acontecer com a criação de mais empresas que ajudem o dinheiro a circular e a economia a mexer. É isso que vai trazer mais pessoas que se queiram fixar por cá.

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