Três Dimensões | 05-09-2022 11:59

Precisamos de mais tempo livre para dedicar à família e a nós próprios

Andreia Figueiredo é uma das sócias da sociedade de advogados Rocha, Valente, Figueiredo e Associados (RVF) de Vila Franca de Xira

Andreia Figueiredo tem 42 anos e é advogada em Vila Franca de Xira, cidade onde nasceu e onde gostaria que houvesse mais vida, especialmente ao final do dia. Diz que o novo tribunal já devia estar concluído e que é preciso muito espírito de missão e resiliência dos funcionários judiciais para conseguirem trabalhar no velho edifício dentro de contentores. Jantar com amigas é o seu vício secreto e viajar uma das suas paixões.

Não gosto de tirar férias em Agosto porque prefiro meses mais calmos. Depois de passar um ano sob pressão não precisamos de mais confusão nas férias. Prefiro ter dias calmos para relaxar. Apanhar filas para a praia ou andar no meio de tanta gente não é o meu conceito de férias. Sou muito de me refugiar na montanha e gosto de viajar para cidades europeias. Nos últimos anos por causa da pandemia não tenho ido mas para o ano espero voltar a viajar. Gostei muito de Praga e a minha próxima viagem deverá ser ao norte da Europa.
Sou da geração que na infância brincava na rua. Nasci em Vila Franca de Xira, mas passei boa parte da minha infância em Alverca. Gostei de brincar na rua. Era onde ganhávamos competências sociais que são difíceis de obter de outra forma. Hoje em dia, no entanto, é preciso algumas cautelas. O ambiente não é o mesmo que era há alguns anos e existem outros perigos também que são mais preocupantes até dentro de casa, por exemplo, na exposição que os adolescentes têm aos perigos da internet e muitos pais ainda não estão tão preparados como pensam para esse problema.
A advocacia foi o meu primeiro trabalho. Desde pequena que gostava de ser advogada. Não consigo explicar porquê. Sempre me fascinou esta área do Direito e a ideia de lutar por justiça. Nunca pensei em seguir a Magistratura. Curiosamente não tenho ninguém da minha família ligada ao Direito. O Direito é estar numa missão todos os dias. Não podemos dizer que deixamos o trabalho quando fechamos a porta do escritório. Todos os advogados tentam desligar do trabalho mas não é fácil. Acabamos por pensar nas coisas mesmo quando estamos em casa, como acontece com outras profissões.
Já devia estar construído o novo tribunal. Desde o meu estágio que me lembro de ouvir falar num novo tribunal em Vila Franca de Xira. Vemos os funcionários a trabalhar em condições que estão longe de ser as ideais, com uma recepção no vão da escada do edifício por exemplo. Todos nos preocupamos com as questões de segurança associadas à forma como o tribunal funciona. Os funcionários precisam de melhores condições e espero que as venham a ter. É preciso muita resiliência e espírito de missão para trabalhar um dia inteiro num contentor. A chegada do novo tribunal vai ser positivo para a cidade e a cidade vai poder voltar a ter a secção de comércio e vai ajudar a combater algum envelhecimento na cidade e trazer alguma vida.
Podemos estar à beira de um novo pico de insolvências. As pessoas devem começar a preparar-se para a chegada de tempos difíceis. As minhas áreas favoritas do Direito são as insolvências e o Direito Público e Administrativo. São áreas que me têm cativado muito. Quando genuinamente gostamos do que fazemos tentamos sempre dar o nosso melhor. Comecei o estágio após concluir a faculdade em 2003 e tive o privilégio de ter um patrono extraordinário com quem partilho escritório até hoje, o Fernando Valente.
A profissão é um vício e é difícil desligar. Por isso temos tantos colegas que a continuam a exercer após a aposentação. Quando chegou a hora de avançarmos com a sociedade não tive medo. Foi algo novo para todos e entrámos com a mesma perspectiva, de poder ser um projecto vencedor que, dez anos depois, podemos dizer que foi. Os meus valores fundamentais na vida são a honestidade, integridade e lealdade. Sou uma pessoa perfeccionista em demasia. É um aspecto que tenho tentado trabalhar para que não me drene tantas energias. A minha zona favorita da cidade é o caminho pedonal. Para descomprimir do final do dia por vezes frequento-o.
Devíamos ter mais tempo livre para nos dedicarmos à família, amigos e a nós próprios. Na nossa sociedade, seja por começarmos a trabalhar muito cedo ou sair muito tarde, passamos os fins de dia a preparar o dia seguinte e não temos essa vivência que permitiria alimentar e sedimentar relações sociais importantes para a nossa vida. Gostava de ver Vila Franca de Xira com mais vida, especialmente ao final do dia, quando as pessoas mais conseguem conviver.
Um dos meus vícios secretos é ter um bom jantar de amigas. Rir um bocado e conviver é o melhor que levamos da vida. A maior parte de nós percebe tarde demais que desperdiçou a vida em coisas fúteis. Tenho medo de chegar aos 43 anos achando que não vivi o suficiente. Com a idade começamos a ter uma lógica diferente para com a vida e ter outra preocupação de não a desperdiçar priorizando o que nos faz felizes e nos realiza.

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