Três Dimensões | 31-01-2023 18:00

Estou preocupada com a subida dos preços dos bens alimentares

Estou preocupada com a subida dos preços dos bens alimentares
TRÊS DIMENSÕES
Júlia Augusto confessase uma apaixonada pelo mar pela serenidade e tranquilidade que lhe transmite

Júlia Augusto, 45 anos, é licenciada em Gestão Turística e Cultural.

É Técnica Superior de Turismo da Câmara de Abrantes. Desde 2017 ocupa o cargo de presidente do Centro Social do Pessoal do Município de Abrantes, uma associação sem fins lucrativos, que nasceu em 1976 com o intuito de apoiar os trabalhadores da câmara e dos Serviços Municipalizados de Abrantes. Nasceu em Luanda mas aos seis anos foi viver para a aldeia de Abrançalha de Cima, nos arredores de Abrantes. Teve uma infância feliz e adora viajar.

Em criança costumava regar a horta com o meu avô e recordo-me dos animais que ele criava. Nasci em Luanda [Angola] e vim para Portugal aos seis anos, infelizmente não tenho memórias da vida em África. Viemos viver para a aldeia de Abrançalha de Cima, nos arredores de Abrantes. Recordo-me que a adaptação à escola primária não foi fácil mas com o tempo consegui. Tinha a rotina de regar a horta e também me lembro dos animais que o meu avô criava e do cheiro da adega. Eu e os meus irmãos desarrumávamos o palheiro e o avô ficava arreliado (risos). Eram outros tempos e ficávamos a brincar até à noite com os vizinhos: andar de bicicleta, jogar ao berlinde, tudo era motivo para brincadeira.
A morte de um amigo aos 20 anos marcou-me muito. Foi talvez o momento que me marcou mais pela negativa. Era um amigo de infância. Com a sua morte percebi que a vida é, literalmente, um sopro e temos que aproveitar os momentos do dia-a-dia. Não devemos adiar nada nem deixar nada por dizer às pessoas que nos são mais próximas e importantes. A nível profissional também foi marcante ter concluído o mestrado em Estratégias de Desenvolvimento Turístico (em regime pós-laboral). Era algo que queria muito e foi muito exigente.
Existe alguma especulação por parte dos agentes económicos na subida dos preços. Preocupa-me bastante a escalada dos preços, sobretudo nos bens alimentares. Esta situação vai certamente provocar dificuldades na gestão dos orçamentos familiares. Não acredito que a subida dos preços se deva apenas ao impacto negativo que a guerra na Ucrânia teve na economia mundial.
Sou grata e considero-me uma felizarda porque tenho o que importa mais na vida. Sou saudável, física e mentalmente, e os que me rodeiam também. Sou feliz porque dou e recebo afecto, tenho a família por perto. Faz-me feliz ter sonhos, ter um propósito de vida e ter algo em que acredito. Vivo num país calmo, em paz e onde me sinto livre.
Trabalhei num instituto de línguas, num hipermercado e numa empresa de embalamento de óleo e azeite. Sou técnica superior de Turismo da Câmara de Abrantes desde 2002 e desde 2017 que ocupo o cargo de presidente do Centro Social do Pessoal do Município de Abrantes. Estou no segundo mandato desta associação sem fins lucrativos. Gosto de chegar ao fim do dia e saber que cumpri a minha missão, que ultrapassei os desafios diários. Do que menos gosto é que fica sempre o sentimento de não poder fazer mais. As ideias e os projectos existem mas o tempo não permite dedicar-me como seria necessário.
Cozinhar é um acto de terapia. A feijoada é a minha especialidade. Em relação ao prato preferido, é difícil escolher pois sou o que se chama de bom garfo. Gosto muito de arroz de polvo malandrinho ou de um delicioso arroz de feijão com solha frita ou pataniscas. Adoro viajar e o meu sonho é ir às Maldivas. Gosto muito de viajar pelo nosso país e conhecer os seus recantos que são tão bonitos. Adorei conhecer Barcelona das duas vezes que visitei e quero ir a Londres. Ainda tenho algumas cidades para conhecer. Gosto de interagir com novas realidades e diferentes culturas. Sou apaixonada por mar, seja Verão ou Inverno. Transmite-me tranquilidade e serenidade. Relembra-me o respeito pela força da natureza.
Gostaria de acreditar que a solução para o país fosse o voto ser obrigatório. Talvez houvesse menos sentimento de alienação pela responsabilidade cívica que cada um de nós deve ter. Se tivesse oportunidade de falar com o primeiro-ministro aconselharia-o a reforçar o investimento nos sectores da cultura e economia social. Em Abrantes falta o mesmo que na maior parte dos municípios, sobretudo os do interior, que é a descentralização dos poderes de decisão que estão concentrados na capital.
É importante para qualquer Estado ter um exército forte. Acredito que o sentido cívico e de cidadania da sociedade poderia ser reforçado se o serviço militar fosse obrigatório, mas como nunca passei por isso… Há que relembrar que muitas vidas e carreiras foram adiadas à conta dessa obrigatoriedade.
Acreditar sempre em algo é fundamental. Devemos acreditar nem que seja em nós próprios, nas nossas capacidades. Devemos ter confiança para seguir o caminho. Só isso já é meio caminho para as coisas resultarem. Sou cristã, tenho respeito e tolerância pelos vários credos e religiões mas não tenho o costume de ir à missa.

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