Três Dimensões | 16-05-2023 15:00

“Um cão ou um gato têm que ser encarados como um elemento da família”

“Um cão ou um gato têm que ser encarados como um elemento da família”
TRÊS DIMENSÕES
Cremilde Santos é a responsável do projecto Taxicão Mildog com sede na localidade de Lapa, concelho do Cartaxo

Cremilde Santos, responsável do projecto Taxicão Mildog, Lapa - Cartaxo

Cremilde Santos trabalhou alguns anos como jornalista mas decidiu mudar de vida e dedicar-se à sua verdadeira paixão: os cães. Em 2021 arrancou com o projecto Mildog Taxicão, que faz transporte de animais onde os clientes precisam. Também vai a casa dos clientes fazer tratamentos aos animais, dá banhos e faz tosquias e em breve vai estar disponível o serviço de fisioterapia veterinária. Está focada no crescimento do seu projecto e lamenta que ainda haja muitos cães abandonados. Sempre que pode adora viajar e conhecer culturas diferentes.

Em 2020 tive um acidente de carro grave e desde aí que deixei de planear o futuro. Passei a ver as coisas de maneira diferente. Vivo um dia de cada vez e foco-me mais em fazer aquilo de que gosto. Circulava a pouca velocidade no meu carro, já perto de casa, quando veio um automóvel em sentido contrário, a alta velocidade, e embateu no meu veículo de frente. Fracturei o perónio e estive alguns meses em recuperação. Não ganhei medo de conduzir mas reforçou a minha ideia de fazer o que mais gosto.
Criei o projecto Taxicão Mildog durante a pandemia e iniciei em 2021. Tirei o curso de auxiliar de veterinária porque sempre gostei muito de animais, sobretudo cães. Fui jornalista durante vários anos mas a determinada altura deixou de fazer sentido continuar nessa profissão. Como sempre tive uma paixão enorme por cães pensei num projecto em que pudesse fazer algo que me realizasse. Foi assim que nasceu o Taxicão Mildog.
Não existe muito o serviço de transporte de cães nesta região. Apercebi-me que existiam pessoas com necessidade de levar os cães a Lisboa para consultas no veterinário, outras não têm grande à vontade para conduzir em Lisboa e faço esse transporte. Também vou a casa dos clientes, os chamados domicílios, onde faço os tratamentos que os cães necessitam e que um auxiliar de veterinária está capacitado para fazê-lo. Também existe a parte dos banhos e tosquias e em breve vai estar disponível a fisioterapia veterinária. Também estou a idealizar um projecto relacionado com crianças e cães que espero concretizar em breve.
Sou apaixonada por cães porque são leais. Em criança não tive cães porque o meu pai não queria. Tive gatos. Também gosto mas são muito mais independentes e com personalidades muito particulares. Os cães são mais dóceis e brincalhões. Funcionam como uma terapia. Comecei por ter três cães, por acaso agora também tenho três mas não são os mesmos. O Brutus foi com quem tive uma relação mais próxima. Esteve comigo numa fase menos boa da minha vida e deu-me sempre tanto amor e carinho que acabou por ajudar-me muito. Infelizmente, morreu de forma repentina. Também tive uma husky, a Bambi, que chegou a velhinha e ficou muito doente, tinha um tumor, tive que mandar eutanasiá-la. Foi uma decisão muito difícil mas estava a sofrer muito.
Ainda há muitos cães que são abandonados pelos donos. Muitas pessoas vão buscar um cão, ou comprar, quando são cachorros porque é muito engraçado mas esquecem-se que os animais crescem e dão trabalho. Um cão ou um gato têm que ser encarados como um elemento da família, que tem que ir ao veterinário, que pode ter que ser submetido a alguma cirurgia. É caro ter um animal. Uma pessoa tem que pensar bem antes de decidir ter um animal de estimação. Deveria haver uma maior responsabilização para quem abandona animais. Acho que deveria haver coimas para que quem abandona os animais seja responsabilizado.
Adoro viajar e conhecer culturas diferentes. Fui várias vezes a Ibiza, em Espanha, e adorei. Sempre que posso eu e o meu marido gostamos de lá voltar. A lua-de-mel em Tenerife também foi uma viagem que ficou marcada, assim como os Açores e Porto de Galinhas, no Brasil, foram viagens inesquecíveis. Quero conhecer vários países europeus que ainda não tive oportunidade de conhecer. Não gosto de cozinhar mas normalmente sou a cozinheira de serviço. Opto por refeições rápidas e ligeiras porque o meu projecto ocupa-me muito tempo.
O Estado deveria apoiar mais quem tem animais. O veterinário é muito caro e se o animal adoece e precisa de cirurgia, por exemplo, nem todas as pessoas têm dinheiro para gastar com o seu animal. O Estado poderia dar algum tipo de apoios porque senão o abandono de animais vai continuar a aumentar e as pessoas optam cada vez menos por adoptar animais. Detesto que me façam de parva e, pior, que achem que estou a acreditar nas mentiras que me estão a contar. É das piores coisas que me podem fazer.
Faz falta um parque ao ar livre para os cães poderem brincar e correr. Os animais muitas vezes estão fechados em casas ou apartamentos durante o dia. Seria importante criar espaços para que possam socializar e gastar energia. Também faltam empresas que se traduzam num desenvolvimento económico, que tanta falta faz ao concelho do Cartaxo. O comércio tradicional também está a definhar aos poucos e era bom haver alternativas aos hipermercados.
O aumento do custo de vida é uma barbaridade. É uma falta de respeito para com as pessoas sobretudo com quem tem reformas e ordenados baixos. Há produtos que não se justificam tanto aumento de preços, como o azeite, por exemplo. Somos um país produtor de azeite, não faz sentido ter aumentado tanto o preço. A guerra na Ucrânia não pode ser justificação para os aumentos de preços.
Cada vez confio menos nos políticos. Como eu, acredito que haja muita gente a pensar de igual forma. As situações que têm acontecido nos últimos tempos revelam bem a maneira como os políticos se preocupam com os cidadãos. É mais importante manterem os seus lugares do que criarem medidas de apoio e protecção a quem mais precisa, que são os portugueses. Depois queixam-se que as pessoas não votam. O descrédito é cada vez maior. A justiça não é igual para todos. Quem tem dinheiro consegue ver alguma justiça ser feita. Quem não tem poderio financeiro nem sequer se dá ao trabalho de avançar com um processo em tribunal porque vai sair-lhe caro.

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