Três Dimensões | 21-06-2023 07:00

Cláudia Faria é a voz feminina dos Lucky Duckies

Cláudia Faria é a voz feminina dos Lucky Duckies
TRÊS DIMENSÕES
Cláudia Faria é a vocalista feminina do popular grupo de vintage swing e rock’n’roll Lucky Duckies

Cláudia Faria viveu até aos 29 anos no bairro de Alvalade, em Lisboa, de onde guarda boas memórias.

Apaixonada por música desde a infância, confessa que nunca se tinha imaginado a integrar uma banda com a popularidade que os Lucky Duckies conquistaram. A sua primeira guitarra foi dada pelo avô. Ser hoje a única mulher numa banda de homens não a melindra e até serve como motivação adicional para dar o máximo em palco.

A música é um vício e uma paixão que vem desde a infância. Tudo começou quando o meu avô me ofereceu uma guitarra quando era criança. Ainda hoje toco guitarra. Vivi toda a minha adolescência no bairro de Alvalade, em Lisboa. Guardo boas recordações desde a Avenida de Roma à Praça de Londres. Costumava brincar na rua, algo que hoje seria impossível. Só na minha praceta moravam 40 miúdos. Toda a gente era do bairro e frequentávamos os mesmos sítios. Saíamos juntos à noite para os mesmos locais.
Aos dez anos aprender guitarra foi uma seca (risos). Passava muitas horas a aprender escalas e queria ser mais criativa. Como os meus pais eram católicos e eu frequentava a igreja da paróquia do Campo Grande comecei a integrar os coros. Estive no coro juvenil da paróquia onde continuei a aprender guitarra e a cantar. O meu pai foi jogador de futebol no Sporting e tinha muitos contactos de eventos. Como eu já sabia tocar um bocadinho acabei por, em conjunto com a minha irmã, fazer as primeiras partes de alguns eventos.
Tirei o curso de Relações Internacionais na faculdade. Se não fosse a música o que gostava de ter feito profissionalmente era estar ligada ao marketing e publicidade. Gostava de ter sido criadora de conteúdos. É uma área que me fascina. Vi os Lucky Duckies a primeira vez nos anos 90 num bar em Lisboa. Achei a banda muito gira e com bom ambiente. Um ano depois reencontrei-os quando tocavam como banda residente no bar do Luís Represas, na Praia da Mata, na Costa da Caparica. O circuito musical é pequeno em Portugal e reencontrámo-nos várias vezes desde então.
Ser a única mulher numa banda só de homens não me incomoda. Somos todos colegas e não há distinção entre homens ou mulheres. Já integrei uma banda de três raparigas, estilo as Supremes, e sinto que a experiência é igual na relação de grupo. Ainda fico nervosa antes de um concerto. Curiosamente fico mais nervosa num auditório do que numa plateia de rua. Na rua não me provoca tanto stress, curiosamente. No entanto depois de soltar a voz não tenho qualquer problema e é uma alegria. Ficar nervoso nos primeiros segundos é normal. Se não ficarmos nervosos é sinal que não nos estamos a entregar totalmente ao público e não sentimos a adrenalina da música.
Passar o dia de anos em cima do palco a cantar foi um dos melhores momentos que já vivi. Foi muito especial. O meu sonho de vida é a música. Não tenho filhos, logo a música é quase como um filho e queremos dar-lhe a maior longevidade e qualidade de vida possível. Quero cantar até que a voz me doa. Curiosamente, estamos agora a ter aulas de canto com a Sandra Andrade, que foi vocal coach (treinadora da voz de alta performance) da Mimicat. Estamos a trabalhar para aumentar a nossa extensão vocal porque à medida que vamos envelhecendo a nossa voz vai ficando cada vez mais pequenina. E estão sempre a surgir novos métodos para aquecer e arrefecer a voz. A música é o nosso amor e a nossa paixão.
Num auditório onde toda a gente está sentada a ouvir um concerto, os telemóveis podem incomodar. Mas também é bom num slow acender as luzes para servir de lanterna e dar um ambiente especial. Fica muito giro. Infelizmente, já vi pessoas noutros concertos que em vez de verem o espectáculo passam o tempo a filmá-lo e a olhar para o telemóvel.
Tira-me do sério a ingratidão e a mentira. Tento levar a minha vida pelos valores da humildade e discernimento. Acredito que as mulheres têm um sexto sentido para perceber as coisas. Consigo olhar para as pessoas e perceber se vêm por bem ou mal. Gosto de viver na Póvoa de Santa Iria por causa da mistura urbana com a lezíria. À medida que saímos da Póvoa e percorremos o concelho para norte parece que vamos saindo da cidade e entrando no campo. É essa dualidade que acho muito engraçada e que nos permite manter uma boa qualidade de vida às portas de Lisboa.
A nossa música é boa onda e mantemos um legado musical. Somos embaixadores do vintage swing e do rock’n’roll. Os intérpretes destas músicas já cá não estão para dar espectáculos e as suas canções raramente passam na rádio. Se não as tocarmos ao vivo elas desaparecem.
As canções dos anos 20 e 30 são as minhas favoritas e as que gosto mais de cantar. Apesar de fazermos cada vez menos televisão há mais gente a reconhecer-nos na rua. Desde que fizemos o espectáculo do Coliseu as pessoas parecem ver-nos de outra forma, ainda que sejamos os mesmos de sempre. No dia-a-dia gosto de ouvir música dos anos 80 como The Cure, Clash, Sisters of Mercy, Duran Duran, Pink Floyd e Dire Straits. A minha banda de eleição dos anos 80 são os Vaya con Dios.

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