Três Dimensões | 28-06-2023 10:00

“Se não estivermos na Internet é quase como se não existíssemos”

“Se não estivermos na Internet é quase como se não existíssemos”
TRÊS DIMENSÕES
Sílvia Estrela é a proprietária da Sílvia Star Decor, em Santarém, e é uma apaixonada por decoração de interiores

Sílvia Estrela, 49 anos, ainda pensou ser professora mas optou por seguir o conselho do pai e seguiu outro rumo profissional.

Foi funcionária pública durante vários anos na Câmara de Santarém mas a sua paixão por decoração de interiores foi aumentando com a idade. Em 2021 abriu a SílviaStar Decor e em Dezembro do ano passado mudou de instalações para o centro da cidade. Sente-se realizada e diz que foi a melhor escolha que fez. Se pudesse passava a vida a viajar.

Ainda pensei ser professora mas segui o conselho do meu pai e optei por outro rumo profissional. Candidatei-me à universidade com o intuito de ser professora mas o meu pai alertou-me que seria uma profissão em que teria dificuldade em conseguir estabilidade, estaria sempre a mudar de local e a verdade é que ele tinha razão. Fiz bem em seguir o seu conselho. Entrei num curso em Coimbra do Centro de Estudos e Formação Autárquica com o objectivo de ingressar na função pública. Foi-me atribuída uma bolsa de estudo e quando concluí comecei a trabalhar na Câmara de Santarém. Passei por diversas divisões mas foi na área da Cultura que estive mais tempo.
Fazer decorações começou como um passatempo. Decorava a minha própria casa, assim como a casa de familiares e amigos. Era algo que me dava mesmo muito prazer. Quando mudei de casa fiz a decoração toda e só recebi elogios dos amigos que me incentivaram a continuar. Tirei um curso de decoração de interiores para ganhar mais competências mas ao mesmo tempo já fazia remodelações e decorações para amigos. Fui-me apaixonando cada vez mais por esta área e comecei a pensar em arriscar mudar de profissão.
Coloquei licença sem vencimento na câmara para ver como corria o novo projecto. Assim que terminei o curso veio a pandemia e fiquei sem saber o que fazer. Fui fazendo alguns trabalhos em casa que vendia através da Internet e enviava pelos correios. Foi assim que começou e tive a certeza que era isto que queria realmente fazer. Abri a primeira loja em São Domingos em 2021. Em Dezembro do ano passado mudei-me para o centro da cidade, perto do W Shopping, porque o meu intuito foi sempre ir para o centro, onde estão as pessoas. E também porque já precisava de um espaço maior. Por causa das redes sociais tenho clientes fora da região de Santarém e consigo chegar mais longe. Se não estivermos na internet é quase como se não existíssemos por isso em breve vou também criar um site para chegar a mais clientes.
Gostava mais quando a Feira da Agricultura era cá em cima. Nasci em França e vim para Santarém com dois anos. Os meus pais viveram vários anos perto de Paris mas quando chegou a altura da minha irmã mais velha ir para a escola decidiram regressar a Portugal. Apesar de serem das zonas de Pombal e Leiria os meus pais vieram viver para Santarém onde tinham grandes amigos. Da minha casa via as corridas de toiros na Praça Celestino Graça e assistia às largadas de toiros na feira. Era mais castiça e de maior proximidade entre as pessoas. A Feira no CNEMA perdeu um bocado da sua magia.
Não sou aficionada porque não gosto de ver fazer mal aos animais. Respeito as tradições e respeito, acima de tudo, quem gosta de corridas de toiros. Poderia chegar-se a um meio termo e utilizar artefactos que protejam o animal na hora de espetar a bandarilha. Deve haver respeito entre todos.
O momento mais marcante da minha vida foi o nascimento dos meus filhos. A vida muda por completo. Deixamos de pensar em nós para a nossa prioridade ser em função deles e do seu bem-estar. Quando o meu filho mais velho era pequeno tirei um curso de Gestão Autárquica, em Lisboa, e não foi nada fácil conciliar tudo e adaptar-me à novidade de ser mãe. Tudo se fez mas são tempos mais difíceis de gerir.
O momento mais complicado foi a morte da minha mãe, há cerca de 14 anos. É sempre difícil mas foi mais complicado porque com 50 e poucos anos a doença de Alzheimer começou a manifestar-se e deixou de ser capaz de cuidar dela. Foi como se a tivéssemos perdido duas vezes. Quando a doença progrediu deixou de nos reconhecer e de não conseguir fazer nada. Era muito difícil lidar com o facto da nossa própria mãe não nos reconhecer.
Se me saísse o Euromilhões gastava o dinheiro todo em viagens. Costumo dizer isto na brincadeira porque se pudesse passava a vida a viajar. Gosto de conhecer novas e diferentes culturas. Adorei a viagem que fiz a Natal, no nordeste do Brasil, mas também gostava muito de conhecer a Irlanda, Istambul e tantos outros países. Gosto de cozinhar mas sem ser por obrigação. Bacalhau com natas é a minha especialidade mas também gosto de fazer um bom arroz de marisco. Nos tempos livres gosto de ficar no sofá a ver séries na televisão. Adoro ir à praia e no Verão vamos sempre de férias para o Algarve. Também não dispenso um bom livro.
Em Santarém faz muita falta estacionamento sobretudo no centro da cidade. Também era importante melhorar a rede de transportes públicos. O centro histórico continua a definhar, o que é uma pena. Recordo-me de em pequena ir com a minha mãe às compras ao centro histórico e havia vida e muitas pessoas na rua. Hoje vemos lojas e casas a cair. Os preços são muito altos e é complicado fazer obras. É importante criar condições para que os proprietários ou quem queira comprar casa no centro histórico não veja a sua vida dificultada por burocracia.

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