Três Dimensões | 01-08-2023 07:00

Guida Botequim: “sou mais pelas pessoas do que pelos partidos”

Guida Botequim: “sou mais pelas pessoas do que pelos partidos”
TRÊS DIMENSÕES
Guida Botequim defende que um teleférico entre a estação de comboios e o planalto daria mais vida à cidade

Guida Botequim tem 45 anos e é bancária há 23 anos tendo cumprido o sonho de criança a nível profissional.

Entrou para a Junta de Freguesia de Achete, concelho de Santarém, em 2013, e candidatou-se a presidente em 2017 quando se deu a união de freguesias. Lidera a União de Freguesias de Achete, Póvoa de Santarém e Azóia de Cima, com 50 quilómetros quadrados. Adorou ter crescido na aldeia e não é muito ligada à política. Diz que nas juntas de freguesias contam mais as pessoas e os projectos, por isso foi sempre independente. É aficionada e diz que se o aeroporto fosse construído em Santarém teria um impacto enorme para toda a região.

Desde criança que sonhava trabalhar num banco. Tinha cerca de cinco anos quando fui com a minha mãe ao banco e o funcionário percebeu que eu estava muito atenta e encantada com tudo. Levou-me a visitar as instalações incluindo a tesouraria e o cofre, que foi realmente o que me deixou fascinada. Nem foi ver as notas mas ver tantas moedas mexeu comigo. Desde esse dia dizia sempre que queria ser bancária. Tirei o curso de Gestão na Escola Superior de Gestão do Instituto Politécnico de Santarém apesar de ter notas para entrar na universidade em Lisboa, mas o meu pai descobriu que havia o mesmo curso em Santarém. Não o consegui convencer a ir estudar para Lisboa.
Crescer na aldeia foi um privilégio. Moro numa aldeia muito perto de Achete, de onde sou natural e cresci. As memórias de infância são as melhores, sobretudo das férias escolares passadas em casa dos avós e com as amigas. Brincar no campo, na terra, com liberdade. Quero que os meus filhos cresçam com essa liberdade e espaço para brincarem e serem felizes.
Fui operada aos 18 anos à artéria da aorta, porque era hipertensa, e fiquei sempre com a convicção de que não poderia ser mãe, que era um sonho muito grande. Quando engravidei foi uma felicidade imensa e correu tudo bem. Da segunda vez também foi especial porque sempre quis ter um casal e o meu sonho concretizou-se. Os filhos mudam tudo na nossa vida. Eles passam a ser prioridade e as nossas decisões são tomadas em função deles.
Os meus pais tinham um negócio que não correu bem e tive que ir trabalhar. Foi nessa altura que fui trabalhar para a EDP em Santarém, um ano depois de ter sido operada. Foi um marco porque fez-me crescer e deu-me arcaboiço para enfrentar os momentos menos bons que a vida tem. Ganhei mais responsabilidade. Consegui estudar e trabalhar e depois entrei no banco. Os imprevistos fazem parte da vida e temos que estar preparados para os enfrentar. Sejam bons ou menos bons.
Sou mais pelas pessoas do que pelos partidos. Entrei na Junta de Freguesia de Achete em 2013. Depois, com a União de Freguesias, tornei-me presidente em 2017. Estou no segundo mandato. O meu avô chegou a fazer parte de um executivo da junta e lembro-me de ir com ele assistir a assembleias de freguesia quando era criança e estava de férias. Gostei do ambiente. Quando fiz 18 anos convidaram-me para as mesas de voto e mais tarde convidaram-me para as listas da freguesia. Houve quem me tivesse inscrito no Partido Socialista mas nunca paguei as quotas e sou independente. Candidatei-me com o apoio do PS, PSD e CDS. Nas juntas de freguesia acredito que funcionam mais as pessoas e os seus projectos do que a política.
Gosto muito de fazer acontecer. Foi por isso que me candidatei à junta. Procuro fazer o meu trabalho da melhor maneira. Vou todos os dias à sede da junta depois de sair do trabalho. Ser autarca complementa-me. A política em si não me fascina, o que gosto é de poder ajudar as pessoas. Quando me pedem algo e sei que a decisão não está na minha mão não minto. Explico tudo à pessoa, para perceber por que é que não se vai realizar. Neste momento a prioridade são as estradas por alcatroar que têm maior aglomerado de casas. O mais importante é sentir que vamos conseguindo atender os pedidos prioritários. O que menos gosto no cargo é da burocracia e da lentidão com que as coisas demoram a estar concluídas.
O aeroporto em Santarém seria óptimo não só para a região mas também para a freguesia. Os terrenos desta freguesia iriam valorizar muito, porque estamos mesmo junto do local onde o projecto prevê construir o aeroporto. Seria muito bom para o desenvolvimento da região, com muitos postos de trabalho e pessoas a virem morar para cá. Sabemos que é um projecto megalómano, que a acontecer, vai demorar muitos anos. Ainda há um caminho longo a percorrer mas esperemos que aconteça. Se isso acontecesse iria construir-se uma saída da auto-estrada A1 na zona de Torre do Bispo, que é algo que se fala há muitos anos.
O projecto do teleférico que pudesse ligar a estação dos comboios na Ribeira de Santarém ao planalto daria um desenvolvimento gigante a toda a cidade. Iria dar uma enorme vida ao centro histórico e a toda a cidade, assim como também desenvolveria a Ribeira de Santarém. É um projecto exequível, que se fala há muitos anos mas que nunca se concretizou. É uma pena. Seria uma enorme mais-valia.
Sou aficionada e acho que a tradição continua bem viva. Gosto de assistir a touradas, não concordo com as invasões e os protestos. A festa brava deve ser respeitada, como nós respeitamos as outras pessoas. Esta é uma tradição muito enraizada no Ribatejo e acredito que vai perdurar ainda por muitos anos. Prova disso é vermos as praças, sobretudo a de Santarém, repletas de pessoas que gostam de assistir ao espectáculo.

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