“A procura contínua de inovação é a chave para o sucesso”
Gabriela Soares Videira é médica dentista e tem um percurso singular nessa especialidade. É actualmente coordenadora do Serviço de Medicina Dentária do Hospital da Luz, em Lisboa. Casada com Renato Rosinha, um rosto conhecido em Vila Franca de Xira, é uma mulher apaixonada pelas tradições taurinas, em particular a tradição do Colete Encarnado e diz que a cidade tem potencial para ser mais do que um dormitório da capital. Nos tempos livres velejar com a família é uma das suas paixões.
Completar meio século de idade dá-nos muita calma e serenidade (risos). Não se chega a esta idade de um dia para o outro, por isso vamos somando todas as experiências e momentos que a vida nos oferece. No fundo, é saber olhar para trás e colocar algumas coisas em perspectiva e pensar nas restantes que ainda queremos fazer e que, provavelmente, o tempo permitirá.
Sou médica dentista e essa era a minha profissão de sonho. Licenciei-me em medicina dentária em 1999, formei-me na Egas Moniz, em Almada. Tive depois a fazer minha formação pós-graduada em Madrid, que na altura foi uma grande vantagem do ponto de vista profissional. Estávamos a começar nas especializações dentro da medicina dentária e foi diferenciador. Dediquei-me à área da periodontologia em que somos 60 especialistas em Portugal num universo de perto de 14.000 médicos dentistas. Hoje ainda me dedico a essa área, embora menos. Estou mais focada na medicina dentária no sono, disfunção temporomandibular e dor orofacial.
A saúde foi sempre aquilo que quis fazer. Trabalhar na área da saúde é um privilégio e não me via a trabalhar noutra área. Gosto de trabalhar com pessoas e de estar com pessoas. E este contacto com os doentes é extraordinário. A área, concretamente, defini-a um bocadinho mais tarde, com 14 ou 15 anos, depois de ter um acidente de viação muito impactante, na zona de Coimbra, onde fui parar a um serviço de cirurgia maxilo-facial, onde decidi claramente que isto havia de ser o meu futuro profissional. Gostei muito do curso e não me via a fazer outra coisa. Hoje sou coordenadora do Serviço de Medicina Dentária do Hospital da Luz mas tenho também o privilégio de ser coordenadora do projecto na zona sul da Medicina Dentária da Luz Saúde, que envolve Évora, Setúbal, Oeiras, Amadora, Lisboa, Torres de Lisboa e há de envolver também o Hospital de Santarém, que vai ter medicina dentária. Na nossa clínica de VFX não temos ainda medicina dentária mas vamos ter em Santarém, num serviço muito interessante com uma vista fantástica para ajudar os utentes a descontrair.
Sou de Lisboa e comecei a ir a Vila Franca de Xira por causa dos touros. Gosto muito de tauromaquia e ia sempre com um grupo de amigos ao Colete Encarnado. Amigos esses que depois me apresentaram ao Renato Rosinha. Foi assim que comecei a conhecer melhor Vila Franca de Xira. Gosto da proximidade a Lisboa e, ao mesmo tempo, das pessoas se conhecerem todas na rua e cumprimentarem-se. Tem um forte sentimento de bairro, de proximidade, que só as cidades pequenas têm. É um local onde as pessoas se conhecem no bairro, ficam a falar nas ruas, preocupam-se umas com as outras. Têm o rio, algo que valorizo muito, e tenho pena que VFX não reforce mais a sua identidade, sobretudo na ligação com a tauromaquia e o neo-realismo. É a notoriedade da cidade que pode ser muito melhorada.
Não tenho dúvidas que VFX tinha condições para dar o salto e ser muito mais do que é hoje. E não só do ponto de vista da restauração, como em tempos a cidade foi muito procurada. Falta um bocadinho isso. VFX tem muito para oferecer, é preciso reforçar a aposta turística, a cidade não pode ser apenas um dormitório.
Não desligo facilmente do trabalho mas é raro o trabalho tirar-me o sono. Às vezes tenho necessidade de sair aos fins-de-semana, de desligar, mas gosto muito do que faço. Sobretudo da procura contínua de inovação, que é a chave para o sucesso e que o grupo Luz tem no seu DNA: esta inovação constante, trazer coisas diferentes e positivas para os utentes, que nos faz estar sempre ligados.
A falta de respeito e a falta de responsabilidade das pessoas naquilo que são as suas funções tira-me do sério. Vivemos num país que, apesar de tudo, nos dá muitas oportunidades e as pessoas não aproveitam essas oportunidades na plenitude. O céu é o limite e deixa-me um bocadinho triste quando as pessoas vivem só o dia a dia sem pensarem um bocadinho mais além.
Os dentes são fundamentais para ter uma boa saúde e para ter qualidade de vida. Não é só uma questão estética. O medo da medicina dentária nas novas gerações já não existe. Ainda temos alguns doentes mais velhos que mantêm esses medos porque tiveram péssimas experiências no passado. Hoje, os cuidados são diferentes. Temos um bloco operatório para tratar condições mais complexas e podemos tratar os nossos doentes com sedação, um gás que ajuda os doentes a estarem mais relaxados. Ter dor hoje em dia é um evento raro nos nossos tratamentos. Por outro lado, existe a noção e nós, pelo facto de trabalharmos aqui no hospital, temos isso bem presente, de que a saúde oral não é uma coisa restrita apenas à boca. Os diabéticos, por exemplo, se tiverem uma boa saúde oral, precisam de menos doses de fármacos. Os doentes que têm patologia cardíaca, se tiverem infecções orais, têm mais risco de ter problemas valvulares. Numa gravidez pode-se assistir a partos prematuros associados a infecções orais não tratadas. Já não faz sentido ter medo do dentista.
Infelizmente, a medicina dentária em Portugal, no Serviço Nacional de Saúde, continua a ser uma miragem e não devia ser. A nossa ordem tem feito um esforço muito grande para que isso não aconteça, para criar a carreira do médico dentista no SNS, tentando também que haja um plano nacional de saúde oral, que considero importante. Hoje temos médicos dentistas muito bem formados e a nossa medicina dentária na Europa é muito bem vista. Até já estamos a exportar imensos médicos dentistas, porque há países que têm muita carência.
Para mim um dia bem passado é em família, a viajar e a conhecer coisas novas. Pode ser a velejar ou a ter uma boa conversa. Adoro velejar, tanto eu como o Renato, é um passatempo muito relaxante e que ajuda a desligar. É libertador. Por vezes, como todos, preciso de descansar e para mim a melhor forma é ir para o campo ou mar. Profissionalmente e pessoalmente sou uma pessoa realizada. Espero que ainda me faltem muitos anos de vida pela frente para concretizar coisas que gostava de fazer, um safari, por exemplo, ou uma volta ao mundo.
Para mim o Natal é a família, estarmos todos juntos e reflectir o que é que fizemos neste ano que passou por nós. É pensarmos em como é que podemos contribuir para que o mundo seja melhor. Não acredito no lema do ano novo, vida nova. Acho que devemos pensar na nossa vida todos os dias. Temos que pensar todos os dias o que é que vamos fazer, como é que vamos gastar o tempo que nos deram, as oportunidades que nos deram.


